Na sexta-feira, dia 17, no turno que começou às 8h30 no Serviço de Urgência do Hospital de Braga, havia quatro médicos na equipa da área de medicina. À noite, não houve ninguém. Só um médico na área da cirurgia. No sábado durante o dia, havia seis médicos da área das medicinas e nenhum da área da cirurgia, mas à noite não houve nenhum em medicina e só um em cirurgia. No domingo, estiveram três nas medicinas e nenhum na cirurgia, à noite um na medicina e um na cirurgia. Isto mesmo confirmaram ao DN fontes hospitalares de acordo com as escalas aprovadas. Tal como o DN noticiou, o alerta para que tal poderia acontecer foi dado há mais de um mês pelos médicos tarefeiros que habitualmente asseguram a atividade naquelas urgências, mas que não o fizeram neste fim de semana como forma de protesto – há mais de um ano que tentam negociar um aumento do valor/hora que lhes é pago. Segundo contaram ao DN, tanto a direção do serviço como a direção clínica “sabiam que seria assim e só na véspera começaram a pedir aos médicos do quadro para assegurarem a assistência”, sublinhando que “infelizmente, quem paga é o utente”. Para as mesmas fontes, os problemas nesta urgência vão manter-se nesta segunda-feira, para a qual estão escalados “só três médicos para as medicinas durante o dia e dois de cirurgia”. E “se não houver uma negociação séria com os médicos em prestação de serviço o protesto poderá estender-se por agosto, quando tudo isto poderia ter sido evitado”, asseguram.Mas agosto ainda não chegou e Braga já está com constrangimentos, por esta situação especifica, mas em "anos anteriores aconteceu o mesmo". Na Grande Lisboa, as urgências regionais de ginecologia-obstetrícia criadas na Península de Setúbal e em Loures/Vila Franca de Xira, para evitar precisamente o encerramento destes serviços nestas regiões, também já sentiram constrangimentos durante a semana, por falta de recursos humanos e até por falta de "vagas em bloco de partos". Em comunicado, e a propósito da situação da urgência de Braga, o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), que integra a Federação Nacional dos Médicos (Fnam), já recomendou aos médicos que, “sempre que considerem não estarem reunidas as condições para o exercício da sua atividade em segurança, apresentem Declaração de Declinação de Responsabilidade Funcional, salvaguardando a sua responsabilidade profissional e alertando formalmente a instituição para os riscos existentes”. E exigiu “esclarecimentos urgentes ao Conselho de Administração da ULS de Braga, designadamente sobre as medidas adotadas para garantir a segurança da urgência, o plano de contingência e as soluções estruturais para a falta de médicos”. Na quinta-feira, questionada pelo DN, a ULS de Braga confirmava “a indisponibilidade manifestada por alguns médicos tarefeiros para assegurar turnos no Serviço de Urgência Geral”, mas que a instituição estava “a reorganizar as suas equipas internas e assegura estar a desenvolver todos os esforços para garantir a resposta assistencial a todos os utentes”.Para o SMN, “a degradação das condições de funcionamento da Urgência Geral da ULS de Braga é inaceitável” e que o “CA falhou na sua obrigação de garantir escalas médicas que assegurem uma resposta assistencial segura, deixando a urgência dependente de equipas já manifestamente insuficientes”.Na semana passada também, o diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Almeida, à margem da conferência global da OMS sobre IA na área da Saúde, reconheceu aos jornalistas a existência de constrangimentos nas urgências regionais de ginecologia-obstetrícia, dizendo que, "historicamente, sabemos que há períodos de picos de procura que, se coincidirem com períodos em que há escassez de recursos humanos, nomeadamente médicos, geram constrangimentos nas urgências. Sempre tivemos esses constrangimentos". Álvaro Almeida destacou ainda que, desde a sua criação, as urgências regionais se mantiveram sempre em funcionamento, “contrariamente ao que se passava com as urgências dos hospitais que as compuseram, que frequentemente estavam encerradas”, sublinhando que "não só nunca estiveram encerradas, como houve um aumento significativo na atividade, o que demonstra que os utentes passaram a ter mais confiança nas urgências. O Hospital de Almada mais do que duplicou a sua atividade desde que se constituiu a urgência regional”.Quem está no terreno mantém-se na expectativa, dizendo ao DN “que quem paga é o utente com horas de espera nas urgências”, sendo que, “a partir da última semana de julho, quase de certeza que será mais difícil de assegurar as escalas médicas. Ninguém pode assegurar que não haverá urgências que não tenham de encerrar”..Hospital de Braga. Tarefeiros sem disponibilidade para este fim de semana e “urgência em risco”.Onda de calor. Urgências registaram “ligeiro aumento”, hospitais mantêm níveis de alerta por precaução