Ursula von der Leyen na apresentação da app
Ursula von der Leyen na apresentação da appComissão Europeia

Comissão Europeia lança app de verificação de idade que foi "pirateada" em menos de 24 horas

Especialistas em cibersegurança expõem falhas críticas no código da nova ferramenta de proteção de menores, permitindo o reset do PIN em apenas dois minutos.
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A grande aposta da Comissão Europeia para ajudar a resolver o que é considerado a grande prioridade de combate no acesso de menores a conteúdos na internet sofreu um golpe duro na sua credibilidade. Apenas um dia depois de ter sido apresentada oficialmente pela presidente Ursula von der Leyen, a nova aplicação de verificação de idade da União Europeia foi exposta por especialistas em cibersegurança como sendo vulnerável a ataques extremamente simples, por qualquer pessoa.

O investigador britânico Paul Moore, do Simply Secure Group, publicou, menos de 24 horas após o lançamento da app, uma demonstração detalhada onde prova que a segurança da aplicação pode ser contornada.

Segundo Moore, o processo de "piratagem" demora menos de dois minutos e nem sequer exige conhecimentos avançados de informática, bastando o acesso físico ao dispositivo.

A falha reside na arquitetura de armazenamento local da aplicação. Moore demonstrou que a ferramenta guarda o código PIN de segurança num ficheiro de configuração editável dentro do sistema do telemóvel. Ao manipular dois valores específicos num ficheiro de texto (shared_prefs), um utilizador pode:

- Apagar o PIN existente.

- Definir um novo código de acesso sem conhecer o anterior.

- Até mesmo reiniciar o contador de tentativas falhadas, permitindo ataques de "força bruta" ilimitados.

Uma vez alterado o PIN, o sistema permite o acesso total às credenciais de identidade já verificadas, o que significa que um menor poderia, teoricamente, contornar a proteção de um dispositivo partilhado ou configurado pelos pais.

Resposta de Bruxelas e potencial impacto em Portugal

Em resposta às críticas, a Comissão Europeia emitiu um comunicado de urgência através do seu porta-voz, Thomas Regnier. Bruxelas defende que a versão analisada pelos investigadores é um "protótipo de desenvolvimento" e não a versão final de produção. "O objetivo de termos disponibilizado o código como open source foi precisamente permitir que a comunidade detetasse este tipo de situações antes da implementação obrigatória", disse o porta-voz.

Isto apesar de, no lançamento, Ursula Von der Leyen ter afirmado que a app estava pronta a ser aplicada pelos Estados-membros.

O facto de o aplicativo necessitar de mais desenvolvimento tem potenciais implicações para Portugal. O país aprovou, em fevereiro de 2026, legislação que fixa nos 16 anos o limite para o acesso autónomo às redes sociais. A nova aplicação europeia seria uma das peças a utilizar para viabilizar esta lei, através da integração com a Chave Móvel Digital. Com esta falha exposta, crescem as dúvidas sobre se a implementação da lei portuguesa poderá sofrer atrasos por falta de garantias de segurança.

A Comissão assegura que as correções serão integradas nas próximas semanas, mas o dano na confiança dos cidadãos e dos reguladores parece inevitável.

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