Governo cria 'checklist' que RAP sugeriu em programa de humor

Executivo vai mesmo criar uma espécie de guia para futuros ministros e secretários de Estado, indicando todas as obrigações e entidades a quem têm de prestar informação

"O meu pai era piloto e antes da descolagem há uma coisa que se chama checklist e é uma listinha que diz o que tem de estar ligado (...). Eu recomendo que o Governo arranje uma checklist para cada ministro". Era esta a proposta do humorista Ricardo Araújo Pereira na última edição do programa "Governo Sombra", a propósito do caso Siza Vieira, e o governo parece ter seguido a recomendação

Em causa, a polémica com o ministro-adjunto, Pedro Siza Vieira, e com o secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, depois das notícias de que infringiram a lei sobre incompatibilidades ao acumularem a gerência de empresas com os cargos políticos.

Ricardo Araújo Pereira recomendou ao Executivo uma checklist para ser entregue a todos os ministros e dois dias depois o Governo anunciou que vai fazer isso mesmo: criar um guia para futuros ministros e secretários de Estado, indicando todas as obrigações e entidades a quem têm de prestar informação.

Esta segunda-feira, fonte do gabinete da ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, anunciou que o Governo vai criar uma espécie de guia com as informações e obrigações que os futuros governantes precisam de entregar, como declarações de rendimentos, e a que entidades, como o Parlamento ou o Tribunal Constitucional, e quais os prazos a respeitar.

"Eu recomendo que o Governo arranje uma checklist para cada ministro e que se pergunte [antes de entrarem para o Executivo]:´Tem alguma empresa com a mulher?' Entregou a declaração de rendimentos? Está a receber dinheiro de um amigo? Algum banco lhe está a pagar? E só quando tiver tudo com um visto, sim senhor, pode entrar`", sugeriu o humorista na última emissão de 26 de maio do programa de rádio (TSF).

Ouça o momento em que RAP fez a recomendação ao Governo (a partir do minuto 10:34):

Ler mais

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

Compreender Marques Mendes

Em Portugal, há recorrentemente espaço televisivo para políticos no activo comentarem notícias generalistas, uma especificidade no mundo desenvolvido. Trata-se de uma original mistura entre comentário político e espaço noticioso. Foquemos o caso mais saliente dos dias que correm para tentar perceber a razão dessa peculiaridade nacional. A conclusão é que ela não decorre da ignorância das audiências, da falta de especialistas sobre os temas comentados, ou da inexistência de jornalistas capazes. A principal razão é que este tipo de comentário serve acima de tudo uma forma de fazer política.