Universidades portuguesas sobem no ranking mundial. Lisboa à frente

No entanto, estes lugares podem estar comprometidos se Portugal não investir mais verbas em investigação científica

Seis universidades portuguesas, com a Universidade de Lisboa à frente, figuram na lista de 2018/19 das 1000 principais universidades a nível mundial. Os resultados do Centro para os Rankings Universitários Mundiais (CWUR, sigla em inglês) mostram que as seis instituições ficaram melhor classificadas em relação ao ano passado. Lisboa, Porto, Coimbra, Nova (Lisboa) Minho e Aveiro, por esta ordem, são as universidades que constam da tabela. Harvard, nos EUA, ocupa o primeiro lugar e a China é o segundo país com mais instituições no top 1000.

De acordo com um comunicado do CWUR, a metodologia para a elaboração do ranking sofreu alterações este ano, com o fator "investigação científica" a corresponder a 70 por cento da pontuação total.

A classificação de Portugal na lista foi comentada por Nadim Mahassen, presidente doCWUR, que destacou precisamente o"fator chave no ranking", no caso, a investigação científica, que poderá vir a comprometer a posição das universidades portuguesas na lista, apesar da subida deste ano.

"Será cada vez mais difícil competir com universidades mundiais que fazem investigação científica intensiva se o governo [português] não aumentar o investimento nesta área".

Lista das universidades portuguesas no top 1000:

1. Universidade de Lisboa - 220º lugar ( 77.9)

2. Universidade do Porto - 227º lugar ( 77.8)

3. Universidade de Coimbra - 403º lugar ( 74.9)

4. Universidade Nova de Lisboa - 439º lugar ( 74.4)

5. Universidade do Minho - 522 º lugar (73.5)

6. Universidade de Aveiro - 551º lugar ( 73.2)

Os rankings da CWUR classificam as universidades tendo em conta sete indicadores:

1) Qualidade da Educação, medida pelo número de ex-alunos de uma universidade que foram distinguidos
2) Empregabilidade de ex-alunos, medido pelo número de ex-alunos que ocupam cargos de CEO nas maiores empresas do mundo
3) Qualidade do corpo docente, que tem em conta o número de académicos distinguidos com prémios internacionais)
4) Investigação científica, calculado segundo o número total de trabalhos de investigação realizados
5) Publicações - número de trabalhos de investigação que aparecem em publicações de referência
6) Influência ou o número de trabalhos de investigação que aparecem em publicações destacadamente influentes
7) Citações - o número de trabalhos de investigação citados em publicações de referência

Menos universidades norte-americanas na lista. China ganha cada vez mais terreno

No "top ten" do ranking fazem parte oito instituições norte-americanas, com Harvard em primeiro lugar, seguida pela Universidade de Stanford, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Universidade de Cambridge, Universidade de Oxford, Universidade da Califórnia, Berkeley, Universidade de Princeton, Universidade de Columbia, Instituto de Tecnologia da Califórnia e Universidade de Chicago.

O número de instituições dos EUA no top 500 caiu cerca de 11 por cento em relação ao ano passado, e o mesmo aconteceu no top 1000: das 225 que figuravam na tabela, em 2017, só 213 entraram no ranking este ano.

No Reino Unido, as 10 melhores universidades subiram ou mantiveram lugares em relação ao ano passado.

Outra conclusão que se pode retirar deste ranking, segundo o CWUR, é que o aumento substancial do financiamento para investigação científica na China levou a um aumento na entrada de universidades chinesas na lista: 108 fazem parte do top 1000 (eram 97, no ano passado).

(Bons) empregos de ex-alunos melhoram posição da França

O número de universidades francesas no top 1000 está agora em 58, acima dos 44 de 2017, com muitas novas entradas: a maioria dos pontos veio do indicador de empregabilidade dos ex-alunos. A Universidade de Sorbonne é a principal instituição francesa este ano e ocupa a 29ª posição mundial.

Duas universidades alemãs, Heidelberg e Munique, entraram no top 50 pela primeira vez, com nove das dez melhores instituições alemãs a melhorarem a sua posição no ranking.

Apenas cinco universidades da Rússia, lideradas pela Universidade de Moscovo (número 126 na tabela), figuram entre as 1000 principais.

Os EUA lideram com 213 universidades no top 1000, seguidas pela China (108), Reino Unido (62), França (58) e Japão (56). Alemanha (54), Itália (45), Espanha (38), Coreia do Sul (35) e Canadá (28) são os principais países a surgirem na lista.

Este ano foram classificadas 18 mil universidades que representam 61 países. A lista completa pode ser consultada no site da CWUR.

Este é um dos rankings que classificam as universidades à escala mundial, a par do Times Higher Education World University Rankings (The TImes) e do Academic Ranking of World Universities (Universidade de Jiao Tong de Xangai).

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