SEF: faltam 200 inspetores para garantir segurança

Políticos, polícias, espiões e governantes vão estar hoje numa conferência promovida pelo sindicato dos inspetores do SEF

"Se até 2017 não forem admitidos mais 200 inspetores a segurança das fronteiras pode ficar em causa", afirma sem hesitar o presidente do Sindicato da Carreira de Inspeção e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Acácio Pereira tem as contas feitas, número de inspetores versus aumento de exigências e ameaças e é por isso que assume este aviso: "estamos a falar de situações limite em que já se encontram muitos inspetores, com um grau de exigência cada vez maior em todo o lado, aeroportos e portos, e um volume de trabalho cada vez maior."

Nas contas do sindicato, o quadro de inspetores que atualmente conta com cerca de 700 profissionais, já com uma média de idades avançada, nos 48 anos, devia subir para 1000. "Sem um quadro desta dimensão, o SEF não terá capacidade de garantir a segurança das fronteiras com o nível de qualidade que a sociedade legitimamente exige", assinala Acácio Pereira. A título de exemplo das "situações limite", indica que "só no Aeroporto de Lisboa, o serviço a mais que tem de ser efetuado pelos inspetores já atinge os 3000 dias", caso que "já foi comunicado à direção nacional".

Apesar de este ano estar prevista a entrada de mais 90 inspetores - 45 estão agora a estagiar, outros 45 devem fazê-lo até ao final deste ano -, o sindicato diz que isso "é claramente insuficiente" e quer acrescentar mais duas centenas através de concursos externos. O lote de 90 foi recrutado internamente e a média de idades já não é muito baixa. "É preciso abrir estes concursos à sociedade civil, de jovens formados. É preciso sangue novo para renovar as instituições", afirma Acácio Pereira.

A necessidade de novos meios, humanos e materiais, vai ser um dos temas em destaque na conferência que se realiza hoje, em Lisboa, promovida pelo sindicato dos inspetores. "Investimento vai ser a palavra de ordem. Investimento em recursos humanos, investimento em formação e investimento em tecnologias", avança o presidente do sindicato.

"A Europa e os refugiados. Riscos e oportunidades" é o tema da conferência. A nova realidade migratória e a pressão nas fronteiras da União Europeia é matéria de "muita reflexão e preocupação" dos inspetores do SEF. O seu trabalho começa a montante, nos centros de refugiados, na triagem e verificação de segurança das pessoas que vêm para Portugal e depois aqui com um acompanhamento permanente dos grupos.

Os inspetores lembram que a questão dos refugiados e da necessidade de mais este envolvimento do SEF surge numa altura em que todos os indicadores mostram que o volume de trabalho nas fronteiras e em território nacional aumentou para o SEF (ver números): mais estrangeiros residentes e mais entradas nos portos e aeroportos.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, estará na abertura da conferência, que conta, entre outros, com deputados de vários partidos, académicos, com o chefe das secretas, Júlio Pereira, e, no final, terá a gravação do programa da SIC Quadratura do Círculo sobre o tema dos refugiados.

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