Agricultores. Manifestantes desmobilizam após garantia de que recebem apoios
PAULO NOVAIS/LUSA

Agricultores. Manifestantes desmobilizam após garantia de que recebem apoios

Quinta-feira marcada por protestos dos agricultores europeus que já chegou a Portugal. Siga aqui todas as informações do dia.
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Os agricultores que bloquearam hoje a fronteira do Caia, em Elvas, distrito de Portalegre, começaram a desmobilizar depois de receberem a garantia de que vão receber, até final do mês, os apoios que tinham sido retirados.

"Vamos desmobilizar, penso que a nível de todo o país, a nossa atuação", afirmou José Eduardo Gonçalves, um dos porta-vozes dos agricultores em protesto junto à fronteira do Caia, em declarações aos jornalistas.

O agricultor revelou que os manifestantes decidiram dar por terminado o protesto depois de terem recebido uma comunicação do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), na sequência de uma negociação "ao mais alto nível" com o Governo.

No distrito de Vila Real, os agricultores fizeram esta tarde duas marchas lentas na aldeia fronteiriça de Vila Verde da Raia, Chaves, e em Salto, Montalegre, para alertar para o baixo rendimento e as dificuldades crescentes nesta atividade.

A meio da tarde, 15 tratores saíram do centro de Vila Verde da Raia e percorreram a estrada municipal 103-5 até à antiga fronteira, cerca de cinco quilómetros, onde fizeram inversão de marcha para a aldeia.

Presos nas máquinas agrícolas traziam cartazes onde se podia ler: "Senhora ministra, o país come o que nós produzimos", "Agricultores contra a incompetência de quem nos governa", "Agricultores explorados e arruinados" e "O agricultor luta pela sobrevivência".

Já em Salto, segundo fonte da GNR, foram cerca de 30 tratores e outros veículos que percorreram em marcha lenta a estrada regional 311 até ao limite do concelho e do distrito de Vila Real com Braga.

"Estamos todos falidos e, agora, com a idade que temos, o que vamos fazer? A agricultura está de rastos, está tudo caríssimo e nós não ganhamos para a despesa, estamos a produzir a baixo custo. Temos mais custos do que receita", afirmou à agência Lusa Manuel Fernandes, agricultor de 62 anos, residente em Vila Verde da Raia e porta-voz da iniciativa realizada esta tarde.

O produtor de cereais lançou duras críticas ao Governo português e também à União Europeia e, relativamente aos subsídios, salientou que ainda não recebeu o correspondente a 2023.

"Ainda não pagaram nada. Isso é outro problema, mas também não é disso que a gente sobrevive, é uma gota de água", salientou, apontando para os custos de produção como os combustíveis ou a eletricidade que estão "uma loucura".

Com a empresa criada em 1990, Manuel Fernandes disse que conseguiu formar as filhas, mas garantiu que hoje "não se consegue viver".

"Em vez de andarmos para a frente, andamos para trás", frisou.

Joaquim Rodrigues, produtor de leite de Chaves com 43 anos, juntou-se ao protesto porque o "panorama agrícola atual está muito mau" para os agricultores.

"Estamos a produzir quase abaixo de custo, muita dificuldade em suportar os custos. É uma atividade muito desgastante e que quase não é rentável", salientou.

Relativamente aos apoios do Estado, Joaquim Rodrigues disse que recebeu "cerca de 10%" daquilo que habitualmente recebia e salientou que, assim, se torna inviável a exploração.

"É complicado. Investimos numa atividade e chegamos a meio da idade ativa de trabalho e temos que desistir porque não conseguimos subsistir com estas dificuldades", afirmou, referindo que produz cerca de meio milhão de litros de leite por ano.

André Grilo, 36 anos, produtor de cereais, essencialmente milho de Santo Estêvão, disse estar frustrado com o corte nos subsídios na ordem dos 25 a 35%.

"A juntar aos aumentos de produção, estamos completamente lixados. É cada vez mais difícil ser agricultor, porque o pouco dinheiro que se ganha, gasta-se nos custos de produção. Está a ser muito complicado sobreviver da agricultora, nem sabemos o que devemos fazer: abandonar ou continuar a lutar", sublinhou André Grilo.

Os agricultores que bloquearam hoje a fronteira do Caia, em Elvas, distrito de Portalegre, começaram a desmobilizar depois de receberem a garantia de que vão receber, até final do mês, os apoios que tinham sido retirados.

"Vamos desmobilizar, penso que a nível de todo o país, a nossa atuação", afirmou José Eduardo Gonçalves, um dos porta-vozes dos agricultores em protesto junto à fronteira do Caia, em declarações aos jornalistas.

O agricultor revelou que os manifestantes decidiram dar por terminado o protesto depois de terem recebido uma comunicação do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), na sequência de uma negociação "ao mais alto nível" com o Governo.

"O IFAP não é uma entidade política, é a entidade que paga aos agricultores" e a comunicação deste instituto "dá-nos uma certa tranquilidade, pela negociação que foi feita com personalidades deste Governo", realçou.

Através da sua comunicação, segundo José Eduardo Gonçalves, o IFAP prometeu repor, até final do mês, os 60 milhões de euros que corresponde às ajudas à agricultura biológica e produção integrada que tinham sido retiradas em 25 de janeiro.

"O IFAP, que nos comunicou que iria retirar a verba, agora diz-nos que a vamos receber na totalidade e nós ficamos tranquilos, mas ficamos atentos", sublinhou.

Assinalando que "este movimento cívico foi feito em 48 horas", o porta-voz dos agricultores em protesto avisou que, no caso não se cumprirem as promessas de pagamento até final do mês, o setor voltará à rua para reivindicar os seus direitos.

"Vamos sair para a rua com as nossas reivindicações quando for preciso", vincou.

Questionado pelos jornalistas sobre o membro do Governo que negociou com os agricultores, José Eduardo Gonçalves limitou-se a dizer que "a negociação foi ao mais alto nível", do gabinete do primeiro-ministro, advertindo que as conversas não envolveram a ministra da Agricultura.

Pouco depois do anúncio do acordo, a circulação rodoviária na autoestrada 6 (A6) e noutras vias próximas foi retomada.

Os agricultores estiveram hoje na rua com os seus tratores, de norte a sul do país, reclamando a valorização do setor e condições justas, tal como tem acontecido em outros pontos da Europa.

O protesto, uma iniciativa do Movimento Civil de Agricultores de Portugal, decorreu um dia depois de o Governo ter anunciado um pacote de mais de 400 milhões de euros, destinado a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC).

O pacote abrange entre outras, medidas à produção, no valor de 200 milhões de euros, assegurando a cobertura das quebras de produção e a criação de uma linha de crédito de 50 milhões de euros, com taxa de juro zero.

Segundo um comunicado divulgado na quarta-feira pelo movimento, os agricultores reclamam o direito à alimentação adequada, condições justas e a valorização da atividade.

Os agricultores que estão em hoje em manifestação em Coimbra vão manter-se em protesto até pelo menos sexta-feira, à espera de respostas positivas da tutela ao caderno reivindicativo apresentado à tarde na Direção Regional de Agricultura do Centro.

"O que veio [resposta] foi a resposta que a ministra da Agricultura disse na quarta-feira e hoje de manhã, que vamos recuperar o pagamento em falta dos 25% na produção integrada e 35% na produção biológica e mais nada, continuando sem respostas para o futuro", salientou Carlos Plácido, do movimento organizador do protesto.

O produtor de milho, batata e carne pretende que sejam dadas respostas às outras questões apresentadas no caderno reivindicativo, como por exemplo o fim do nivelamento nacional, já que a região do Baixo Mondego "é uma das mais prejudicadas e tem características muito específicas".

A maior parte das medidas do pacote de apoio aos agricultores portugueses, que foi anunciado esta quarta-feira, com mais de 400 milhões de euros de dotação, entra em vigor ainda este mês, anunciou o Governo.

Na quarta-feira, o Governo avançou com um pacote de ajuda aos agricultores, destinado a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), que não travou os protestos agendados para hoje, de Norte a Sul do país.

Segundo a informação disponibilizada hoje à Lusa, a maior parte das medidas que integra o pacote de apoio entra em vigor ainda este mês, com exceção das que estão dependentes de 'luz verde' de Bruxelas.

Os agricultores do Ribatejo e Oeste que hoje se concentraram em protesto na ponte da Chamusca, no distrito de Santarém, começaram a desmobilizar cerca das 20:00 horas.

"A concentração terminou cerca das 20:15, depois de dos dois lados das ponte [uma no concelho da Chamusca e outra no concelho da Golegã], os agricultores começarem a retirar os tratores e a desmobilizar o protesto", disse à Lusa um dos agricultores, António Falcão.

O agricultor, do Tramagal, afirmou desconhecer ainda "o resultado da reunião que estava agendada" com a ministra da Agricultura, mas "face às informações que foram divulgadas por alguns organismos, os agricultores [do Ribatejo e Oeste] decidiram desmobilizar e ver o que vai acontecer nos próximos dias".

 O acesso à fronteira de Bemposta, no concelho de Mogadouro, distrito de Bragança, está normalizado após ficar ter ficado condicionada ao trânsito durante a tarde de hoje devido ao protesto dos agricultores.

"Os agricultores têm a sua lavoura e os seus animais para tratar, uma situação que levou à desmobilização dos tratores e das alfaias mais cedo" no protesto que estava a condicionar o trânsito junto a fronteira de Bemposta", disse à Lusa Dário Mendes, um dos porta-voz dos homens da terra, segundo o qual a desmobilização iniciou-se cerca das 18:30.

  A lusa contabilizou às 17:00 cerca de duas dezenas de tratores que estavam na Estrada Nacional (EN 221-7) que liga Bemposta à fronteira com a localidade espanhola de Fermoselhe e que impediam a passagem de automóveis e pesados.

Agricultores presentes no protesto junto da fronteira de Vila Verde de Ficalho, no concelho de Serpa (Beja), com a Andaluzia espanhola desafiaram hoje "todos os partidos do arco da governação" a comprometerem-se com as suas reivindicações.

Em declarações aos jornalistas, Helena Cavaco, do Movimento Civil Agricultores de Portugal, promotor dos protestos que decorreram hoje um pouco por todo o país, afirmou que os manifestantes querem garantias dos partidos e não apenas do Governo que está em gestão.

"Estamos completamente empenhados em manter-nos aqui até que haja um compromisso por parte quer do atual Governo quer dos partidos que possam vir a formar o próximo governo com as reivindicações que estão preparadas" pelos agricultores, disse.

Os agricultores em protesto na A25, no Alto de Leomil, concelho de Almeida, aguardam pelo resultado de uma reunião com a ministra da Agricultura, a realizar hoje por videoconferência, para decidir que rumo dar ao bloqueio iniciado de madrugada.

O representante do Movimento Civil de Agricultores, Paulo Tomé, comunicou aos agricultores, por volta das 17:30, que já tinham sido apresentadas propostas e que aguardavam resultados da reunião com a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, "para saber se iria haver novidades".

O encontro estará a ser realizado a partir de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco.

- O presidente do PSD comprometeu-se hoje a dialogar quer com as forças de segurança quer com os agricultores, considerando justas as reivindicações de ambos os setores, mas sem quantificar promessas antes das eleições de março.

Luís Montenegro e representantes da coligação da AD (que reúne PSD, CDS-PP e PPM) reuniram-se hoje na sede nacional do PSD com a plataforma que junta sindicatos da Polícia de Segurança Pública (PSP) e associações da Guarda Nacional Republicana (GNR).

"Há um país que cada dia se revela completamente diferente do que o PS andou a propagandear nos últimos tempos e continua a enaltecer, e temos em muitos setores uma grande instabilidade, um grande sentimento de injustiça", lamentou Montenegro.

Os agricultores que estão em hoje em protesto em Coimbra deliberaram às 18:15 cortar totalmente a Avenida Fernão de Magalhães, naquela cidade, por não terem resposta ao caderno reivindicativo entregue à Direção-Geral de Agricultura do Centro.

Os manifestantes vão posicionar os tratores e máquinas agrícolas de forma que a emergência médica e de socorro possa operar em caso de necessidade nos dois sentidos.

Esta decisão foi transmitida às centenas de agricultores presentes em Coimbra por João Grilo, que tem sido porta-voz nesta manifestação.

Os agricultores decidiram também manter esta ação de protesto na sexta-feira.

O trânsito na fronteira da Bemposta, no concelho do Mogadouro, distrito de Bragança, está condicionado desde as 13:20 por cerca de 20 tratores, dificultando o acesso a Espanha, no âmbito do protesto dos agricultores.

No local, fonte oficial da GNR disse à Lusa que "a fronteira está condicionada" pelos agricultores que se manifestam para reclamar melhores condições e mais apoios financeiros por parte do Governo.

À Lusa, o porta-voz do movimento espontâneo que organizou a marcha, que partiu do nó de acesso ao Itinerário Complementar (IC) 5 no Mogadouro pelas 12:30 e demorou cerca de 45 minutos a chegar à fronteira da Bemposta, referiu que estiveram presentes agricultores do Planalto Mirandês (Mogadouro, Miranda do Douro e Vimioso) e ainda do Douro Superior, nomeadamente Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta.

"O balanço [do protesto] é muito positivo, conseguimos mostrar à sociedade civil e ao Governo o descontentamento no setor agrícola. Começamos com 15 tratores às 07:00 e ao longo da jornada o número chegou às 150 máquinas agrícolas e outros veículos", disse Dário Mendes.

Os agricultores, segundo o agricultor Gilberto Pintado, exigem "o pagamento dos apoios do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) atempadamente, a abertura dos projetos de jovens agricultores, que estão parados desde março de 2022, o pagamento da apregoada 'bazuca para agricultura', no valor de dois milhões de euros anunciada há dois anos e que dinheiro nem vê-lo, e o gasóleo agrícola a 50 cêntimos".

O protesto decorre um dia depois de o Governo ter anunciado um pacote de mais de 400 milhões de euros, destinado a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC).

Segundo um comunicado divulgado na quarta-feira, os agricultores reclamam o direito à alimentação adequada, condições justas e a valorização da atividade.

O movimento, que se apresenta como espontâneo e apartidário, garantiu que os agricultores portugueses estão preparados para "se defenderem do ataque permanente à sustentabilidade, à soberania alimentar e à vida rural".

O Governo francês vai afetar 150 milhões de euros "a partir deste ano e de forma permanente" para aliviar a carga fiscal e social dos agricultores e criadores de gado, anunciou hoje o primeiro-ministro gaulês, Gabriel Attal.

"Os nossos agricultores precisam de um apoio específico. É por isso que [...] vamos conceder-lhes 150 milhões de euros de apoio fiscal e social a partir deste ano e de forma permanente", declarou Attal em conferência de imprensa, numa altura em que os protestos agrícolas se intensificam em França, em uníssono com outros países europeus.

Por outro lado, Attal garantiu também que o executivo vai trabalhar para que a União Europeia (UE) aprove uma "legislação clara" que defina a carne sintética, que é produzida a partir de células de tecidos animais e que não é atualmente autorizada no espaço comunitário.

"A carne sintética não corresponde à nossa conceção de alimentação à francesa. Por isso, gostaria de ver uma legislação clara a nível europeu sobre o que é a carne sintética", declarou Attal, ao apresentar medidas para fazer face à crise agrícola do país. 

Em novembro, a Itália proibiu a produção e a venda de carne sintética.

Por outro lado, o ministro da Agricultura francês, Marc Fesneau, anunciou que o Governo vai "suspender" o projeto de estabelecer objetivos para reduzir a utilização de pesticidas pelos agricultores do país, uma medida que cristalizou a ira dos agricultores.

Conhecido como "Ecophyto", o plano tem como objetivo reduzir para metade a utilização de pesticidas até 2030. 

"Vamos colocá-lo em pausa, enquanto reformulamos alguns aspetos e o simplificamos", declarou Fesneau, ao revelar, ao lado de Attal, parte das medidas para responder à crise agrícola em França.

Attal anunciou também que Paris quer impedir a importação para França de frutas e legumes tratados com o pesticida tiaclopride, um produto proibido na Europa.

O chefe de Governo francês apelou também a que a questão da limitação das importações de cereais ucranianos para a UE seja incluída nas negociações. 

A UE não incluiu os cereais numa lista de produtos sensíveis que podem ser objeto de restrições às importações.

Gabriel Attal, quase uma semana após as suas primeiras declarações a favor dos agricultores, prometeu também reforçar uma lei existente que protege a remuneração dos agricultores face à feroz guerra de preços entre os supermercados, por um lado, e os distribuidores e fornecedores da agroindústria, por outro.

O ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, anunciou que "todas as grandes cadeias de supermercados" serão "inspecionadas nos próximos dias", frisando que serão efetuados "mais de 10.000 controlos sobre a origem francesa dos produtos".

Na série de medidas anunciadas hoje, Attal comprometeu-se igualmente a flexibilizar as regras que obrigam os agricultores a manter as superfícies de pastagem, aplicando "uma isenção da obrigação de replantação durante um ano".

Anunciou igualmente o aumento dos limiares de isenção das heranças agrícolas.

"Queremos ser soberanos, soberanos para cultivar, soberanos para colher, soberanos para nos alimentarmos", afirmou o primeiro-ministro francês.

Apesar das concessões da União Europeia, a revolta dos agricultores continua a alastrar, com um milhar de tratores em Bruxelas, onde os líderes europeus estão reunidos para uma cimeira, e bloqueios de estradas estratégicas em França.

O Governo reviu as regras da ajuda à distribuição de fruta, legumes e laticínios nas escolas, reduzindo o valor previsto por aluno em relação ao ano passado, segundo uma portaria publicada hoje em Diário da República.

O diploma estabelece as regras nacionais complementares da ajuda à distribuição de fruta, produtos hortícolas e bananas e leite e produtos lácteos, nos estabelecimentos de ensino do pré-escolar e 1.º ciclo, aplicadas até 2029.

Em relação às regras em vigor até ao ano letivo passado, é revisto o montante da ajuda por aluno e por ano letivo, tendo por base "a conjuntura de mercado e a evolução considerável dos preços dos produtos alimentares registados nos últimos anos", com cortes face à atualização feita no ano passado.

De acordo com a portaria, a ajuda prevista fica limitada a 9,00 euros por aluno no caso da distribuição de frutas e produtos hortícolas e a 5,70 euros para leite, iogurtes e queijo.

No início do ano passado, o Governo tinha atualizado, devido à inflação, o montante previsto nas regras introduzidas em 2017, passando de 6,73 para 11,10 euros a ajuda para frutas e legumes e de 4,00 para 7,03 euros no caso do leite.

Por outro lado, a nova portaria introduz uma maior variedade de produtos, incluindo iogurtes naturais, sem adição de açúcares ou edulcorantes, queijo em porções individuais, e variantes sem lactose, além de algumas frutas que não estavam inicialmente previstas, como anona, quivi e dióspiro.

Vários agricultores reunidos hoje em frente à representação do Parlamento Europeu em Bruxelas derrubaram e queimaram uma estátua do monumento que adorna o centro da Praça de Luxemburgo, em Bruxelas.

Os manifestantes acenderam também várias fogueiras diante do cordão policial que os separa do pátio que dá acesso ao edifício.

A polícia belga utilizou mangueiras do cordão de segurança montado pela polícia de choque para tentar apagar os fogos que estavam mais próximos, mas a fogueira no centro da praça com a estátua derrubada, pedaços de cartão e ferro ainda estavam a arder até depois do meio-dia (11:00 em Lisboa), segundo a agência noticiosa espanhola EFE, causando uma nuvem constante de fumo negro que dominou o protesto.

Tudo decorreu numa atmosfera marcada por palavras de contestação, mas também por momentos de alguma descontração.

Alguns dos agricultores gritavam palavras de ordem e tentaram aproximar-se o mais possível da representação do Parlamento Europeu, empunhando cartazes e muitos deles também as bandeiras dos diferentes países da União Europeia (UE).

Outros passaram a manhã a beber cerveja ou a conversar junto às fogueiras improvisadas. No centro da Praça de Luxemburgo, perto do local onde ardia a estátua queimada, chegaram a montar uma mesa com comida e bebidas, tudo isto com música a tocar ao fundo e o som constante das buzinas dos tratores estacionados a bloquear a passagem de veículos na estrada da praça e das ruas adjacentes.

O protesto bloqueou desde o início da manhã várias ruas do bairro de Bruxelas onde se situam as instituições europeias, coincidindo com um Conselho Europeu extraordinário que reuniu os líderes dos 27 Estados-membros da UE.

Centenas de agricultores têm participado em protestos em vários países europeus para denunciar os baixos preços que lhes são pagos pelas empresas de distribuição, a regulamentação ambiental, a sobrecarga administrativa e os acordos de comércio livre, como o que ainda está por concluir entre a UE e os países latino-americanos do Mercosul.

Embora esta vaga de protestos na Europa não fosse um tema que os líderes da UE tinham planeado abordar na cimeira, que se concentrou em desbloquear um pacote de ajuda à Ucrânia, alguns chefes de Governo, como foi o caso do primeiro-ministro belga, Alexander de Croo (país que assume atualmente a presidência semestral do Conselho da UE), defenderam a necessidade de abordar esta questão à entrada da reunião.

Algumas horas mais tarde, quando a imagem da estátua arrancada pelos agricultores na praça em frente à representação do Parlamento Europeu circulou nas redes sociais, o próprio De Croo lamentou este gesto numa publicação na rede social X (ex-Twitter).

O monumento vandalizado foi erigido no final do século XIX e presta homenagem ao industrial britânico John Cockerill, que foi a força motriz da indústria siderúrgica e ferroviária belga.

De Croo afirmou que "é completamente errado retirar a John Cockerill o estatuto de símbolo da indústria belga" e apelou a que se evite "o choque entre a agricultura e a indústria".

"Os agricultores e os empresários não se opõem. Precisamos de ambos para uma economia forte e sustentável", escreveu o primeiro-ministro belga na mesma publicação.

O presidente da ACOS -- Associação de Agricultores do Sul criticou hoje a "deselegância" da ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, de "mandar a culpa para os funcionários" sobre o corte das verbas dos ecorregimes.

Presente na manifestação dos agricultores na fronteira de Vila Verde de Ficalho, concelho de Serpa (Beja), onde a Estrada Nacional 260 (EN260) está cortada nos dois sentidos, o presidente da ACOS, Rui Garrido, considerou que a ministra cometeu uma "deselegância para com os seus funcionários" do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP).

"Como se a senhora ministra não soubesse que o dinheiro que foi pago não chegava", argumentou, aludindo a declarações de Maria do Céu Antunes, na quarta-feira.

Aludindo também às declarações de hoje da ministra da Agricultura à SIC, Rui Garrido insistiu que a governante reiterou que "a culpa foi do IFAP" e que "esse facto fica-lhe muito mal, mandar a culpa para os funcionários".

"Ninguém que tenha bom senso acredita que a senhora ministra não soubesse que o dinheiro que estava previsto para pagamento destes ecorrregimes, nomeadamente a produção integrada e a produção biológica, iria faltar", argumentou.

Para os agricultores, frisou, "o que a senhora ministra diz, normalmente, não se costuma escrever", portanto, a atitude é a mesma, apesar dos apoios entretanto anunciados: "Estamos aqui um bocadinho [à espera de] ver para crer, não é?".

O presidente da ACOS juntou-se, esta manhã, aos agricultores que, às 03:00, cortaram a EN260 na zona de Vila Verde de Ficalho, a alguns quilómetros da fronteira com a localidade espanhola de Rosal de La Frontera, na Andaluzia.

O protesto, inicialmente, contava com cerca de 100 tratores e máquinas agrícolas, que foram atravessados na via, em linhas sucessivas, e quase o mesmo número de agricultores, mas, ao longo da manhã, foram chegando mais viaturas e pessoas.

Segundo a organização, o Movimento Civil Agricultores de Portugal, o bloqueio já junta 180 tratores e máquinas agrícolas, assim como algumas centenas de 'homens da terra', provenientes de concelhos como Serpa, Moura, Mértola, Barrancos ou Beja.

Grupos de agricultores marcam presença durante umas horas e vão embora, sendo substituídos por outros, mas há sempre pessoas a chegar e a sair do protesto, que está a ser vigiado por elementos da GNR.

Um dos integrantes do movimento promotor da manifestação, António João Veríssimo, de Beja, admitiu que os agricultores "estão esgotados" e que, ao serem "surpreendidos com um corte de 35% [nas ajudas] na agricultura biológica, que é o grande bolo, e de 25% na produção integrada", a escassas "24 horas da data do pagamento", esse foi o facto que "fez transbordar o copo".

"Qual é o produtor que consegue suportar um corte desta dimensão, tendo já para trás mais de 40% de cortes nas ajudas", questionou, esclarecendo que estas verbas "não são subsídios", mas sim "ajudas à produção para que a comida chegue mais barata aos pratos de todos".

E, agora, "o copo transbordou mesmo e decidimos vir manifestar-nos, cortando uma estrada, o que vai causar impacto".

"Mas, se não causar impacto, resulta no mesmo das manifestações que realizámos antes, que foi zero", disse António João, ciente de que o Ministério da Agricultura, com os apoios anunciados, 'acendeu' uma "luzinha", mas os agricultores vão "esperar, um dia, um mês, o que for preciso" até que essa ajuda seja aprovada por Bruxelas.

O primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chefe do Governo dos Países Baixos, Mark Rutte, reuniram-se hoje em Bruxelas com representantes dos agricultores para debater os problemas do setor.

No dia em que houve protestos de agricultores em vários países da União Europeia (UE), incluindo em Portugal e na Bélgica, os três dirigentes europeus reuniram-se com representantes da Copa Cogeca, a confederação agrícola europeia que representa mais de 22 milhões de agricultores e 22 mil cooperativas.

Na sua conta na rede social X (antigo Twitter), a líder do executivo comunitário referiu que o setor agrícola pode "contar com o apoio europeu".

"Estamos a enfrentar os desafios de curto prazo e os desafios estruturais" que os agricultores enfrentam, referiu também Ursula von der Leyen.

A Comissão Europeia vai preparar com a presidência semestral belga do Conselho da UE uma proposta para a redução de encargos administrativos dos agricultores, que será debatida pelos ministros da Agricultura dos 27 Estados-membros do bloco europeu no próximo dia 26 de fevereiro.

"Sou muito sensível à mensagem de que os agricultores estão preocupados com os encargos administrativos", referiu também Von der Leyen, em declarações no final da reunião extraordinária do Conselho Europeu, que hoje decorreu em Bruxelas.

 Agricultores do Ribatejo e Oeste voltaram a concentrar-se pelas 16:00 de hoje na Ponte da Chamusca, após uma breve arruada junto a um acesso da Autoestrada 23 (A23), sem provocar o corte da via, informou o Movimento Civil de Agricultores.

Os agricultores "acataram pacificamente a sugestão da GNR, com quem tiveram reuniões durante a manhã, no sentido de fazer uma arruada numa estrada próxima de acessos à A23, mas sem entrar na autoestrada", explicou à Lusa Nuno Mayer, um dos agricultores que aderiu ao protesto do Movimento Civil de Agricultores, sublinhando "o bom senso e entendimento" entre os manifestantes e as força de segurança, com as quais "houve coordenação".

Nuno Mayer assegurou à Lusa não ter havido "qualquer incentivo ao corte da autoestrada", ainda que durante sensivelmente 40 minutos o trânsito tenha sido condicionado, com a circulação a ser controlada pelas autoridades, que não permitiram aos agricultores cortar a via ao trânsito.

Segundo o agricultor, "por sugestão da GNR foi decidido voltar à ponte da Chamusca", no distrito de Santarém, onde o manifestantes já tinham estado concentrados durante a manhã.

"Sendo um dos principais eixos que divide o Tejo, a concentração teve a exposição e visibilidade que se pretendia", cumprindo o objetivo de demonstrar "o descontentamento do setor, mas também a união entre os agricultores", acrescentou.

O protesto é uma iniciativa do Movimento Civil de Agricultores, que na quarta-feira divulgou um comunicado explicando que agricultores de diversos pontos do país se concentrariam em vários locais, reclamando o direito à alimentação adequada, condições justas e a valorização da atividade.

"As dificuldades que o setor atravessa podem ainda ser mais agravadas com a integração das Direções Regionais de Agricultura e Pescas (DRAP) nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento", decretada pelo Governo e que "vai acabar com a proximidade que existia, tornando ainda mais morosos os processos".

 Os agricultores que bloqueiam hoje a Autoestrada 6 (A6) junto à fronteira do Caia, em Elvas, no distrito de Portalegre, estão a permitir a passagem de veículos prioritários e 10 camiões de hora a hora.

Foi o caso de um camião cisterna com glucose de milho, já que, como explicou aos manifestantes um militar da GNR que acompanhava o pesado e a agência Lusa ouviu, a sua permanência no local, devido às altas temperaturas, podia provocar um prejuízo de 30 mil euros.

Os manifestantes compreenderam e deixaram passar o camião, que seguiu viagem, acompanhado pelo militar da GNR, por uma estrada secundária paralela à A6 até Espanha.

Esta situação aconteceu num dos pontos de bloqueio dos três que foram montados pelos agricultores na A6.

Também estão a passar autocarros e carros que transportem grávidas, crianças ou doentes, assim como 10 camiões de hora a hora, após uma suposta exigência da GNR.

Desde que foi feita essa alegada exigência e até às 16:00, segundo um dos manifestantes, já terão passado cerca de 30 camiões.

Os agricultores estão hoje na rua com os seus tratores, de norte a sul do país, reclamando a valorização do setor e condições justas, tal como tem acontecido em outros pontos da Europa.

Carne e linguiças assadas 'na hora', torresmos e vinho, cervejas, água e sumos fazem parte da 'bucha' dos agricultores presentes no protesto em curso na fronteira de Vila Verde de Ficalho, no concelho de Serpa (Beja).

"Com fome e com frio não se vai a lado nenhum", afiança à agência Lusa Rui Gouveia, agricultor na zona de Beja, depois de almoçar bifanas de porco preto no pão, feitas num grelhador montado a alguns metros dos tratores que cortam a Estrada Nacional 260 (EN260).

Numa área de campo, a alguns metros da estrada cortada e à qual se acede por um caminho de terra batida, os agricultores prepararam a sua logística. Aí, esta tarde, apesar de já estar calor, arde uma fogueira e está parada uma carrinha que prepara a comida e fornece bebidas frescas.

"Tem que se estar de barriga cheia, senão uma pessoa desiste, vai para casa", diz, em jeito de brincadeira Rui Gouveia, que chegou à manifestação mesmo à hora do almoço, motivado, não pela comida, mas por juntar a sua 'voz' ao protesto.

"Vim aqui para tentar mudar um bocado a política da nossa ministra, para tentar fazer com que ela faça melhor, apesar de ela já não ter tempo para fazer quase nada. Mas, vamos à mesma estar aqui, em convívio, para tentar influenciar Bruxelas e quem manda nas nossas vidas a melhorar as nossas condições", argumenta.

Reconhecendo que "há imensos problemas no mundo que a Europa está a acompanhar e que tem de financiar", Rui Gouveia considera que "a questão alimentar e as alterações climáticas também são fundamentais e os agricultores têm de ser ouvidos".

Também os primos José Luís e Frederico Fialho, agricultores em Barrancos e em outras zonas do Alentejo, aproveitaram a 'bucha' disponibilizada no protesto para ganhar forças.

"Almoçámos muito bem, umas carnes assadas que nos serviram e umas cervejas, pão, chouriço, aquilo que normalmente almoçamos quando estamos no campo. Coisas boas que o Alentejo tem para dar", relatam à Lusa. A quem os serviu a partir da carrinha deram "algum dinheiro para as despesas".

Luís Candeias, agricultor de Mértola, é um dos voluntários de serviço na carrinha e confirma à Lusa que "cada um paga o que quer". O dinheiro "não é para dar lucro, mas para comprar mais comida e bebida", quando terminar o que já têm.

"Vim à manifestação porque estou indignado com isto tudo, com a ministra e com o corte nos pagamentos. E estou aqui atrás de um balcão como voluntário porque nos vamos revezando", conta.

Bifanas, porco no espeto ou chouriço assado fazem parte da ementa, mas, numa volta que a Lusa fez pela zona das refeições, onde os agricultores se vão juntando em mesas ou em grupos em pé, foi possível observar latas de anchovas, paios, muito pão, torresmos, batatas fritas e outros alimentos ou bebidas.

"Assim, nem temos que sair do protesto para ir ao café" em Vila Verde de Ficalho, relata Luís Candeias, enquanto Mauro Lança, um outro agricultor de Beja sentado ali perto, em frente a pratos e copos já meio vazios, corrobora: "Temos a logística preparada para estar aqui por tempo indeterminado".

Segundo o agricultor, "quem vai para a guerra avia-se em terra" e, como comida e bebida "não faltam", os agricultores em Vila Verde de Ficalho, na fronteira com Rosal de La Fronteira (Andaluzia espanhola), podem ficar "o tempo que calhar". Ou, como sublinha Mauro Lança: "É como a Amália, até que a voz nos doa"

Os agricultores da zona do Baixo Mondego que "invadiram" hoje à tarde a Avenida Fernão Magalhães, na Baixa de Coimbra, vão reunir com a Direção Regional de Agricultura e Pescas e pernoitar na cidade.

Mais de 200 tratores e máquinas agrícolas começaram a entrar na cidade de Coimbra às 14:00 e pouco depois das 15:00 já bloqueavam por completo uma parte daquela artéria, no sentido do centro da cidade. Às 16:00, a circulação automóvel já era permitida numa via em cada sentido da avenida.

Os manifestantes salientaram à agência Lusa que vão pernoitar no local e que os tratores e máquinas agrícolas já não vão sair do sítio que ocupam.

Apesar de não existir hora marcada, o agricultor João Grilo, de Coimbra, disse que uma delegação vai reunir com a Direção Regional de Agricultura do Centro.

Os agricultores iniciaram o protesto cerca das 10:30, em Montemor-o-Velho, com uma marcha lenta a partir da Estrada Nacional (EN) 111 em direção à avenida Fernão Magalhães, na Baixa de Coimbra.

Sob muitas buzinadelas, as viaturas chegaram à baixa de Coimbra, onde a PSP já tinha reservado uma área para estacionamento, que não foi suficiente face à quantidade de tratores e máquinas agrícolas.

"A razão da inflação não está na produção", é uma das principais frases dos agricultores, que se queixam de várias situações.

A manifestação, aparentemente espontânea e não integrada na programação do protesto do Movimento Civil Agricultores de Portugal, que hoje decorre em vários pontos do país, partiu de um grupo de produtores agrícolas do Baixo Mondego, que se concentraram em Montemor-o-Velho, a cerca de 25 quilómetros de Coimbra.

Os agricultores que estão a condicionar o acesso a Espanha pela fronteira da Bemposta, em Mogadouro, no distrito de Bragança, prometem mater o protesto "os dias que forem precisos" até serem recebidos pela ministra da Agricultura.

Em declarações à Lusa, no local, o representante do movimento, que se apresenta como espontâneo e apartidário, salientou que os agricultores "estão unidos" e prometem não desistir.

"Estamos todos em sintonia, ao nível do país. Se a ministra e o Governo não receberem algumas das pessoas que estão connosco e acertarem medidas concretas, não levantamos o bloqueio", garantiu Dário Mendes, que encabeça os protestos.

Desde o início da tarde que cerca de 60 tratores e outras máquinas agrícolas estão a condicionar o acesso à fronteira da Bemposta, sendo no entanto possível atravessar para Espanha.

O grupo, que partiu do nó de acesso ao Itinerário Complementar (IC) 5 em Mogadouro pelas 12:30 e demorou cerca de 45 minutos a chegar à fronteira da Bemposta, reúne agricultores do Planalto Mirandês (Mogadouro, Miranda do Douro e Vimioso) e ainda do Douro Superior, nomeadamente Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta.

Os agricultores exigem "o pagamento dos apoios do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) atempadamente, a abertura dos projetos de jovens agricultores, que estão parados desde março de 2022, o pagamento da apregoada 'bazuca para agricultura', no valor de dois milhões de euros anunciada há dois anos e que dinheiro nem vê-lo, e o gasóleo agrícola a 50 cêntimos", explicou o agricultor Gilberto Pintado.

O protesto decorre um dia depois de o Governo ter anunciado um pacote de mais de 400 milhões de euros, destinado a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC).

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou hoje que vai trabalhar com a Presidência belga da União Europeia (UE) para ser apresentada uma proposta para a redução de encargos administrativos dos agricultores.

"Sou muito sensível à mensagem de que os agricultores estão preocupados com os encargos administrativos", referiu von der Leyen, no dia em que houve uma vaga de contestação de agricultores em vários países da UE, incluindo em Portugal.

A líder do executivo comunitário adiantou que a proposta "para redução dos encargos administrativos" será apresentada atempadamente ao próximo conselho de ministros da Agricultura, agendado para dia 26, para que possam trabalhá-la.

Von der Leyen falava no final da reunião extraordinária do Conselho Europeu.

Na quarta-feira, a Comissão Europeia propôs a prorrogação por mais um ano da suspensão de taxas alfandegárias a importações de aves de capoeira, ovos e açúcar, até um determinado limite.

O Colégio de Comissários aprovou também exceções às regras que obrigam ao pousio de terras aráveis para agricultores com culturas fixadoras de azoto (como ervilhas, favas e lentilhas) sem recurso a inseticidas e os que plantem culturas secundárias (plantas que crescem entre duas culturas principais e servem para forragem ou como adubo natural) em 7% das suas superfícies agrícolas.

O primeiro-ministro, António Costa, alegou "falta de disponibilide" e não falou aos jornalistas no final dos trabalhos da cimeira em que o tema da agricultura não estava em agenda, mas acabou por ser debatido devido às circunstâncias.

No texto das conclusões da reunião é referido que "o Conselho Europeu discutiu os desafios no setor agrícola e as preocupações levantadas pelos agricultores", salientando que continuará a acompahar a situação.

O bloqueio da A23 pelos agricultores, na zona do Alto de Leomil, no concelho de Almeida, está a provocar constrangimentos sobretudo à circulação dos camiões que têm de entrar ou sair de Portugal pela fronteira de Vilar Formoso.

O trânsito está a ser desviado para a EN 16 entre o nó de Pínzio, no concelho de Pinhel, e Vilar Formoso (Almeida), no distrito da Guarda. Há um corredor na A23 para passagem de ambulâncias em marcha de urgência.

"É um transtorno muito grande", salientou José Oliveira, camionista de Paços de Ferreira em viagem para Inglaterra, que aproveitou o desvio para almoçar num restaurante no Alto de Leomil.

"As vias alternativas não estão preparadas para receber a circulação dos camiões. São estreitas, há limitação de velocidade e em alguns casos há semáforos", apontou José Oliveira, camionista há 23 anos.

Ainda assim, destacou que as implicações não são comparáveis às que sentiu na semana passada em França.

"Apanhei muitos [bloqueios]. Uma viagem para durar dois ou três dias pode demorar cinco ou seis dias".

A trajetória da viagem de Ricardo Montinho e Nuno Bento também foi inesperadamente alterada. Vindos de Pamplona numa deslocação em negócios, em Espanha, foram surpreendidos com a presença da GNR em Vilar Formoso e obrigados a desviar o percurso pela EN16.

"Não sabíamos o que se estava a passar. Depois é que fui ver ao telemóvel para tentar perceber o que passava e vi", relatou Nuno Bento. O plano era chegar à empresa no Cartaxo por volta das 14:00, mas não foi possível cumprir. Decidiram parar e almoçar no Alto de Leomil_ "E não correu mal. Porque assim não comíamos uma magnífica jardineira".

No restaurante "Solar do Côa" vive-se a azáfama da hora de servir almoços.

"Não tem nada a ver com os outros dias", salientou Amélia Pereira. O movimento no estabelecimento regressou hoje "aos tempos antigos", disse, com satisfação, lembrando quando a A25 ainda não desviava os clientes. Ainda mesmo sem ter terminado a hora do almoço, Amélia Pereira garantiu acreditar que hoje tenha havido um aumento de 35% na atividade.

A proprietária admitiu que se prepararam para a eventualidade de se confirmar o bloqueio, na expectativa de que isso pudesse trazer mais clientes.

"Na noite de quarta-feira, já havia pessoas de Idanha-a-Nova a deixar aqui os tratores, na zona de estacionamento", relatou.

O protesto, uma iniciativa do Movimento Civil de Agricultores, decorre um dia depois de o Governo ter anunciado um pacote de mais de 400 milhões de euros, destinado a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC). O pacote abrange entre outras medidas à produção, no valor de 200 milhões de euros, assegurando a cobertura das quebras de produção e a criação de uma linha de crédito de 50 milhões de euros, com taxa de juro zero.

Segundo um comunicado divulgado na quarta-feira pelo movimento, os agricultores reclamam o direito à alimentação adequada, condições justas e a valorização da atividade.

Milhares de agricultores bloqueavam hoje à tarde os principais acessos entre o Parlamento Europeu (PE) e os edifícios da Comissão Europeia, em Bruxelas, impedidos de avançar mais pelo dispositivo policial nas ruas.

Acusações de inércia da União Europeia face a um caderno de encargos extenso ouviam-se nas vozes de contestação dos manifestantes na Praça do Luxemburgo, na capital belga, mesmo em frente ao edifício do Parlamento Europeu.

Ao início da tarde, o protesto podia confundir-se com um comício partidário, com as palavras de ordem entoadas pelos agricultores abafadas pelo som ininterrupto dos petardos e de um "canhão", e pela música. 

Em cartazes e faixas espalhadas pela praça lia-se "STOP UE - MERCOSUR" e contra um acordo que para os agricultores "é nocivo" para os "agricultores e agricultoras, o ambiente e os direitos sociais e humanos".

O monumento a John Cockerill, pioneiro da siderurgia do século XIX, que está no centro da Praça do Luxemburgo, foi coberto com cartazes e as estatuetas converteram-se em espantalhos.

Um grupo de agricultores distribuía sopa pelos manifestantes, para aguentarem melhor as próximas horas do protesto, que poderão ser longas, já que ninguém está a pensar arredar pé. 

Os instantes de tensão durante a manhã converteram-se numa aparente calma ao início da tarde.

Mas os agricultores continuam a colocar lenha nas fogueiras que ardiam na Praça do Luxemburgo desde o início do protesto, alimentadas com madeira e, sobretudo, pneus, produzindo nuvens de fumo negro a preencher parte do céu.

A GNR cortou o acesso à Autoestrada 23 (A23) e impediu a entrada naquela via de agricultores do Oeste e Ribatejo que queriam bloquear o trânsito, constatou a agência Lusa no local.

Os cerca de 800 agricultores e 100 tratores que participaram hoje de manhã numa marcha lenta na Ponte da Chamusca, no distrito de Santarém, decidiram depois dirigir-se para a A23 para cortar a via ao trânsito, segundo informou o Movimento Civil de Agricultores.

No entanto, a GNR cortou o acesso à autoestrada, o que impediu os agricultores de bloquear a via.

Os agricultores reorganizaram-se e, segundo disseram à Lusa, dividiram-se em dois grupos que vão aceder à A23 em carrinhas, por outras vias de acesso, para cortarem o trânsito.

Na zona do Ribatejo e Oeste, o protesto foi concentrado esta manhã na Ponte da Chamusca depois de duas autarquias da região, Barquinha e Entroncamento, terem recusado autorizar manifestações nos seus concelhos.

Ao fim da manhã, cerca de 800 manifestantes, acompanhados por mais de 100 tratores, exibindo faixas e cartazes com frases como "O nosso fim é a vossa fome", "Sem agricultores não há futuro" e "Estão a querer roubar o meu futuro", seguiram para a A23.

Os agricultores estão hoje na rua com os seus tratores, de norte a sul, reclamando a valorização do setor e condições justas, num protesto que está a bloquear várias estradas, tal como tem acontecido em outros pontos da Europa.

O movimento, que se apresenta como espontâneo e apartidário, garantiu que os agricultores portugueses estão preparados para "se defenderem do ataque permanente à sustentabilidade, à soberania alimentar e à vida rural".

A A23 - Autoestrada da Beira Interior atravessa os distritos da Guarda, Castelo Branco, Portalegre e Santarém, ligando Torres Novas à Guarda.

Milhares de agricultores espanhóis manifestaram-se hoje em Sevilha para pedir infraestruturas urgentes que garantam água para a agricultura na província de Huelva, na fronteira com o Algarve.

Na manifestação, que se realizou na capital da região autónoma da Andaluzia, estiveram 15.000 pessoas, segundo os organizadores, enquanto a polícia estimou 5.000 participantes.

O protesto foi convocado por diversas associações agrícolas de Huelva, que consideram estar em causa a sobrevivência da agricultura nesta região, sublinhando que à falta de infraestruturas para gestão da água se soma atualmente uma "seca extrema".

A manifestação foi encabeçada por uma faixa com a frase "Água para o campo, alimentos para o mundo", numa referência à produção agrícola na província de Huelva, que é exportada para outros países europeus.

Os agricultores leram um manifesto em que pedem "as infraestruturas hídricas essenciais para a sobrevivência" da agricultura de Huelva.

Segundo o texto, por causa de infraestruturas de acesso e gestão da água, a agricultura nesta região vive "uma situação limite" e os agricultores pedem que avancem infraestruturas "prometidas há décadas" que permitiriam "enfrentar melhor esta situação de seca estrutural".

A falta de água nesta região espanhola tem levado os agricultores e autoridades locais a levantar a possibilidade de ser pedida água a Portugal ou até a uma revisão da Convenção de Albufeira, o tratado luso-espanhol que regula a gestão dos rios partilhados entre os dois países.

A Andaluzia vive uma "situação extrema" de seca, disse o próprio presidente do governo autonómico, Juan Manuel Moreno (conhecido como Juanma Moreno) no dia 18 de janeiro, quando pediu ajuda europeia e insistiu na transferência de água desde Portugal.

O presidente da Junta da Andaluzia lembrou que a região, além de ser um dos grandes destinos de turismo de Espanha e da Europa no verão, é também a "maior potência agrícola" do país e "produz alimentos para 500 milhões de pessoas" de diversos países.

Segundo afirmou, a seca que vive a Andaluzia já está a ter impacto na economia regional por causa dos efeitos na agricultura, nomeadamente a quebra em um ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) andaluz.

Juanma Moreno pediu a canalização de fundos europeus para a região especificamente para obras relacionadas com infraestruturas de gestão de água e maior envolvimento do Governo central de Espanha, defendendo mais transvases e transferências entre rios espanhóis, mas também que se estudem transvases "entre países", nomeadamente, desde Portugal.

Em dezembro passado, Juanma Moreno chegou mesmo a dizer que o governo regional está a fechar um projeto que vai permitir levar água a partir de Portugal.

A Lusa contactou na altura o Ministério do Ambiente e Ação Climática português sobre este projeto, tendo fonte do gabinete de imprensa respondido que "as relações com Espanha devem seguir o que está definido pela Convenção de Albufeira", texto que regula a gestão dos rios partilhados entre os dois países.

"Não fomos informados pela APA [Agência Portuguesa do Ambiente] de nenhuma proposta por parte de Espanha", acrescentou.

O Governo de Espanha, através do Ministério da Transição Ecológica e Desafio Demográfico, disse, também em dezembro, que por causa da queda do Governo português só voltará a haver reuniões no âmbito da Convenção de Albufeira depois das eleições nacionais e da formação do novo executivo em Portugal, numa resposta a questões da Lusa sobre os contactos entre Madrid e Lisboa relacionados com as reivindicações da Andaluzia.

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