Contratos verbais até 35 dias chegam a lojas e cafés

O governo quer alargar os contratos de muita curta duração, que não têm de ser escritos, além da área do turismo e da agricultura.

Indústria dos gelados, as lavandarias dos hotéis, ou outras atividades que tenham "irregularidades" no seu ciclo de produção poderão ser abrangidas por esta proposta que o governo já apresentou ao Parlamento, segundo o Jornal de Negócios.

Atualmente, o contrato de muita duração, que apenas exige uma comunicação à Segurança Social, está limitado a empresas do setor do turismo ou da agricultura. Na sua proposta, o governo alarga esses contratos a todos os setores e aumenta o seu prazo: dos 15 dias agora previsto passam a 35 dias, mantendo-se o limite de 70 dias por ano com o mesmo empregador.

A expectativa, segundo o mesmo jornal, é que numa altura em que a economia é puxada pelo turismo, a medida possa ter impacto em múltiplas atividades O facto de só ser aplicado às que tenham "irregularidades" na produção acautela para o governo a questão da precariedade e permitirá absorver situações de trabalho temporário ou que atualmente nem eram declarados à Segurança Social.

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Rosália Amorim

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Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.