Canábis: PSD vota contra diplomas que "liberalizam cultivo"

Partido terá, no futuro, iniciativa própria

O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, defendeu que os projetos do BE e PAN que hoje serão discutidos visam "liberalizar o cultivo da canábis", justificando o voto contra e com disciplina de voto dos sociais-democratas.

"O grupo parlamentar do PSD defende que a canábis possa e deva ser utilizada para fins terapêuticos e, por isso, teremos uma iniciativa legislativa que corresponda exatamente a este fim", afirmou Hugo Soares, no final de uma reunião do grupo parlamentar que durou perto de três horas.

O líder parlamentar social-democrata foi confrontado com a posição do candidato a líder do PSD Rui Rio, favorável ao uso medicinal da canábis, que disse não ter ouvido, mas com a qual admitiu concordar.

"Coisa bem diferente são os diplomas em causa, que visam liberalizar o cultivo da canábis, nós não alinhamos na agenda escondida" de BE e PAN, afirmou.

Questionado quando será apresentada a iniciativa do PSD sobre a matéria, Hugo Soares disse que "há tempo", lembrando que uma nova liderança do partido será eleita no sábado e justificando não a ter apresentado a tempo do debate pelo facto de as iniciativas terem sido agendadas apenas há uma semana.

O parlamento debate hoje a legalização da canábis em contexto medicinal, com o BE e o PAN a defenderem a medida, o PS a dar liberdade de voto aos deputados e o PSD e CDS a votarem contra.

O PCP pede que se estude a questão, num projeto de resolução. Entretanto, já anunciou que votará contra.

O BE e o PAN levam a plenário projetos de lei para legalizar o consumo e cultivo de canábis para uso medicinal, defendendo que há provas e experiências internacionais que demonstram vantagens para doentes e médicos.

A Ordem dos Médicos reconhece que existe forte evidência da eficácia da canábis nalguns usos terapêuticos, mas avisa que a sua prescrição deve ser exclusivamente médica, enquanto medicamento e não na forma fumada.

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