Costa, uma coisa rara na Europa de hoje, diz o site Politico.eu

Influente site europeu de notícias coloca o primeiro-ministro em 9.º lugar na lista das 28 personalidades que acha que em 2018 serão mais influentes na Europa

A esquerda parlamentar reagiu com indiferença ao facto de o influente site europeu de notícias Politico.eu ter colocado António Costa no 9.º lugar da lista das 28 personalidades que em 2018 serão as mais determinantes para moldar a Europa. Não comentamos, foi a resposta que o DN obteve tanto no Bloco de Esquerda como no PCP - partidos que não se cansam de reafirmar as suas críticas à submissão do PS aos ditames do euro e do Tratado Orçamental.

Num texto explicativo, o Politico.eu (versão europeia do site de centro-esquerda nascido nos EUA na era Obama) define Costa como um esquerdista de sucesso (The sucessful leftist), algo raro na Europa de hoje.

Caracterizando-o como um político duro, que se esconde atrás de um sorriso de campanha, o Politico.eu diz que Costa consegue apresentar-se como um campeão da mudança, capaz de virar a página da austeridade. Ele mostrou uma habilidade notável para equilibrar as demandas de esquerda e para reverter o aperto do cinto da recessão com uma política económica cautelosa que agradou aos investidores estrangeiros e aos parceiros de Portugal na zona euro.

Reconhecendo que nos últimos meses o primeiro-ministro viu a sua popularidade abalada pela questão dos incêndios, o Politico ressalva no entanto que os apoiantes de Costa esperam que a rápida recuperação económica de Portugal vá restaurar rapidamente a sua posição. No ano que vem, Costa terá de continuar a equilibrar a economia, a enfrentar um novo líder da oposição e a usar as suas habilidades políticas para gerir o relacionamento complicado com os dois partidos da extrema-esquerda que apoiam o seu governo minoritário. E tudo isto com um objetivo: Assegurar uma maioria absoluta nas próximas eleições parlamentares em 2019.

Uma citação do ex-presidente francês François Hollande ao Expresso é usada para referenciar como Costa já é um exemplo para o resto da esquerda europeia socialista, social-democrata ou trabalhista: O que está acontecendo em Portugal é um exemplo que você pode fazer com um programa de ação do governo que é credível e verdadeiro em relação aos seus valores. Citado pelo Politico, o próprio Costa encarrega-se de relativizar a capacidade de contágio da geringonça a outros países europeus. Não há reformas pronto-a-vestir. Têm de ser adaptadas às necessidades específicas de cada país.

A lista, designada Politico 28, é composta por 18 homens e dez mulheres, sendo o número 1 o líder do Partido Liberal Democrático alemão, Christian Lindner.

Costa é o segundo português a aparecer nesta lista. Na Politico 28 relativa a 2016, o site colocou a líder do Bloco de Esquerda na 27.ª posição, pelo facto de o seu partido ter ascendido à condição de terceira maior força partidária portuguesa nas legislativas de 2015. Catarina Martins foi descrita como uma atriz de 42 anos, com uma inclinação para jeans e blusas vermelhas que abalou uma cena política de Lisboa dominada por homens de fato e gravata.

Segundo o Politico.eu, Catarina Martins, a única mulher a liderar um partido político em Portugal - no CDS Assunção Cristas ainda não tinha substituído Paulo Portas -, colocou o seu partido à beira de partilhar o poder, algo que já não acontecia à extrema-esquerda desde o pós-25 de Abril. Ao mesmo tempo salientava que Catarina Martins estava acompanhada na direção do partido por outras jovens mulheres, como Marisa Matias ou Mariana Mortágua.

Ler mais

Exclusivos

Premium

JAIME NOGUEIRA PINTO

O arauto da revolta popular

Rejeição. Não é, por enquanto, senão isso. Não pelos reaccionários, pelos latifundiários, pelos generais golpistas, pelos fascistas declarados ou encapotados, mas pelo povo brasileiro, que vota agora contra a esquerda dita idealista - e notoriamente irrealista quanto à natureza humana (sobretudo à própria) - que montou um "mecanismo" de enriquecimento ilícito e de perpetuação no poder digno dos piores hábitos do coronelismo e do caciquismo que os seus antepassados ideológicos, de Josué de Castro a Celso Furtado, tanto criticaram. Um povo zangado, enganado, roubado, manipulado pelos fariseus da tolerância, dos direitos humanos e das flores de retórica do melhor dos mundos, pelos donos de tudo - do pensamento único aos recursos do Estado.