No Portal do SNS, o mapa das escalas das urgências do Serviço Nacional de Saúde (SNS) indica que a urgência geral da Unidade Local de Saúde de Braga (ULSB) estará aberta este fim-de-semana, de 17 a 20, sem qualquer constrangimento, mas, fontes hospitalares garantem que não é assim: “O serviço de urgência está em risco nestes dias, pode mesmo ter de fechar portas, por não haver quem substitua os médicos tarefeiros que habitualmente asseguram os turnos”, afirmaram. Ao DN, a ULS de Braga “confirma a indisponibilidade manifestada por alguns médicos tarefeiros para assegurar turnos no Serviço de Urgência Geral, no próximo fim de semana”, não especificando se conseguiu médicos para preencher os buracos existentes nas escalas e se o manter as portas abertas está mesmo em risco. “A instituição está, entretanto, a reorganizar as suas equipas internas e assegura estar a desenvolver todos os esforços para garantir a resposta assistencial a todos os utentes que procurem o Serviço de Urgência no próximo fim de semana”, afirma.De acordo com as fontes hospitalares, até ao fecho desta edição, e embora a escala no Portal do SNS mantenha o estado de aberto para todos os dias, “ainda estão por fechar os turnos de sexta-feira e de sábado à noite, na área médica, que não têm ninguém escalado”. No domingo, “há um médico do quadro escalado para fazer a noite e para segunda-feira há dois, mas não é com estes médicos que se consegue manter as portas abertas de uma das maiores urgências da região norte, que recebe em média cerca de 200 a 250 doentes por dia entre área médica e cirúrgica (120 a 150 durante o dia e 80 à noite)”, explicaram-nos ainda, acrescentando: Habitualmente, “as equipas da área médica integram oito médicos durante o dia e quatro à noite, sendo a maioria tarefeiros. Na área cirúrgica, são três durante o dia e dois à noite, também tarefeiros. Estes médicos vêem todos os doentes, quer tenham sido triados com pulseiras amarelas, verdes ou azuis, e até alguns muito urgentes, com pulseira laranja. Os tarefeiros fazem de tudo, até observar mulheres na área da ginecologia-obstetrícia, e por isso é que estas urgências ainda não fecharam, mas, muitas vezes, há necessidade de encaminhar estas doentes para o Hospital de Guimarães”. A questão é que é “assim há muito tempo”, desabafam. E, se “as portas da urgência se mantiverem abertas com o mínimo dos mínimos de uma equipa, aquilo que vai ser feito é encaminhar doentes para os hospitais à volta”, asseguram. Ao DN, as fontes hospitalares explicam que “ há um ano que os médicos tarefeiros, que asseguram as urgências em Braga, solicitaram uma reunião com a direção do serviço e com a então diretora clínica para negociarem um aumento do valor/hora que é pago pela unidade (cerca de 32 euros durante o dia, 36 à noite, que após os descontos fica muito menos)”. Na altura, contam-nos ainda, foi “apresentada uma proposta para ser discutida e negociada, precisamente porque a ULS de Braga é das que paga menos aos tarefeiros na região, e tendo em conta o volume de trabalho é muito injusto. Os hospitais de Viana do Castelo, Barcelos e Guimarães pagam mais”. Mas parece que esta proposta “foi ignorada durante este tempo todo”. E, em junho, com o verão a aproximar-se e a unidade a precisar cada vez mais de tarefeiros para assegurarem as férias dos médicos dos quadros, estes - que segundo as nossas fontes são cerca de 50 - , uniram-se e voltaram a confrontar a direção do serviço e a direção clínica sobre o tema, “mas ficaram sem uma resposta concreta”. E alertaram que “não iriam dar disponibilidades para este fim-de-semana de julho como forma de protesto”. Isto, sublinham, “aconteceu há mais de um mês e parece que não ouviram”.Fontes hospitalares dizem mesmo que, “só esta semana, é que parece que a direção de serviço e a direção clínica levaram a sério a situação e marcaram uma reunião com os médicos tarefeiros, para 29 de julho”, mas, dizem ainda, “ ou aceitam negociar seriamente ou esta forma de protesto pode prolongar-se por agosto e será muito pior”. As mesmas fontes referiram ao DN que “só nos últimos dias, incluindo esta quinta-feira, é que a administração está a ligar a médicos do quadro a pedir que assegurem a urgência. ”. Em resposta ao DN, o CA da ULS de Braga explica “não dispor, à data, de competência deliberativa para proceder a alterações nesta matéria”, confirmando que “agendou uma reunião com os médicos prestadores para o final de julho, com o intuito de dar continuidade ao diálogo sobre esta questão.”Para profissionais da ULS de Braga, “o ambiente na unidade tem-se vindo a degradar não só com os médicos tarefeiros, mas também com os do quadro e outras classes profissionais, o que “é muito maus para um hospital que chegou a ser considerado dos melhores do país. Agora, é o vale tudo e há cada vez mais rescisões de médicos”. Mas a insatisfação dos médicos tarefeiros não passa só por Braga, segundo dizem ao DN fontes da área , “a insatisfação e o sentimento de revolta é a nível nacional”, devido à aprovação do Decreto-Lei n.º 115/2026, de 16 de junho, que passou a regulamentar a atividade por prestação de serviço. E há quem não tenha dúvidas de que o protesto agora levada a cabo nesta unidade, pode ser um sinal do que vai acontecer quando for publicada a portaria com os novos valores de remuneração dos médicos neste regime, já que se prevê uma redução. “Isto é o que vai acontecer quando a sr.ª ministra enviar cá para fora a portaria regulamentar com o valor/hora mais baixo do que aqueles que são praticados agora”, adiantaram. .Médicos dizem que lei sobre tarefeiros pode “agravar” falta de profissionais. Para administradores é positiva, mas deixa dúvidas .Médicos tarefeiros aguardam publicação de diploma sobre atividade, mas já pensam no privado e na emigração como alternativa