Gonçalo Lopes na operação de limpeza deste sábado, 31 de janeiro, em Leiria.
Gonçalo Lopes na operação de limpeza deste sábado, 31 de janeiro, em Leiria.MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Autarca de Leiria critica ação no terreno: "Temos que ter todos os recursos disponíveis a nível nacional"

"Há um sentimento de quem deve intervir no território deve trazer soluções. Quem é que acha que está a apresentar soluções", questionou Gonçalo Lopes.
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O presidente da Câmara Municipal de Leiria elogiou este sábado, dia 31 de janeiro, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, dizendo que "sempre acompanhou os problemas da região", desde Pedrógão Grande à depressão Leslie, mas não poupou críticas quanto à resposta que está a ser dada à devastação que a depressão Kristin trouxe à região. "Há um sentimento de quem deve intervir no território deve trazer soluções. Quem é que acha que está a apresentar soluções", disse Gonçalo Lopes aos jornalistas.

"Os meus colegas autarcas têm sofrido na pele aquilo que é a dificuldade de dar resposta. Nós temos que ter todos os recursos disponíveis a nível nacional para acudir à maior catástrofe registada desde a última década em Portugal".

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O autarca considera que "não é preciso alguém pedir para o Exército ir para o terreno, não é preciso a Proteção Civil pedir ao Ministro da Defesa para pôr pessoas no terreno. Porque quem está atento não precisa de ordem de ninguém para estar na linha da frente".

Gonçalo Lopes também criticou o aproveitamento político da situação. "Aproveitar o que está a acontecer para fazer campanha, não. É uma ofensa a quem está a sofrer, a quem está há mais de dois dias sem água, sem luz, com dificuldades extremas e usar o que está a acontecer para dar um gesto de dádiva acho que é inqualificável do ponto de vista político para quem está na linha da frente", disse o autarca, sem mencionar nomes.

"A situação que estamos a viver obriga à ação, obriga à determinação, obriga a meios e à presença. Se houve um primeiro momento em que não houve a noção do problema, agora que há consciência, estão aí os helicópteros a voar para verem mais uma vez os carros soterrados, os rios a transbordar, acho que está mais do que identificada a calamidade que está a afetar a nossa região".

O autarca disse que há animais a morrerem em capoeiras, estufas arrasadas e grandes empresas, como a Roca, que vão estar encerradas "semanas a fio"e "não vão conseguir cumprir com as suas obrigações". Além de pessoas individuais "sem comunicações e sem tomar banho há mais de dois dias, e a informação que me dão é que não sabem quando é que vamos ter eletricidade no meu concelho".

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