Caso Luís Neves. PGR analisa uso de carro de traficante e confirma cinco processos abertos
A Procuradoria-Geral da República (PGR) está a analisar o processo relativo à utilização, por parte do ministro da Administração Interna, Luís Neves, de uma viatura apreendida a um traficante. Questionado esta quinta-feira (3 de setembro) pelos jornalistas sobre o caso, o procurador-geral da República, Amadeu Guerra, garantiu que a justiça atuará sem qualquer tratamento de exceção, sublinhando que "todas as pessoas são investigadas, sem exceção".
O magistrado revelou ainda que correm atualmente cinco processos distintos em torno deste tema. No âmbito penal, contam-se três inquéritos: a referida análise sobre o automóvel, uma investigação no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa relativa ao atrelado -- cuja tramitação e recolha de elementos probatórios foram diretamente assumidas pelo Ministério Público -- e um inquérito no DIAP de Évora centrado nas obras de construção realizadas no monte alentejano do ministro.
A par do foro criminal, o caso ramifica-se ainda por outras instâncias, com uma ação no Tribunal de Contas, anterior à divulgação das últimas notícias, e uma investigação de cariz estritamente administrativo a decorrer em Beja, igualmente focada na conformidade urbanística da propriedade alentejana.
Segundo Amadeu Guerra, os processos considerados de maior relevância -- as investigações ao atrelado e às obras no monte -- receberam classificação de natureza urgente, motivo pelo qual mantiveram a tramitação contínua durante o período de férias judiciais.
O procurador-geral escusou-se a adiantar qualquer estimativa temporal para a conclusão das diligências, afastando a existência de constrangimentos anormais e reiterando que o Ministério Público não fará qualquer diferenciação entre cidadãos, cabendo-lhe investigar todos com o mesmo rigor.

