A maioria socialista do executivo da Câmara de Leiria votou hoje contra a proposta dos vereadores do PSD de isentar os impostos municipais para os cidadãos e empresas que sofreram danos com a depressão Kristin.Uma das propostas apontava para a criação de um regime de exceção para a devolução total dos 5% da taxa de participação variável no Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS), o que seria uma forma de "reforçar o rendimento disponível para despesas de recuperação para a reconstrução" das habitações atingidas, refere o documento.Os três vereadores sociais-democratas na Câmara de Leiria defenderam ainda um "regime excecional de benefícios fiscais em sede de derrama municipal, aplicável às empresas com sede ou estabelecimento estável no concelho de Leiria que tenham sofrido prejuízos materiais relevantes e quebras significativas de atividade em consequência direta da tempestade Kristin".A proposta previa a "isenção total ou redução muito significativa", sob comprovativo "dos danos sofridos e o impacto na sua capacidade produtiva e consequentemente na sua faturação".Outro dos pontos votados foi a isenção total do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) em 2026, às habitações próprias e permanentes "com danos comprovados por vistoria municipal" e a aplicação de "taxas reduzidas - entre 20% a 30% - conforme o grau de dano (ligeiro, grave ou inabitável) — com cobertura orçamental assegurada pelas sobras de gerência".Os sociais-democratas lembraram ainda rendeiros e inquilinos, que "não sendo classificados como famílias carenciadas, podem estar a passar por um momento de carência", pelo que precisam de apoio.Relativamente aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS), o PSD sugeriu "aplicar isenção total da componente fixa da TRH [taxa de recursos hídricos] pelos dias completos de interrupção do serviço" e "uma redução de 50% na fatura de gestão de resíduos urbanos para os utilizadores domésticos afetados nas freguesias mais atingidas".As propostas do PSD receberam a aprovação do vereador do Chega, considerando que poderia ser "uma forma de ajudar" famílias e empresas, sendo que na área do SMAS, o apoio poderia ser na ordem dos 50%. "O fulcral é o IMI. Se outros concelhos municípios já o conseguiram quando perderam as habitações e empresas esta é oportunidade do executivo tem ter a coragem", acrescentou."Acabámos de ter um impacto brutal no concelho de Leiria com dimensões que ainda não foram calculadas, nem sabemos qual será o esforço financeiro quer a Câmara de Leiria precisa para reerguer aquilo que foram os prejuízos causados, quer no seu património, que é coletivo, quer nas questões relacionadas com as empresas, associações e com as pessoas", justificou o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes (PS).O autarca entende que face aos prejuízos, o município não deve abdicar de receita fiscal, sublinhando que "esta decisão de votar contra não significa qualquer recusa de apoio às famílias, mas uma opção de responsabilidade num momento de enorme exigência financeira para o município"."Embora algumas propostas não tenham enquadramento legal, segundo informação dos serviços jurídicos, desde a tempestade Kristin o município já investiu mais de 13 milhões de euros em operações de emergência e restabelecimento da normalidade", disse.Limpeza, desobstrução de vias, reparação de infraestruturas, apoio social, resposta habitacional e reforço de meios no terreno e a despesa foram algumas das intervenções da autarquia, que "está longe de ficar por aqui".Lusa.A ministra da Cultura, Juventude e Desporto manifestou hoje preocupação com o impacto económico provocado pelo encerramento de monumentos e espaços culturais, na sequência da destruição causada pela depressão Kristin.Margarida Balseiro Lopes esteve esta tarde na Marinha Grande, onde visitou espaços fortemente afetados pelas depressões recentes, casos da Casa-Museu Afonso Lopes Vieira, em São Pedro de Moel, e do Museu do Vidro, do Teatro Stephens e do Museu Joaquim Correia, na Marinha Grande.“O cenário de devastação é grande, há um impacto enorme na atividade económica e um impacto psicológico nas pessoas de cá, porque viveram aquela madrugada e nunca tinham sentido nada semelhante”, disse à Lusa Margarida Balseiro Lopes.Na Marinha Grande, de onde é natural a ministra, “a destruição está por todo o lado, entra-nos pelos olhos e pela alma adentro o cenário de devastação”, situação que já encontrou também “noutros pontos da região e do país”.No final da visita, a governante reuniu-se com responsáveis autárquicos dos dez municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), dos quais ouviu um balanço da situação nas áreas da cultura e desporto.Margarida Balseiro Lopes mostrou-se preocupada com “o impacto brutal do ponto de visto económico”, para alguns locais, do fecho de portas imposto pelos danos causados pela tempestade.“O encerramento do Mosteiro da Batalha, por exemplo, para o concelho da Batalha é muito significativo. Temos de intervir no mosteiro, porque é o Mosteiro da Batalha, mas também porque para o concelho é um impacto económico e social muito grande”, realçou. Atualmente fechado, o monumento - um dos mais visitados no país - tinha a reabertura prevista para o dia 24, mas a falta de condições apenas permitirá que tal aconteça no final do mês de fevereiro. “Está fechado há bastantes dias e tem impacto muito significativo. Houve intervenções de emergências que fizemos, com criação do perímetro de proteção, porque caíam elementos pétreos. Vamos ter de fazer mais algumas intervenções, depois de passarem estas chuvas, outras vão demorar mais um bocadinho de tempo”. No distrito, em Leiria, aguarda-se também pelo fim da chuva para avançar com a intervenção de emergência que o instituto Património Cultural contratou para repor o telhado do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, um investimento de quase 60 mil euros, adiantou.“Ainda não avançou porque continuava a chover copiosamente. A empreitada é de 35 dias, para conter a degradação do edifício, para a seguir se fazer uma intervenção mais profunda. Gostaríamos de ter até 15 de agosto a recuperação feita, mas vai exigir uma grande coordenação dos autarcas”, disse a ministra, numa referência à data das festas locais. Na Marinha Grande, Margarida Balseiro Lopes avançou que “nos próximos dias vai ficar disponível um formulário no portal gov.pt para os equipamentos culturais que sejam classificados se poderem candidatar através do Fundo de Salvaguarda do Património Cultural”.A ministra também esteve em Coimbra a visitar os locais afetados pelo mau tempo, tendo sido acompanhada pela presidente da câmara, Ana Abrunhosa. Lusa.O Ministério da Agricultura e do Mar já recebeu 5100 candidaturas a apoios na sequência dos prejuízos causados pelo mau tempo, no valor de mais de 300 milhões de euros, revelou hoje o ministro José Manuel Fernandes.“Nós, em termos nacionais, naquilo que são as candidaturas que abrimos no dia 29 de janeiro, logo a seguir à tragédia, já temos mais de 5100 candidaturas para mais de 300 milhões de euros”, disse José Manuel Fernandes.O governante falava aos jornalistas após reuniões que teve hoje à tarde com a presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, com a Associação de Beneficiários do Vale do Sado e com a Associação de Agricultores de Alcácer do Sal na sequência das inundações que ocorreram naquele concelho devido ao mau tempo.Relativamente às candidaturas provenientes do setor agrícola daquele município alentejano, o ministro disse que o ministério recebeu 13 até ao momento.As poucas candidaturas naquele concelho devem-se ao facto de as “pessoas ainda estarem a ver os prejuízos”, explicou.Lusa.A Câmara de Vila Franca de Xira estima “em cerca de 15 milhões de euros” os prejuízos resultantes das recentes intempéries, que originaram 483 ocorrências e obrigaram à deslocação de mais de 30 moradores, anunciou hoje a autarquia.Num comunicado, a Câmara de Vila Franca de Xira disse que as tempestades causaram “prejuízos à volta dos 15 milhões de euros” naquele concelho do distrito de Lisboa.A autarquia revelou ainda que o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil de Vila Franca de Xira foi desativado após 11 dias de “grande dificuldade” meteorológica.Citado no comunicado, o presidente da autarquia, Fernando Paulo Ferreira (PS), avançou que, “juntamente com os outros presidentes da câmara da Área Metropolitana de Lisboa”, está a “procurar obter do Governo um apoio suplementar que permita realizar as obras e investimentos necessários para trazer a normalidade” aos territórios do município.Na intervenção inicial da reunião de câmara, no Pavilhão Multiusos de Vila Franca de Xira, o socialista indicou que foi dada resposta a 483 ocorrências no concelho, desde 05 de fevereiro até hoje, envolvendo 1.471 operacionais e 277 viaturas no terreno.Durante o mau tempo, foram acolhidas “33 pessoas, retiradas por cautela, a sua maioria da Vala do Carregado, e de habitações em risco de inundação”, e relocalizadas outras três, tendo sido montadas “duas zonas de concentração e apoio” à população (refúgios para pernoita e alimentação de emergência), uma no Pavilhão Municipal da Castanheira do Ribatejo e outra no Pavilhão Municipal do Sobralinho, acrescentou.O presidente da autarquia, segundo a nota, enalteceu o trabalho e colaboração dos bombeiros e forças de segurança, das instituições do concelho, autarcas das freguesias afetadas, escolas, Proteção Civil Municipal e equipas municipais da Ação Social, Obras, Ambiente, Cultura, Fiscalização Municipal e dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento.Fernando Paulo Ferreira criticou ainda a “incapacidade de meios de entidades importantes e nacionais para assegurar serviços essenciais”, como a E-Redes, “tendo havido muitas famílias que ficaram privadas de eletricidade nas suas habitações”.Criticou também a Infraestruturas de Portugal (IP), afirmando que a sua “intervenção nem sempre foi imediata na tomada de decisões”, obrigando “a algumas medidas urgentes” por iniciativa da câmara.A par da intervenção no município, os bombeiros do concelho deslocaram-se para apoio às populações no distrito de Santarém, nos municípios de Arruda dos Vinhos (Lisboa) e de Leiria, neste caso com técnicos para “fazer levantamentos e diagnósticos de construções” afetadas pelas tempestades.Os caminhos ribeirinhos estão abertos desde hoje, exceto o de Vila Franca de Xira, que “exige trabalhos mais pesados antes de estar em condições de ser plenamente utilizado”, afirmou Fernando Paulo Ferreira, sublinhando que “o trabalho está longe de estar terminado”, sendo necessário prosseguir com a recuperação de vias, avaliação de possíveis novos deslizamentos de terras e diagnóstico de construções e habitações.Lusa.Vinte e nove empresas de Condeixa-a-Nova já reportaram danos devido ao mau tempo, revelou hoje a presidente da Câmara Municipal, que indicou que os danos ultrapassam um milhão de euros.“Até agora, temos um total de 29 empresas que reportaram danos. Em termos de prejuízos financeiros, estas empresas reportaram um total de 1.071.500 euros”, disse Liliana Pimentel, durante a reunião do executivo camarário, salientando que “há muitas outras [empresas] que podem vir a reportar” danos.Do valor total, 355.300 euros não são segurados, estando a unidade de Apoio ao Investidor do Município “a ajudar as empresas a fazer o reporte à CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional]”.Ao fazer o ponto de situação no concelho, Liliana Pimentel informou que foram registadas 514 ocorrências até sábado, sendo que a maioria foi relativa a queda de árvores (268), a queda de estruturas de edificados (122) e inundações (66).Cinco agregados familiares, num total de 10 elementos, foram retirados das suas habitações, estando ainda dois deles alojados com o apoio da Câmara Municipal.A presidente deu ainda conta de “29 ocorrências de carência social”, estando todos os casos “com acompanhamento técnico”.A autarquia estimou danos de 3,6 milhões euros nos edifícios municipais e de um milhão de euros na rede viária, incluindo sinalização e paragens de autocarros.Já os danos na rede de abastecimento estão estimados em 200 mil euros.Lusa.O Município da Batalha estima prejuízos de três milhões de euros devido aos danos causados pela depressão Kristin e espera garantir energia em todo o concelho até ao final da semana, disse hoje à agência Lusa o seu presidente.“A situação mais preocupante é a questão elétrica, ainda temos algumas centenas de casas e de empresas sem eletricidade. Depois da reunião com o secretário de Estado [hoje], reunimos com o responsável pelas autarquias da região Centro da E-Redes, o qual nos disse que ia tentar limpar o concelho da Batalha até ao final da semana”, revelou o presidente da Câmara da Batalha, André Sousa.Segundo o autarca, um dos principais problemas são as habitações pontuais, “por vezes de difícil identificação”.“Estamos a ajudá-los a bater casa a casa, para ver se têm ou não eletricidade. O nosso foco vai ser esse até todas as casas e todas as empresas do nosso concelho terem eletricidade”, acrescentou.André Sousa alertou, contudo, que muitas das pessoas têm eletricidade devido aos cerca de 15 geradores, quer do município quer da E-Redes, e que é possível verificarem-se falhas de energia, devido à instabilidade da rede.O presidente da Câmara da Batalha, no distrito de Leiria, adiantou que o município soma prejuízos na ordem dos três milhões de euros: “Agora entramos numa fase de reconstrução do concelho tanto das infraestruturas municipais, como desportivas, bem como das infraestruturas rodoviárias”, disse.“Temos bastantes estradas danificadas e edifícios municipais, devido a toda esta situação, e estamos a começar a fazer esse levantamento”, apontou.O Município disponibilizou um ponto instalado na Junta de Freguesia da Batalha para apoiar os cidadãos no preenchimento dos formulários a submeter à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, no âmbito de candidaturas para apoios aos prejuízos causados pela tempestade.Até hoje, já foram apresentadas cerca de 300 candidaturas, num valor de investimento que ronda os 1,5 milhões de euros, disse André Sousa.Com o objetivo de fazer renascer a Batalha, as prioridades são o restabelecimento da eletricidade e a requalificação das vias.“Depois será a reabilitação de todo um tecido económico que ficou afetado. Temos de ajudar também nesse sentido todas as associações e a parte empresarial, não obviamente com fundos, porque o Município da Batalha também foi bastante abalado, mas ajudar a parte empresarial a submeter candidaturas, a ajudar num processo de inovação, de renascer a parte económica também”, frisou.André Sousa estimou que o trabalho que ainda precisa de ser desenvolvido “não vai ser feito num ou dois anos”.“Este próximo mandato vai ser muito marcado pela recuperação do concelho, mas não podemos deixar de fazer outras coisas e vamos ter de construir o centro de saúde que está em andamento, todas as obras que já estão projetadas”, afirmou.O autarca reconheceu que “as prioridades foram um pouco trocadas, tendo em conta a situação”, pelo que o “orçamento municipal vai ter de ser readaptado à reconstrução de todo um concelho que foi muito destruído”.Apesar de tentar “restabelecer a normalidade possível”, André Sousa considerou que o “foco da ação municipal tem de mudar”.Ao dia de hoje, o Município da Batalha conta ainda com quatro deslocados, mas são “situações que a curto prazo se devem resolver”.Lusa.O presidente da Apropesca – Organização de Produtores da Pesca Artesanal apontou um “impacto recorde” do mau tempo no setor da pesca, com os pequenos barcos parados desde dezembro, e pediu ajudas diretas ao Governo.“Este ano, o impacto bateu recordes. Temos embarcações que, desde dezembro, não vão ao mar. As embarcações maiores foram ontem [domingo] e hoje já estão paradas”, adiantou o presidente da Apropesca, Carlos Cruz, em declarações à Lusa.De acordo com a organização, muitas famílias “já estão a passar mal”, uma vez que os armadores têm de pagar aos seus trabalhadores, independentemente, de pescarem ou não.“Têm de pagar o salário, a alimentação e a estadia. Depois têm as despesas nos estaleiros, com seguros e com a manutenção. Um barco parado fica sempre com alguma coisa estragada”, disse.A Apropesca conta com cerca de 120 associados ao longo de toda a costa, que, mensalmente, faturam mais de dois milhões de euros.Cerca de 1% deste valor corresponde às quotas que são pagas à Apropesca, que garantiu estar, atualmente, a trabalhar “sem receber um cêntimo”.Carlos Cruz avisou também que as melhores épocas de pesca estão a passar, sem que os pescadores possam capturar, como a do robalo, que termina em 15 de março.Em consequência, o comércio das regiões mais afetadas “está todo parado” e falta “o chamado peixe selvagem” no mercado, sobretudo, para a restauração.Havendo menos peixe, o preço tem “carregado” nos leilões, adiantou o presidente da Apropesca.Carlos Cruz referiu ainda que, até ao momento, só a Câmara de Vila do Conde avançou com uma ajuda de 250 euros a todos os trabalhadores residentes.Já sobre o fundo de compensação salarial, medida que o Governo tem apontado como disponível para este setor, o presidente da Apropesca disse que só vai chegar em dezembro e que os pescadores precisam de uma ajuda direta.Além dos prejuízos materiais e económicos causados pelo mau tempo, Carlos Cruz sublinhou que as praias estão “inundadas por pinheiros, paus e ramos”, que desaguaram no mar e acabaram arrastados, adiantando que há muito trabalho a fazer.“Nunca vi um ano como este”, lamentou.Lusa.A Câmara de Oeiras vai investir cerca de 2,4 milhões de euros no Passeio Marítimo de Algés para estabilizar a linha ferroviária e alargar o terrapleno, devido a estragos provocados pelo mau tempo, indicou hoje o vice-presidente do município.Em declarações à Lusa, Francisco Gonçalves adiantou que a obra, solicitada pela Infraestruturas de Portugal (IP), deverá durar cerca de dois meses e visa repor a estabilidade da linha de caminho-de-ferro, onde a circulação se encontra condicionada a um dos carris no sentido Oeiras-Lisboa.Leia mais aqui.Oeiras avança com obra de 2,4 milhões de euros no Passeio Marítimo de Algés.A circulação rodoviária encontra-se interdita na Estrada Nacional (EN) 222, na zona de Resende, no distrito de Viseu, na sequência de um abatimento da via, informou esta segunda-feira a Câmara Municipal.Segundo a autarquia, o abatimento ocorreu ao quilómetro 115,2, numa zona próxima da BP de São Martinho de Mouros."Por razões de segurança rodoviária, o trânsito encontra-se interrompido neste troço até à reposição das condições de circulação, sendo que os condutores devem utilizar vias alternativas e respeitar as indicações das autoridades", acrescentou.Lusa. A descida do nível da água do Rio Mondego, nas Docas de Coimbra, permitiu que os cinco estabelecimentos comerciais pudessem hoje reabrir as suas portas, mas apenas para realizar limpezas e para averiguar o que ficou estragado.“Não sabemos quando será possível reabrir ao público. Para já, andamos a limpar, a ver o que é possível fazer e quais são os prejuízos”, sublinhou o responsável da Gelataria Maggio.Em declarações à agência Lusa, Leonardo Cunha explicou que muito material esteve submerso e só nos próximos dias é possível perceber tudo o que ficou danificado.“Tivemos 1,20 metros de água dentro do estabelecimento, temos as arcas provavelmente estragadas, o chão da esplanada todo levantado. Penso que serão milhares de euros de prejuízo, mas só depois teremos a verdadeira noção”, lamentou.A três meses de completar cinco anos sobre a sua abertura, esta gelataria, onde trabalham 12 pessoas, viu “a maior parte da sua maquinaria ficar em contacto com a água”.“Inclusive as máquinas de gelados. Vamos ver o que se pode fazer para seguir em frente”, indicou, enquanto alguns dos funcionários procediam à remoção de lama e ramos de árvores caídos.Para além da gelataria, nesta zona ribeirinha junto ao Parque Verde do Mondego, ficam localizados outros quatro estabelecimentos comerciais da área da restauração, cafés e bares, todos eles encerrados desde o dia 26 de janeiro, por causa do mau tempo e da cheia.Três semanas depois, também o restaurante e bar Beers Coimbra desconhece quando poderá voltar a abrir ao público.“Temos as madeiras todas rebentadas, será impossível reabrir já esta semana. Aliás, nem sabemos quando será possível”, vincou Nuno Santos.De acordo com o chefe de sala deste estabelecimento comercial, ainda há muito trabalho de limpeza para realizar e, só depois, é que todas as empresas com quem trabalham poderão passar no local.“Têm de cá vir fazer a manutenção da máquina da cerveja, também da máquina de café. Ainda demora”, esclareceu.No bar e restaurante Docas Rio, Heloísa Daniel também trabalhava afincadamente nas limpezas que iniciou hoje de manhã.“Ficou tudo cheio de água e de lama. Ainda subimos algumas máquinas e mesas para o andar de cima, para evitar ainda mais estragos, mas, mesmo assim, isto ficou neste estado”, referiu a funcionária, enquanto olhava para a lama que invadiu uma boa parte do interior.Já na semana passada, o responsável por este estabelecimento comercial, onde trabalham 16 pessoas, contou que só nos dias seguintes a ser retirada toda a água e lama é que se poderá ter a real noção do prejuízo.“Só com algum tempo é que se percebe a reação dos materiais a vários dias com água”, concluiu.Lusa.A Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra anunciou hoje que, depois de passada a fase de maior risco associado à cheia do rio Mondego, desativou o Plano de Emergência Externo (PEE), que esteve no nível 2.Num comunicado colocado hoje nas redes sociais, a ULS de Coimbra explicou que o PEE esteve no nível 2 "durante a situação de calamidade, para reforçar a capacidade de resposta" da instituição a um evento extremo na região."Foi também desativado o Plano de Emergência Interno (PEI)".A ULS agradeceu aos profissionais das várias unidades de saúde que, "apesar do impacto que as intempéries também tiveram nas suas vidas, asseguraram cuidados de saúde às populações, apoiaram os trabalhos no terreno e permitiram manter a operacionalidade dos serviços".Lusa.De visita a Coimbra, o Presidente da República eleito, António José Seguro, reuniu-se com a autarca do município para se inteirar dos danos causados pelo mau tempo das últimas semanas. "Correu muito bem", disse Ana Abrunhosa. "Deixou palavras de ânimo", adiantou a presidente da Câmara de Coimbra, de olhos postos no processo de recuperação. "Olhamos para Leiria, para Pombal, para a Marinha Grande, para Coimbra, para outros municípios e vemos danos nas habitações, estradas, no património cultural, em equipamentos e infraestruturas municipais". Dando conta que ainda não há noção dos danos todos provocados pelas condições meteorológicos adversas, Abrunhosa questionou: "Como é que reconstruimos as cidades?" E aponta uma solução. "A minha ideia é um contrato interadministrativo com o Governo, com capítulos para as varias áreas, em que o município vai ter de se reconstruir numa perspectiva integrada. Hoje não é repor o que estava, é reconstruir com mais resiliência. Temos de intervir no rio Mondego e obra hidráulica de uma forma completamente diferente", afirmou.Defendeu que "os municípios têm de ter uma palavra a dizer" assim como as comunidades intermunicipais. "Coimbra o que reivindica, até porque quer ser voz e parte da solução, é um contrato interadministrativo", reforça. Questionada sobre os elogios do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à atuação que teve ao lidar com as consequências do mau tempo, Ana Abrunhosa afirmou: "Fiz o trabalho que tinha de fazer com uma grande rede". Referiu-se, por exemplo, aos autarcas, às diversas entidades, aos bombeiros e às forças de segurança. "Não nos faltou cá o exército. Tivemos desde o primeiro dia imensos meios. Conseguimos articularmo-nos bem, a Cruz Vermelha foi extraordinária, o INEM, a Segurança Social. Essa é a rede da Proteção Civil", detalhou. "Conseguimos trabalhar entre nós, perceber com a APA a gestão que tínhamos de fazer da barragem da Aguieira. Percebemos que tínhamos de provocar inundações. Pelas previsões, a barragem não ia aguentar tanta chuva. A noite de quarta e quinta-feira foram muito preocupantes para nós", assumiu. .O PS propôs hoje o alargamento da situação calamidade aos concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Sobral de Monte Agraço e Lezíria do Tejo e uma avaliação do impacto das tempestades nos municípios em contingência.Num projeto de resolução entregue hoje no parlamento, os socialistas recomendam ao Governo que avance com a “rápida ampliação”, com efeitos retroativos, da declaração de calamidade aos concelhos Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Sobral de Monte Agraço e aos municípios da Lezíria do Tejo que ainda não foram abrangidos.O Grupo Parlamentar do PS sublinha que, embora ainda não tenha sido feita a quantificação concreta dos prejuízos, “é já possível concluir que a extensão e gravidade da catástrofe configura uma situação absolutamente excecional, que carece da adoção de medidas robustas e adequadas que permitam a reposição da normalidade de forma célere e eficaz”.Para os socialistas, “é evidente, desde a primeira hora, que o Governo devia ter alargado o âmbito temporal de aplicação da declaração de situação de calamidade e bem assim, sobretudo, o seu âmbito territorial em face dos efeitos verificados no território”.O PS sustenta que há poucos municípios em estado de calamidade tendo em conta “os efeitos e danos verificados no território” devido ao “comboio de tempestades” que atingiu Portugal continental, referindo ainda que há uma “convicção generalizada de ausência de um critério claro, por parte do Governo, dessa declaração de situação de calamidade”.Essa falta de critério nota-se, acrescenta a bancada, “sobretudo nos municípios muito afetados e que ainda não foram contemplados nessa mesma declaração de situação de calamidade, nos termos da Lei de Bases da Proteção Civil”.“Os cidadãos, as empresas, instituições e autarquias locais (municípios e freguesias), necessitarão de um Estado presente e de um Governo próximo, atuante, ágil e que seja sensível às grandes dificuldades que esta situação de calamidade acarreta”, lê-se no projeto, que tem como primeiro signatário o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro.Os socialistas recomendam ainda ao executivo uma “célere avaliação, em relatório pluridisciplinar e sumário”, do impacto das tempestades nos concelhos em situação de contingência, “fazendo-os equivaler, com efeitos retroativos e se enquadráveis”, no âmbito da situação de calamidade.A bancada do PS pede também a elaboração de um relatório sobre os efeitos da tempestade nos concelhos não abrangidos pela situação de calamidade nem de contingência, bem como a emissão de recomendações à Estrutura de Missão criada pelo Governo para que faça o mapeamento e priorização de todas as infraestruturas públicas afetadas pela tempestade” que precisam de “intervenção urgente e inadiável”.O grupo parlamentar liderado por Eurico Brilhante Dias quer ainda a “ativação imediata de todos os mecanismo e instrumentos de auxílio financeiro aos municípios” e o “reforço imediato e extraordinário da dotação orçamental do fundo de emergência”.Lusa.A DGArtes adiou o prazo limite de entrega para os concursos do Programa de Apoio a Projetos 2025, tendo em conta as consequências do mau tempo das últimas semanas, que afetaram também o setor artístico, sobretudo na região Centro.Num comunicado hoje divulgado no seu site oficial, a Direção-Geral das Artes (DGArtes) anuncia que, “após os fenómenos meteorológicos ocorridos e face às consequências sentidas pelo setor artístico, municípios e comunidades em diversos territórios, especialmente na região centro do país, serão prorrogados os prazos de apresentação de candidaturas no âmbito dos concursos do Programa de Apoio a Projetos”.Os avisos de abertura dos concursos estabeleciam 10 de março como data-limite para a entrega das candidaturas.Esse prazo foi estendido até 31 de março “para apresentação de candidaturas para: Criação – Artes de Rua, Circo, Dança e Teatro; Criação – Música e Ópera; Criação e Programação – Cruzamento Disciplinar; Criação e Programação – Artes Visuais”.No caso dos concursos de Edição – Artes Visuais, Artes Performativas, Artes de Rua e Cruzamento Disciplinar, Programação – Artes de Rua, Circo, Dança, Música, Ópera e Teatro, Internacionalização e Procedimento Simplificado, o prazo foi prorrogado até 2 de abril.Com este adiamento, a DGArtes “pretende dar resposta às situações reportadas pelo setor, quanto à instabilidade sentida por entidades, municípios e estruturas parceiras, face aos danos extensos em habitações, infraestruturas e equipamentos públicas e privadas, no património natural e cultural, assim como perturbações significativas na normalidade da vida e nas atividades económicas das populações afetadas”.O anúncio responde a um pedido de mais de 200 artistas, agentes culturais e estruturas, feito através de uma carta aberta dirigida ao diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, e à qual a Lusa teve acesso.Os profissionais e estruturas alegavam que, “atendendo à situação excecional que o país atravessa, com impactos significativos em vários territórios”, estão “comprometidas as condições mínimas de trabalho necessárias à preparação e submissão de candidaturas aos concursos públicos de apoio à cultura”.O pedido de alargamento do prazo de submissão “visa garantir equidade no acesso ao concurso”, reforçam, “sem implicar atrasos ou alterações ao calendário previsto de concretização dos projetos”.Os subscritores recordavam que “muitas estruturas culturais, artistas e equipas enfrentam dificuldades na reparação de danos, bem como no acesso a eletricidade, internet e mobilidade”, na sequência da passagem de várias depressões meteorológicas por Portugal nas últimas semanas.“A manutenção dos prazos de fecho dos concursos penaliza de forma particular estruturas de menor escala e entidades sediadas fora dos grandes centros urbanos”, alertavam, lembrando que, além dos potenciais candidatos, a situação afeta também “municípios, entidades e estruturas parceiras fundamentais para a viabilização e boa execução das propostas”.Lusa.O Presidente da República eleito, António José Seguro, está esta segunda-feira a visitar Coimbra, acompanhado pela presidente da autarquia, Ana Abrunhosa, para se inteirar dos danos causados pelas condições meteorológicas adversas das últimas semanas. Antes, António José Seguro esteve em Montemor-o-Velho, onde ouviu as preocupações da população e de autarcas do concelho.Leia mais aqui .Seguro ouviu os relatos dos dias de desespero da população e de autarcas de Montemor-o-Velho.Continuam a registar-se a "alguns condicionamentos" em linhas da rede ferroviária nacional, na sequência das condições meteorológicas adversas das últimas semanas, "com impacto na infraestrutura devido a inundações, à queda de árvores e detritos", indica a Infraestruturas de Portugal (IP).Era este o ponto da situação às 13h00:- Linha de Sintra: circulação suspensa na via descendente externa entre Cacém e Monte Abraão;- Linha de Cascais: circulação suspensa na via ascendente entre Algés e Caxias;- Linha do Douro: circulação suspensa entre a Régua e o Pocinho;- Linha do Oeste: circulação suspensa entre Caldas da Rainha e Amieira;- Linha da Beira Baixa: circulação suspensa entre Abrantes e Sarnadas;- Ramal de Alfarelos: circulação suspensa entre Alfarelos e Verride;- Concordância de Xabregas: circulação suspensa entre Lisboa Santa Apolónia e a Bifurcação Chelas.. Os suinicultores alertam para a “maior crise de sempre” no setor devido ao impacto causado pelo mau tempo, com metade das explorações nacionais afetadas e prejuízos estimados de “muitos milhões”, pedindo urgência nas ajudas para evitar um problema social.“O setor da suinicultura é normalmente conhecido por ser resiliente, mas esta é a maior crise de sempre. Afetou 50% da produção nacional, dividida pelas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Centro” – esta última a mais afetada -, apontou o presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), David Neves, em declarações à Lusa.Apesar de não ser ainda possível quantificar os prejuízos causados pelo mau tempo no setor, uma vez que permanecem falhas no fornecimento de energia e nas comunicações, a federação estima perdas de “muitos milhões de euros”.Só na região de Leiria, mais de 50 explorações de suínos ainda estão a trabalhar com recurso a geradores, o que, segundo a FPAS, pode levar a um problema social, tendo em conta que muitas destas são de cariz familiar e que o custo diário associado ao uso destes equipamentos ronda os 600 euros.A federação de associações de suinicultores recebeu, até agora, 246 registos de ocorrências em explorações, que afetaram 1,5 milhões de animais.Portugal tem cerca de 3.000 explorações de suínos.David Neves afastou a possibilidade de falta de carne de porco em Portugal, uma das mais consumidas, uma vez que o mercado europeu é excedentário.Ainda assim, avisou que o grau de autoaprovisionamento em Portugal já rondava os 60% e que haverá uma redução da produção nacional, o que levará a uma maior dependência do mercado externo, com consequências do ponto de vista económico.O presidente da FPAS disse ser prematuro avançar qual o peso desta redução, insistindo que, apesar de parecer que estamos a regressar à normalidade, não é isso que se verifica em todo o território.“Os contactos e as comunicações são muito difíceis. A internet não existe em todo o lado. As pessoas têm de se deslocar quase à zona urbana para terem comunicações”, insistiu.David Neves assegurou também que qualquer alteração ao preço da carne de porco que possa ocorrer no mercado nacional não estará ligada ao impacto das intempéries.Já relativamente às medidas avançadas pelo Governo, apesar de considerar que “estão bem estruturadas”, a federação defendeu que são “manifestamente insuficientes”, pedindo ainda urgência na chegada do dinheiro aos produtores.“Ao dia de hoje, ninguém teve acesso a nada. O dinheiro ainda não chegou às pessoas. As explorações estão a fazer um esforço financeiro muito grande para poderem minimizar os impactos”, rematou.Lusa.O Governo vai lançar um Programa de Apoio a Museus da Rede Portuguesa de Museus (ProMuseus) extraordinário, no valor de um milhão de euros, para apoiar equipamentos afetados pelo mau tempo, anunciou hoje a ministra da Cultura.“No Promuseus que atualmente está em curso, foi prorrogado o prazo precisamente para acautelar a situação absolutamente anormal vivida nas últimas semanas, que impediu muitos museus de poderem estar concentrados em preparar as suas candidaturas. Mas isso é um apoio regular. Aquilo que nós vamos fazer nas próximas semanas é lançar um procedimento extraordinário de um milhão de euros para apoiar os museus que tiverem sido afetados no contexto destas tempestades”, disse a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes.A governante falava aos jornalistas após uma visita a espaços afetados pelas intempéries, em Coimbra, durante a manhã de hoje, quando pontuou que, no caso de Museus e Monumentos de Portugal, há “um conjunto de museus que foram afetados, além daqueles que são da administração central”.Nos 68 concelhos onde foi declarado o estado de calamidade, há “cerca de 25 museus intregrados na Rede Portuguesa de Museus e só quatro é que são do Estado Central”.O Governo, adiantou, irá lançar “um ProMuseus extraordinário, no valor de um milhão de euros, para precisamente - e muitos destes equipamentos até são municipais - apoiar estes equipamentos e tirar alguma carga também dos municípios”.O objetivo é que “os museus possam reabrir com as melhores condições possíveis”, acrescentou.Lusa.O estado de calamidade acabou, mas as marcas da depressão Kristin ainda estão bem visíveis no território. Numa aldeia de Ourém, ainda há quem esteja à espera de telhas, luz e algum descanso.Na aldeia do Casal dos Bernardos, rodeada de eucaliptais dobrados ou ceifados pela força do vento, a chuva miúda não detém Manuel Lopes, de 81 anos, de ir arranjando a vedação junto à sua casa, mas a vontade mesmo era de subir ao cimo da casa de rés-do-chão e primeiro andar para arranjar o telhado.“Eu sei fazer aquilo”, diz Manuel, que foi pedreiro toda a vida, enquanto aponta para o telhado. “Mas o meu corpo já não deixa”, lamenta.O homem afirma que perdeu 150 telhas com a passagem da depressão Kristin, com o vento a fazer voar chapas que “andaram aos saltos” até atingirem o topo da casa.Manuel Lopes ainda conseguiu que um amigo lhe pusesse umas telhas improvisadas enquanto espera por telha nova e mão-de-obra para fazer o serviço.“Ando à procura de empreiteiros, mas não consigo. Isto está mau”, diz.Depois de ter passado por três AVC e um enfarte, esperava chegar "pelo menos até aos 90 anos" e passar “um fim de vida mais calmo”.“Mas não há descanso”, desabafa o reformado.Enquanto espera por um empreiteiro que lhe arranje o telhado, Manuel Lopes critica a falta de pedreiros – “a melhor profissão do mundo” – e deixa uma sugestão: “Se calhar deviam pôr a internet a fazer as casas”.Também Emília Marques ainda não encontrou um bocadinho de sossego desde aquela madrugada em que acordou às cinco da manhã com o estrondo de traves de eucaliptos a baterem-lhe no telhado e chaminé.“Voou tudo por cima da minha casa”, conta à Lusa a mulher de 80 anos, que já pediu ajuda, mas que não se mostra muito esperançosa de que algum apoio chegue.Também ali, o telhado foi remediado dentro do possível e ainda com um susto à mistura – o filho, a tentar tirar a chaminé danificada, caiu e ficou com dois golpes na cabeça.Mesmo depois do arranjo possível, na cozinha, tem “11 baldes das uvas, três alguidares e uma arrastadeira” para ir colhendo a água que vai caindo.“Tivemos de tirar a televisão de cima do móvel, mudar o sofá, levar as cadeiras para outro sítio, a mesa lá no meio… e depois é cacos por todo o lado. Olhe, parece o diabo em casa”, contou.Apesar das infiltrações e da chuva, o que custa a Emília Marques por estes dias é a falta de luz.Ainda tem uma ligação por fio à casa da filha, também no Casal dos Bernardos, para manter a arca ligada, mas dá para pouco mais.“Não tenho onde possa fazer uma fogueira, tenho um aquecedor elétrico, mas ele dispara o quadro”, conta.No domingo, estava tanto frio que lhe gelaram os pés.“Ontem [domingo] aqueci uma borracha de água e fui para a cama às sete para não passar frio, mas é uma noite muito dolorosa. Sem companhia da televisão, operada a um joelho, duas hérnias lombares… Eu nem posso pensar nisso, que são noites muito grandes. Doem-me os ossos da anca de estar deitada tanto tempo”, afirma.Por agora, espera pela luz e pelo fim da chuva, à procura de alguma paz, conta Emília, que tem ao seu lado um gato malhado, de nome Tico, que por estes dias não sai de ao pé da dona, “que anda com medo e um pouco ourado”.Lusa.O presidente da Câmara de Soure, Rui Fernandes, garantiu hoje que a equipa municipal do ambiente está a “intensificar os trabalhos de limpeza” para que a normalidade volte ao centro histórico nos próximos dias.Acompanhado do Presidente da República eleito, António José Seguro, o autarca fez hoje de manhã uma visita pedonal desde a zona baixa, fortemente afetada pela subida das águas, até ao centro urbano da vila de Soure, distrito de Coimbra.Rui Fernandes disse à agência Lusa que foi com alegria que viram as lojas com as portas abertas e os comerciantes a tentarem voltar à vida normal.“O que os comerciantes nos pedem é que sejamos céleres nesta limpeza, porque o espaço público é importante para que as pessoas tenham confiança de ir para a rua”, contou.Neste âmbito, e apesar de ter sido dada tolerância de ponto para terça-feira devido ao Carnaval, “a equipa do ambiente trabalhará na mesma”, sendo a limpeza o foco dos próximos dias, acrescentou.Aquele autarca considerou que, estando “os dois rios (Arunca e Anços) encaixados, a uns 80 centímetros das margens, as pessoas já ganham confiança de voltar ao espaço público” e, por isso, é preciso tê-lo limpo.António José Seguro e Rui Fernandes passaram também pela zona da feira semanal, que hoje se voltou a realizar, apesar de a lama numa parte do recinto ter obrigado à relocalização dos feirantes.“Foi muito tímida, mas agradeceram muito, porque estiveram duas semanas sem feira. Uma parte deles são vendedores ambulantes que vivem destas feiras locais e não tiveram nem a de Soure, nem a de Montemor-o-Velho”, contou.Com a limpeza ainda em curso, o autarca quer já planear o futuro da zona ribeirinha e, com esse objetivo, na terça-feira receberá no município o arquiteto paisagista João Nunes da Silva.Lusa.O ministro das Finanças defendeu hoje que a prioridade do Governo é a reconstrução do país, na sequência das tempestades das últimas semanas, para as quais ainda não existe um prejuízo total, insistindo porém no equilíbrio orçamental.“Nós perceberemos a dimensão dos impactos económicos e orçamentais daqui a umas semanas e, em função dessa dimensão, naturalmente o país tem que fazer escolhas. É muito importante manter o equilíbrio das contas públicas e a redução da dívida pública, mas também é muito importante acudir a estas pessoas na emergência e depois na reconstrução e na sua recuperação da atividade económica”, disse Joaquim Miranda Sarmento, em Bruxelas.“Quando construímos o orçamento para 2026, o caminho já era estreito por causa dos empréstimos PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]. Os bons resultados de 2025 e o facto de o saldo orçamental ficar acima daquilo que era a previsão do Orçamento do Estado fez com que o caminho ficasse um bocadinho menos estreito”, mas “o caminho voltou a ficar bastante mais estreito devido a estas tempestades e é esse equilíbrio entre escolhas que tem de ser feito a cada momento em função da informação que existe”, acrescentou o governante, falando na chegada à reunião dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo), em Bruxelas.Lusa.O caudal do Sado em Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, estabilizou no leito do rio, após vários dias de cheias, mas as autoridades continuam atentas às descargas das barragens, revelou hoje a Proteção Civil.Em declarações à agência Lusa, o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio, indicou que se mantém a monitorização das barragens para “precaver que não volte a acontecer o mesmo”.“Temos uma estabilização do caudal, apesar das oscilações das marés, mas continuamos a trabalhar com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o município para precavermos qualquer fenómeno meteorológico que venha a ocorrer nos próximos dias”, salientou.Segundo o comandante, realiza-se, esta tarde, em Alcácer do Sal, uma reunião entre estas entidades sobre “os períodos de descargas das barragens” para o Rio Sado, de forma a serem “conciliados com as marés”.“Os nossos receios é que exista um fenómeno meteorológico de forte precipitação que, face às terras saturadas e às barragens nas suas cotas máximas, possa fazer convergir estes caudais todos novamente para o rio Sado”, referiu.Tiago Bugio adiantou que a Barragem do Monte da Rocha, no concelho de Ourique, distrito de Beja, começou, no domingo, a descarregar para o Rio Sado, para já, uma quantidade de água que “não é nada considerável”.Esta é a oitava barragem a descarregar para o Rio Sado, juntando-se às de Vale do Gaio, Pego do Altar, Odivelas, Campilhas, Alvito, Fonte Serne e Roxo.No terreno, adiantou, além das operações de limpeza de particulares, “continua, com o apoio das Forças Armadas, o trabalho de remoção de lamas, resíduos e detritos que acabaram por ficar [no espaço público] em consequência das cheias”.“Já não existe qualquer registo de zonas inundadas, apesar de ainda existirem algumas estradas submersas, em que só se passava com embarcação, mas, agora, já estão acessíveis através de veículos dos bombeiros”, acrescentou.A marginal e a Avenida dos Aviadores, em Alcácer do Sal, deixaram de estar inundadas na passada sexta-feira, mais de duas semanas depois da primeira inundação.Lusa.O nível de alerta para cheias na bacia do Rio Tejo baixou hoje de vermelho para amarelo, após a descida sustentada dos caudais e o regresso gradual do rio ao seu leito normal, anunciou a Proteção Civil.“O plano especial de emergência para cheias passou hoje do alerta vermelho para o nível amarelo, face à descida sustentada dos caudais e ao regresso gradual do rio ao seu leito normal. Ainda assim, mantêm-se muitos constrangimentos em estradas e zonas alagadas”, explicou à Lusa o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato.A decisão de baixar o nível de alerta foi tomada em Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém às 09:00, numa altura em que grande parte do rio já se encontra dentro do leito habitual, permitindo planear a fase de recuperação, embora ainda com muitas zonas alagadas, nomeadamente na Lezíria do Tejo.Segundo dados do SVARH das 10:00, em Almourol - ponto de referência das descargas das barragens a montante e afluentes - o caudal situava-se nos 2.284 m³/s. As barragens de Castelo de Bode (568 m³/s), Pracana (78 m³/s) e Fratel (1.596 m³/s) totalizavam 2.242 m³/s.“Não há critérios para se manter no vermelho ou no laranja. O plano vai permanecer no nível amarelo durante alguns dias, porque ainda existem muitos constrangimentos em estradas e zonas completamente alagadas. É uma fase de manutenção, e queremos também alertar a população de que nada está totalmente resolvido e que teremos ainda algumas semanas de recuperação”, explicou Lobato.Já no domingo, ao final do dia, o comandante antecipava a descida do nível de alerta, salientando que “na parte norte do distrito, o rio já estava praticamente dentro do leito”, faltando apenas normalizar totalmente a sul, na zona da Lezíria.O responsável lembrou que o plano foi ativado em 24 de janeiro no nível amarelo, sendo elevado diretamente a vermelho em 05 de fevereiro, por precaução, face à previsão de descargas significativas das barragens espanholas e precipitação persistente.“Ainda que não tenhamos atingido os 10 mil m³/s, pelo princípio da precaução decidimos passar para o nível vermelho. Nessa noite chegámos aos 8.600 m³/s e, na madrugada do dia 06, à 01:00, registámos o pico máximo desta cheia, com 9.057 m³/s em Almourol”, declarou.Lobato destacou a coordenação entre entidades e o comportamento da população durante o período crítico, sem danos humanos a registar.“Fizemos tudo o que tínhamos para fazer e atempadamente. Fizemos proteção civil, por assim dizer. Não tivemos casos graves de pessoas feridas ou situações similares”, concluiu.Com o alerta agora em nível amarelo, as autoridades mantêm vigilância permanente e apelam à prudência, enquanto se inicia a fase de recuperação nas zonas afetadas.Lusa.As buscas para encontrar o casal de idosos do concelho de Montemor-o-Velho, distrito de Coimbra, que está desaparecido desde sexta-feira foram retomadas na manhã de hoje, mas com menos meios e operacionais.O comandante dos Bombeiros Voluntários de Soure, João Paulo Contente, disse à agência Lusa que as buscas de hoje contam com cinco operacionais da corporação e dois veículos, enquanto a GNR confirmou duas patrulhas, com quatro elementos, quando não existam outras ocorrências.O casal, de 68 e 65 anos, residente em Verride, saiu de casa na terça-feira e não regressou, o que motivou o alerta de familiares pelas 19:45 de sexta-feira.As buscas foram iniciadas ainda na sexta-feira e retomadas no sábado de manhã com quatro militares da GNR e cinco operacionais dos Bombeiros Voluntários de Soure, com o apoio de duas viaturas.No domingo, as buscas decorreram com 13 militares da GNR e 18 bombeiros, também com o auxílio de drones, que hoje foram desmobilizados, “na zona de residência e nos trajetos que podiam ter feito”.O comandante dos Bombeiros Voluntários de Soure adiantou que as buscas se estendem pelas freguesias de Vinha da Rainha e Samuel, na zona oeste do concelho, que abrange os campos agrícolas de arroz do Vale do Pranto.Fonte da GNR disse à agência Lusa que agora é preciso deixar baixar as águas no Vale do Mondego para ver se encontram o casal.Lusa.A Câmara Municipal de Oleiros, no distrito de Castelo Branco, decidiu cancelar o Festival do Cabrito Estonado e Vinho Callum, em consequência do mau tempo que afetou a região.“Face a esta decisão [cancelamento do festival] não haverá as habituais atividades de animação no Multiusos das Devesas Altas. Assim, nas datas previstas [27 a 29 de março], só haverá cabrito estonado a ser servido nos restaurantes aderentes”, informou, em comunicado, o município de Oleiros.Esta decisão foi tomada em reunião do executivo municipal, em consequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta pelo concelho de Oleiros.Segundo o presidente da Câmara de Oleiros, Miguel Marques, a decisão de servir apenas o cabrito estonado nos restaurantes aderentes “pretende apoiar os comerciantes e restaurantes locais, contribuindo para a dinamização económica da região e minimizando os impactos negativos decorrentes das recentes intempéries”.O autarca salientou ainda que, brevemente, será divulgada a lista oficial de restaurantes aderentes, permitindo que os interessados façam a reserva com antecedência e programem a sua visita a Oleiros, para degustar esta iguaria gastronómica.O Festival do Cabrito Estonado e do Vinho Callum é um dos principais eventos promovidos anualmente pela Câmara Municipal de Oleiros.O cabrito estonado, uma iguaria do concelho, é assado em forno de lenha, com a pele, o qual é “estonado” (remove-se o pelo que está à tona) e não esfolado.É servido preferencialmente com um vinho local (o Callum) proveniente de uma casta autóctone de Oleiros.Trata-se de um vinho branco, muito ligeiro e de baixo teor alcoólico, assemelhando-se ao vinho verde, com notas cítricas e florais, acidez equilibrada e persistente.O município de Oleiros pediu a compreensão de todos face a este cancelamento e deixou um apelo à comunidade e aos visitantes para que apoiem a economia local.Lusa.A circulação ferroviária na Linha do Norte, entre Soure e Coimbra-B, foi retomada depois de ter estado suspensa na sequência do mau tempo das últimas semanas, segundo informação da CP.Numa nota enviada à Lusa, a transportadora adianta também que vão realizar-se os serviços de longo curso, Alfa Pendular e Intercidades.No entanto, a empresa alerta que podem ainda verificar-se alguns constrangimentos na circulação durante o dia de hoje, continuando a CP a trabalhar para normalizar todos os serviços.“Os Comboios Urbanos de Coimbra estão a circular entre Coimbra-B–Alfarelos–Coimbra-B”, refere a CP - Comboios de Portugal.Na Linha da Beira Alta, o serviço Intercidades passa a realizar-se entre Lisboa-Santa Apolónia e Guarda.De acordo com a CP, a circulação na Linha da Beira Baixa continua suspensa, realizando-se apenas os comboios Regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes.Mantém-se ainda suspensa a circulação na Linha do Douro, entre Régua e Pocinho, na Linha do Oeste e nos Urbanos de Coimbra.Na Linha de Cascais, os comboios circulam com alterações nos horários, sendo que, a partir de hoje haverá um reforço das circulações na hora de ponta.Prevê-se a realização do Comboio Internacional Celta, podendo ser usado material circulante diferente do habitual e sendo que o percurso Valença-Vigo-Valença será feito com recurso a transbordo rodoviário, segundo a transportadora.Lusa.Cerca de 11 mil clientes da E-Redes nas localidades afetadas pela depressão Kristin, que passou pelo continente em 28 de janeiro, continuavam pelas 08:00 de hoje sem energia elétrica, informou hoje a empresa.O balanço da E-Redes remete para as 08:00 de hoje sem indicar o total de clientes sem eletricidade no território continental.Na nota, a empresa reforça o alerta para que a população, caso identifique infraestruturas elétricas caídas ou danificadas, se mantenha afastada e reporte a situação à E-Redes (800 506 506 ou balcaodigital.e-redes.pt).No balanço anterior, pelas 17:00 de domingo, a E-Redes referia que cerca de 14 mil clientes, nas localidades afetadas pela depressão Kirstin, estavam sem abastecimento de energia elétrica.Lusa.A Capitania do Douro reduziu, no sábado, o alerta para risco de cheias, mas adverte que ainda há bastante água a montante pelo que a flexibilização de medidas de alívio deve ser gradual, disse hoje o comandante adjunto.“Reduzimos de vermelho para laranja, depois das informações que tivemos na reunião da manhã do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Área Metropolitana do Porto, no entanto, a montante, no Pinhão, ainda observamos caudais acima dos 2.500 [metros cúbicos por segundo], o que é significativo ainda. Ainda está a vir bastante água de montante”, referiu o comandante adjunto da capitania do Douro, Pedro Cervaens.Num ponto de situação à agência Lusa, cerca das 08:30, Pedro Cervaens disse que, ao longo do fim de semana, os caudais do rio Douro reduziram e a situação parece agora estável.“Em Crestuma, anda à volta dos 4.000 metros cúbicos por segundo, portanto é quase menos metade do que tinha. Parece-nos estável, equilibrado. A cota no Cais de Banhos [Porto], hoje à noite, não passou os quatro metros. Nem aquelas primeiras inundações ou entradas de água no Postigo do Carvão aconteceram”, descreveu.“Otimista, mas atento”, Pedro Cervaens acrescentou que “não havendo pluviosidade nos próximos dias os caudais vão normalizando e os alertas vão sendo retirados”, mas alertou: “de qualquer forma não entramos no verão”.“É verdade que sentimos um alívio. Aquela sucessão de frentes a trazer água para o continente foi tremenda. Isso, deixando de acontecer, traz uma folga. Agora, não quer dizer que voltamos a ter sol todos os dias e que entramos em verão. Vai continuar a haver água, vai continuar a haver precipitação e tem que haver atenção porque podem haver picos e cheias que possam ter algum impacto em algumas zonas e em algumas pessoas”, referiu.Quanto à navegação no Douro, recordando que essa decisão cabe à Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), Pedro Cervaens indicou que a “flexibilização de medidas” deve ter em conta outro indicador para além da água: o lixo.“O rio tem detritos. O perigo dos troncos e tanta coisa que vem de montante pode ser perigoso para as embarcações”, afirmou.Lusa.O Comissário Europeu da Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, vai visitar na terça-feira explorações agrícolas, nos concelhos de Leira e Pombal, afetadas pelas tempestades que atingiram Portugal, informou hoje o Ministério da Agricultura e Mar.Em comunicado, o ministério informa que a visita acontece depois de o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, ter convidado o comissário para visitar os locais fortemente afetados pelas tempestades e de Portugal ter solicitado à Comissão Europeia que acione a reserva de crise para a agricultura, um mecanismo com uma dotação anual total para a União Europeia de 450 milhões de euros.O Comissário Europeu da Agricultura vai reunir-se com o ministro da Agricultura e, depois vai ao terreno, o que permitirá “conhecer a dimensão dos estragos causados pelas tempestades”, segundo o ministério.José Manuel Fernandes enviou a 05 de fevereiro uma carta ao comissário europeu da Agricultura e Alimentação a pedir a ativação da reserva de crise para a agricultura.O pedido a Christophe Hansen surgiu perante as estimativas preliminares que apontavam, à data, para prejuízos de cerca de 500 milhões de euros no setor agrícola, provocados pelo mau tempo. A este valor acresciam ainda os 275 milhões de euros do setor florestal.A reserva agrícola da UE permite uma resposta rápida a crises que afetem a produção ou a distribuição agrícola e dispõe de uma dotação anual de 450 milhões de euros.Entretanto, a Comissão Europeia confirmou a 09 de fevereiro ter recebido o pedido de Lisboa para a ativação urgente do fundo da reserva agrícola e disse ainda estar a analisar a solicitação e a situação no terreno, devido ao mau tempo e as suas consequências.O Regulamento relativo à organização comum dos mercados prevê medidas excecionais, como a ativação da reserva, que podem ser tomadas para prevenir perturbações do mercado e a acontecimentos excecionais que afetem a produção ou a distribuição e a mitigar as suas consequências.Lusa.A situação de calamidade decretada pelo Governo a 29 de janeiro nas zonas mais afetadas pela depressão Kristin, e duas vezes prolongada após novas tempestades, deixou de estar em vigor esta segunda-feira, bem como a isenção das portagens.Primeiro decretada a 29 de janeiro, depois prolongada até 08 de fevereiro e posteriormente até este domingo, a situação de calamidade para 68 concelhos portugueses terminou agora, assim como a isenção das portagens nos territórios afetados, apesar das reivindicações de vários municípios..A circulação nas linhas ferroviárias do Norte, da Beira Baixa, Beira Alta, do Douro, Oeste e Urbanos de Coimbra continuam hoje com constrangimentos ou suspensas em alguns troços na sequência do mau tempo das últimas semanas, segundo a CP.Na linha do Norte, que assegura a ligação ferroviária entre Lisboa e o Porto, mantêm-se suspensos, “sem previsão de retoma”, os comboios de longo curso, de acordo com a transportadora, num balanço feito à agência Lusa, pelas 08:00.Segundo a CP – Comboios de Portugal, na Linha do Norte, apenas se realizam os serviços Regionais entre Entroncamento e Soure, Coimbra-Aveiro-Porto e entre Tomar e Lisboa.A circulação na Linha da Beira Baixa continua suspensa, realizando-se apenas os comboios Regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes.Na Linha da Beira Alta, o serviço Intercidades entre Coimbra e Guarda realiza-se com recurso a material circulante diferente do habitual.Mantém-se ainda suspensa a circulação na Linha do Douro, entre Régua e Pocinho, na Linha do Oeste e nos Urbanos de Coimbra.Na Linha de Cascais, os comboios circulam com alterações nos horários, sendo que, a partir de hoje haverá um reforço das circulações na hora de ponta.Prevê-se a realização do Comboio Internacional Celta, podendo ser usado material circulante diferente do habitual e sendo que o percurso Valença-Vigo-Valença será feito com recurso a transbordo rodoviário, segundo a transportadora.Lusa. A chuva vai manter-se em Portugal continental até quinta-feira, principalmente nas regiões do norte e centro, mas nada de muito gravoso, segundo a meteorologista Cristina Simões, adiantando que o próximo fim de semana já será de sol.“Vamos continuar com precipitação nas regiões do norte e centro. Não é uma situação de nada muito gravoso, no entanto sempre com alguma precipitação. Vão passando algumas superfícies frontais a afetar principalmente o norte e centro. A região sul mais protegida pelo anticiclone, que já está mais perto do continente”, disse à Lusa Cristina Simões.De acordo com a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), para hoje estão então previstos períodos de chuva, em especial nas regiões do norte e centro, e vento do quadrante oeste fraco a moderado por vezes forte nas terras altas,“Na quarta-feira passa a superfície frontal de norte para sul, deve chegar ao Alentejo com períodos de chuva fraca, mas sempre no Minho e Douro litoral mais intensa. Ao ir para sul vai perdendo atividade, com chuva fraca”, referiu.Segundo Cristina Simões, esta situação com ocorrência de chuva e aguaceiros vão manter-se até quinta-feira, que poderão ser de neve na Serra da Estrela.No que diz respeito às temperaturas, está prevista uma descida na quinta-feira, em especial da mínima, que pode chegar aos 03 graus Celsius na Guarda.“Parece-nos que a partir de dia 20 [sexta-feira] já não deverá ocorrer precipitação. Vamos ter um período mais prolongado com ausência de precipitação. O próximo fim de semana já com dias de sol e sem chuva”, adiantou.Lusa