Autarcas e deputados do PSD e do CDS vão à manif dos colégios

Manifestação de domingo em Lisboa já tem 19 mil inscritos, que alugaram um comboio e autocarros.

Deputados, autarcas e dirigentes das distritais dos dois maiores partidos de direita vão juntar-se à manifestação de domingo dos colégios contra os cortes nos contratos de associação. Oficialmente nem PSD nem CDS-PP se associam ao movimento, mas várias caras dos dois partidos vão estar no protesto que vai começar na Avenida 24 de Julho, em Lisboa, e acaba junto à Assembleia da República. Do lado dos colégios já estão registadas 19 mil pessoas e a organização acredita que pode chegar às 25 mil, o objetivo inicial.

"Alguns colegas que são deputados e presidentes de distritais vão estar a acompanhar os diretores dos colégios e os presidentes de câmara. Eu não estarei, mas sei que algumas pessoas do partido vão estar", explicou ao DN a deputada do PSD Nilza de Sena. Um desses casos será o do deputado de Castelo Branco Manuel Frexes, que é presidente da distrital laranja e estará a apoiar as direções dos colégios da zona. Presente "como apoiante da causa" vai estar também a deputada centrista Ana Rita Bessa. "O CDS não estará como partido, embora seja apoiante da causa, porque acredita que as coisas não se resolvem na rua. Mas há uma forte probabilidade de alguns dirigentes e elementos do partido estarem presentes, a título pessoal, na manifestação", acrescentou a deputada.

As caras políticas vão juntar-se aos pais, alunos, funcionários, professores e diretores na defesa pela manutenção dos contratos que permitem o financiamento público de turmas em colégios privados. Um apoio que a organização agradece, mas, sublinha, "não convocou". "A manifestação é dos pais e de todos os que apoiam a nossa causa. Os senhores deputados e autarcas vão estar presentes porque nos apoiam. Aliás a maioria dos autarcas onde há colégios com contratos de associação apoiam a causa, mesmo aqueles que são do PS. Mas não sabemos se vão todos à manifestação", aponta Manuel Bento, um dos porta-vozes do Movimento Defesa da Escola Ponto.

O movimento deixa bem claro que quem está a organizar o protesto são as famílias e não uma estrutura centralizada. "A manifestação tem a particularidade muito própria de ser feita por famílias. Não temos uma lógica centralizada, temos uma visão muito clara do que queremos, perante isso cada comunidade, escola, turma, família está a preparar a sua parte", explica Luís Marinho, representante dos pais no Movimento.

A sua família é exemplo disso. "Estamos a preparar faixas e vou levar a minha filha, que está no Externato Penafirme, mas também a minha outra filha que já lá andou e agora está na escola pública". As palavras de ordem serão de que os contratos de associação saem mais baratos ao Estado que as escolas públicas, a defesa da qualidade do ensino e da liberdade de escolha das famílias, acrescenta.

A concentração está marcada para 14.00 na Avenida 24 de Julho, em Lisboa. Uma hora depois, os manifestantes vão começar a caminhada até às escadarias da Assembleia da República. Aí estará "montado um palco onde vai haver animação. Danças, grupos de cavaquinhos e outras atuações das escolas e depois seguem-se os discursos", enumera Manuel Bento. O objetivo não é fazer uma manifestação de confronto, pelo contrário: "É uma festa da família."

A deslocação para Lisboa - já que a maioria dos 79 colégios com contratos (destes 36 não vão poder abrir turmas de início de ciclo) são do norte - dos 19 mil inscritos vai ser feita de autocarro e de comboio. "Uma associação de pais do norte alugou um comboio a que chamou o comboio da liberdade e vai fazer a ligação de Braga até Lisboa, com paragens em Famalicão, Porto e outros sítios. Vai ter bandeiras e faixas que vão ser mostradas em cada paragem", explica o representante do movimento. O transporte é financiado pelos participantes. "Cada pessoa está a pagar o transporte que no máximo fica a seis euros por pessoa".

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