Joana Marques Vidal: "Não é fácil a minha herança perder-se"

Sem confirmar se poderá assumir um segundo mandato como Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal mostra-se confiante de que algo mudou com o seu mandato. Garante que o "Ministério Público não voltará ao que era". E não lê na intervenção de Marcelo sobre o caso Tancos qualquer forma de pressão

A pergunta para um milhão ficou sem resposta, mas numa coisa Joana Marques Vidal foi perentória: depois da sua passagem pela Procuradoria-Geral da República nada voltará ao que era antes. "As instituições dependem muito das pessoas que têm à frente mas também têm vida por si mesmas. Há um Ministério Púbico que nunca voltará atrás, há hoje uma cultura e uma maneira de estar que prosseguirá caminho. Há questões práticas que podem ir ou não no sentido que eu lhes imprimo hoje, mas isso é da vida das instituições. E quero acreditar que não é fácil perder a minha herança", afirmou ontem à noite, num jantar-debate organizado pelo grupo Portugal XXI - Ideias para Portugal no século XXI ("think tank fundado por 21 cidadãos com diferentes experiências profissionais e sensibilidades políticas mas com um interesse comum, a causa pública") no hotel Sheraton.

Garantindo que os processos não são marca de água dos procuradores, concedeu numa coisa: "A marca de água do meu mandato é ter posto a máquina a funcionar no âmbito do que é a justiça."

Questionada também sobre se entendia a nota de Marcelo - sobre a urgência em resolver o caso do roubo de armas em Tancos, no dia em que faz um ano sobre o acontecimento -, rejeitou essa ideia. "O Presidente da República exprimiu o verdadeiro sentido do que é a separação de poderes. A investigação compete ao Ministério Público e estamos a aguardar o resultado", disse, sublinhando estar a acompanhar o caso.

Sobe a sua renovação de mandato, assunto que tem sido amplamente discutido - seria algo inédito ver um PGR cumprir um segundo mandato -, a PGR preferiu não responder. "O mandato e a competência para nomear a PGR é do Presidente da República, por proposta do governo. Não posso pronunciar-me portanto sobre isso, pois qualquer resposta seria sujeita a interpretações. Eu tenho de respeitar o quadro institucional. Seria uma interferência abusiva da minha parte fazê-lo e mesmo que não fosse uma ingerência o respeito institucional impede-me de me pronunciar."

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