O comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Mário Silvestre, explicou esta quarta-feira, 4 de fevereiro, as razões que o levaram a ausentar-se do país no período que antecedeu o impacto da depressão Kristin em Portugal, uma ausência que gerou polémica após se conhecer o elevado número de ocorrências e vítimas associadas ao mau tempo.Durante a conferência de imprensa da Proteção Civil, Mário Silvestre afirmou que, à data da sua deslocação a Bruxelas (segunda-feira, dia 26 de janeiro), não existia qualquer indicação de que Portugal viesse a ser atingido por um fenómeno meteorológico com a gravidade que se verificou. “No dia 25 de janeiro tivemos um briefing com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera e nada fazia antever que houvesse a tal depressão com a dimensão que veio a verificar-se posteriormente”, explicou.Segundo o comandante nacional, a informação disponível apontava apenas para um cenário típico de inverno. “Fizemos uma avaliação do cenário e seria uma semana perfeitamente normal com uma depressão, sistemas frontais, chuva, no fundo uma situação tipicamente de inverno. Portanto, não havia no domingo absolutamente nada que nos indicasse que iríamos ter o fenómeno que depois tivemos na madrugada de quarta-feira”, afirmou.Mário Silvestre sublinhou que a deslocação a Bruxelas - entre os dias 26 e 28 de janeiro - ocorreu no âmbito das suas funções institucionais e garantiu que a estrutura da Proteção Civil manteve sempre o acompanhamento da situação meteorológica. “O Comando Nacional de Emergência e Proteção Civil, assim como toda a estrutura operacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, esteve permanentemente a acompanhar a situação e eu estive com eles a acompanhar a situação apesar da distância, fazendo briefings inclusivamente”, disse.O responsável destacou ainda a confiança na equipa que assegurou a condução das operações durante a sua ausência. “O meu Comando Nacional é composto por um segundo Comandante Nacional e cinco adjuntos nos quais eu deposito toda a minha confiança”, sublinhou, acrescentando que “nada deixou de ser feito por causa da minha ausência”. “A minha presença física em Carnaxide nada teria mudado ou não teria efetivamente existido qualquer outro tipo de medida para além daquelas que foram tomadas”, reforçou.Mário Silvestre disse que informou o presidente da ANEPC, José Manuel Moura, sobre a sua viagem. “É a minha cadeia hierárquica, e ele sabia perfeitamente desta deslocação”.Quanto ao cenário de a Proteção Civil ter sido apanhada de surpresa pela violência da depressão Kristin, o comandante nacional reconheceu que a informação sobre o fenómeno só chegou mais tarde. “O fenómeno, efetivamente, só nos foi comunicado no dia 27 (terça-feira), que foi quando começámos a fazer, no fundo, todos os preparativos para essa situação”, explicou.Sobre se teria tomado a mesma decisão caso tivesse conhecimento prévio da gravidade da situação, respondeu de forma inequívoca: “Obviamente, se eu soubesse no dia 25 que a depressão nos ia afetar assim, não iria sair do país”..Comandante Nacional da Proteção Civil ausentou-se do país para formação durante sequência de tempestades