Com 21 hectares e capacidade para tratar 2.445.000 m³ de resíduos, o Aterro Sanitário da Abrunheira, que serve os concelhos de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra está “próximo de atingir o esgotamento”. A infra-estrutura ultrapassou os 91% da capacidade em fevereiro, sendo “expectável que esgote a sua capacidade no primeiro trimestre de 2027”, segundo se pode ler numa ata da reunião da Associação de Municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra para Tratamento de Resíduos Sólidos (AMTRES), a que o DN teve acesso.Há anos que os municípios têm sido alertados para a necessidade urgente de construir um novo aterro, que devia ter entrado em exploração em 2025. No entanto, à data de hoje, ainda não foi sequer identificado o local que acolherá a nova infra-estrutura de tratamento de lixo. Só depois disso será possível avançar com o processo de licenciamento e pedir a Avaliação de Impacto Ambiental. Na reunião do passado dia 24 de abril, que contou com a presença dos quatro presidentes de câmara , Isaltino Morais (Oeiras), Piteira Lopes (Cascais), Marco Almeida (Sintra) e Hugo Luís (Mafra), bem como os vereadores da área, os representantes da Amtres e da Tratolixo, empresa intermunicipal de tratamento de resíduos sólidos, alertaram para a “pressão crescente que o sistema enfrenta, por via do aumento sistemático da produção total de resíduos”, que, de janeiro a abril, aumentou 7%, face a 2025. São mais de 200 toneladas por ano.Segundo consta do documento que resume o que foi discutido nessa reunião, todo os sistema de tratamento do lixo está à beira da rutura, sendo que o aterro da Abrunheira é o que está “numa situação mais crítica”, uma vez que devia ter esgotado a sua vida útil no final de 2024 . E “só foi possível evitar o colapso”, porque foram introduzidas medidas de otimização de exploração do aterro, como a substituição de terras de cobertura por resíduos de limpeza triturados, por exemplo. Um Estudo Prévio de 2005 mostra que a ampliação do atual complexo da Abrunheira permitia prolongar a exploração até 2029/30. “Uma solução transitória” que permitirá aos municípios ganharem tempo até avançarem, como previsto no Plano Estratégico, para a construção do novo aterro, que pese embora possa vir a ser auto-suficiente pode levar a um investimento na ordem dos 200 milhões de euros.Mas, se os municípios não avançarem já com a ampliação do Abrunheira, “em abril de 2027 terão de recorrer à exportação de resíduos a preços incomportáveis”, segundo a Tratolixo, que estima custos na ordem dos 40 milhões de euros por ano, caso seja necessário exportar o lixo de Cascais, Oeiras, Sintra e Mafra para unidades de tratamento na Flandres ou Alemanha.Desde 2003 que a empresa envia resíduos para outros sistemas do país, suportando os custos de transporte e tratamento inerentes. A maioria vai para a unidade de valorização energética da Valorsul, da área de Lisboa, que também ela já estará a enfrentar problemas de falta de capacidade. Assim como “a grande maioria dos aterros de Resíduos Urbanos nacionais deverá atingir o seu fim de vida até 2026/2027”, segundo revelou a Tratolixo. A empresa já avançou com um estudo independente e identificou nove locais - cinco no concelho de Sintra e quatro em Mafra, que já acolhe o da Abrunheira - para edificar o novo aterro e também uma incensadora amiga do ambiente. O município de Sintra, pela voz do presidente Marco Almeida, segundo a Acta, mostrou disponibilidade para receber a nova infra-estrutura que servirá mais de 850 mil pessoas. Resta saber se foi suficiente para fazer avançar o novo aterro. Portugal abaixo da média europeia na reciclagemDe acordo com Sociedade Ponto Verde (SPV) o material enviado para reciclagem, através da recolha seletiva, aumentou apenas 1% no primeiro semes- tre deste ano. Nesse período foram enviadas para reciclagem 233.065 toneladas de embalagens provenientes da recolha seletiva, mais 2071 toneladas do que no mesmo período do ano passado. O país não conseguiu por isso atingir a meta europeia de 65% de reciclagem de embalagens, o que motivou a abertura de um procedimento de infração por parte da Comissão Europeia, sendo o 8.º país da União Europeia (UE) que mais lixo produz, gerando cerca de 520 kg por pessoa anualmente. A implementação do Sistema de Depósito e Reembolso (Sistema Volta) com uma caução de 10 cêntimos por garrafas e latas visa melhorar estes números, mas tem gerado adaptações e desafios logísticos. Nos municípios de Cascais, Oeiras, Sintra e Mafra, após a triagem do lixo foram enviados para reciclagem mais de 200 toneladas de resíduos sólidos, com destaque para os 16,5 toneladas de papel. O plástico e metal ficou-se pelas 10,9 toneladas e o vidro nas 13,4 toneladas.isaura.almeida@dn.pt.“Em relação ao lixo estamos em estado de emergência. Ou mudamos agora ou iremos pagar muito caro” .Evitar colapso no tratamento do lixo vai custar 2,1 mil milhões até 2030