Há uma forte expectativa de que a construção da linha ferroviária de alta velocidade e a expansão da rede do Metro do Porto vão acelerar a promoção de habitação na área metropolitana. E as zonas onde o impacto destas grandes obras públicas na construção de novas casas será maior já estão identificadas: a freguesia de Campanhã, na Invicta; e na margem sul do Douro, em Vila Nova de Gaia, a linha entre a Arrábida e a avenida VL8, bem como a zona de Santo Ovídio Mas é preciso planeamento. Isto mesmo foi afirmado e sublinhado no painel “A requalificação do espaço público e o valor do imobiliário: Quais os novos territórios de oportunidade”, no âmbito da Semana da Requalificação Urbana do Porto, que decorreu em Vila Nova de Gaia..Neste quadro, a Câmara do Porto está a trabalhar com a Infraestruturas de Portugal para promover “um plano de urbanização que permita planear o crescimento que vai ser inevitável em Campanhã” com a chegada da alta velocidade, revelou Pedro Baganha, vereador do Urbanismo e Espaço Público e da Habitação. Como frisou, “o investimento público é um multiplicador do investimento privado”, mas a urbanização tem de ser planeada. Segundo o autarca, a cidade, apesar de muito consolidada, ainda tem espaços de expansão, como o Aleixo, Contumil, Aldoar e Avenida Nun’ Álvares Pereira, onde nos próximos dez anos deverão surgir mais de cinco mil fogos..Rui d’ Ávila, administrador da construtora Ferreira, defendeu também que “a alta velocidade e a expansão do metro, principalmente a linha Rubi, vão criar oportunidades para os segmentos residencial e de escritórios”. Na sua opinião, “o turismo juntou os centros históricos do Porto e Gaia, e a linha Rubi vai fazer o mesmo à cota alta”. Este investimento do Metro do Porto “vai aliviar a Ponte da Arrábida e criar uma mobilidade suave”, na medida em que a futura Ponte da Ferreirinha irá servir o metro, mas também terá espaço para ciclovias e caminhos pedonais..Já Artur Varum, CEO da construtora Civilria, lembrou que atualmente o planeamento das cidades tem que integrar parques verdes, praças e espaços de convívio, equipamentos que são muito valorizados pelas populações. O gestor apontou também a questão da mobilidade, onde entram as novas formas de circular nas cidades (ciclovias, trotinetes...), a necessidade de uma boa rede de transportes públicos, a segurança urbana e até a qualidade do ar como aspetos a integrar no desenho urbano. “A inovação, o design e a arquitetura são questões a ter em conta, porque ninguém gosta de viver em locais feios”, sublinhou ainda..Este potencial aumento do parque residencial impulsionado por grandes obras públicas muito dificilmente se deverá repercutir numa baixa de preços da habitação. Segundo Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, já se verifica “um encarecimento relativo das zonas até agora mais acessíveis” do Grande Porto. E é de esperar impacto nos preços na zona da VL8, em Gaia, com o desenvolvimento da alta velocidade e do metro, disse. Segundo este especialista em estatística do setor da construção e imobiliário, “com a inversão na trajetória dos juros, as famílias regressaram ao mercado”. O aumento da procura já impulsionou um crescimento de 8% na valorização das casas, sendo que a variação deverá chegar aos 10% no final do ano”, prevê.