Governo reúne-se com Porto Editora para salvar regresso às aulas

Destruição por tempestade de gráfica da editora, na Maia, custou milhões e obriga à tomada de medidas urgentes para minimizar atrasos na impressão e distribuição de manuais

O Ministério da Educação confirmou ao DN que "será agendada para breve uma reunião" com responsáveis da Porto Editora, para tentar encontrar soluções que permitam minimizar os atrasos na distribuição dos manuais escolares do próximo ano letivo. Em causa está o temporal que, no passado dia 14, destruiu toda a cobertura da unidade gráfica da empresa, na Maia, e parte da cobertura do centro de logística e distribuição que funciona no mesmo local, paralisando a produção e saída de livros.

A principal pretensão da Porto Editora - que na passada terça-feira enviou uma exposição detalhada sobre o sucedido ao ministério - é que seja definido com a maior brevidade possível o número de manuais escolares necessários para o próximo ano letivo.

Segundo explicou ao DN Paulo Gonçalves, diretor de comunicação do grupo empresarial, devido à introdução do sistema de empréstimos de manuais - que no próximo ano letivo já abrange desde o primeiro ao nono ano de escolaridade -, os editores têm de aguardar por informações da tutela em relação ao número de títulos, de cada disciplina e ano de escolaridade, que previsivelmente serão necessários.

Um processo que em circunstâncias normais já exigiria "um grande esforço" nos próximos meses, sobretudo tendo em conta tratar-se da editora que tem uma quota de cerca de 60% no mercado escolar, mas que se torna particularmente complexo numa altura em que toda a produção terá de ser subcontratada a outras unidades gráficas.

"Não sabemos quantos livros vamos ter de imprimir", assumiu. "À exceção de Inglês do sexto ano, porque é a única disciplina que está em adoção [de novos livros], porque os manuais que estão neste momento a ser utilizados nas escolas terminam o seu período de vigência de seis anos."

Para o próximo ano letivo terá também de ser negociada uma nova convenção de preços entre o governo e as editoras, depois de ter terminado o acordo celebrado em março de 2016. E a brevidade com que esta seja concluída também afetará os prazos de produção. Desde logo porque os manguais têm de ser impressos com os preços que vierem a ser negociados. No entanto, insistiu o responsável da Porto Editora, "o mais dramático para nós é sabermos as tiragens, porque não sabemos".

Literatura também afetada

Nas instalações da Maia, onde eram produzidos mais de 80 mil livros por dia - que chegavam aos 120 mil no pico das vendas do regresso às aulas -, a produção estará parada por vários meses. "A gráfica está destruída. Vai ter de ser demolida e construída de novo", explicou Paulo Gonçalves, revelando que os responsáveis da empresa austríaca que construiu o edifício, há 18 anos, têm estado no local para ajudar a articular a intervenção.

Até lá, a solução será o recurso a outras empresas. "Vamos subcontratar gráficas em Portugal, e também em Espanha para podermos voltar a ter produção de tudo: livros literários e livros escolares", contou. "As pessoas têm falado mais nos livros escolares mas para nós é também dramático, neste momento, o problema dos vários títulos das nossas chancelas literárias que têm de ir para o mercado."

Entre as chancelas do grupo cujos livros eram produzidos na Maia estão a Assírio e Alvim, a Sextante Editora e a Livros do Brasil. "É desses vários livros que estamos também a falar, e cujo abastecimento do mercado literário é agora. Há novidades literárias que estão para sair e têm de ser produzidas."

Este problema é, apesar de tudo, mais simples de resolver. "São livros que têm características técnicas diferentes. Por exemplo, na literatura, são impressos a duas cores. Em termos gráficos é mais fácil encontrar solução para esses livros do que para os livros escolares, que têm especificações técnicas definidas por lei", lembrou.

"Como o livro escolar é um formato próximo do A4, as folhas na impressora têm de ser de maior dimensão. Existe um processo de dobragem, em que o papel se transforma em 36 ou 32 páginas", conta. "As máquinas têm de ser de maior dimensão. E não é fácil encontrar máquinas dessa dimensão em Portugal." A isto acresce o volume de encomendas para dar resposta às necessidades de boa parte do universo de um milhão de alunos, com títulos de várias disciplinas e anos de escolaridade.

Os atrasos na distribuição dos títulos para o próximo ano letivo, mesmo que tudo corra bem a partir de agora, já são admitidos como inevitáveis. "Seria impossível, e até irrealista, não assumirmos que existirão problemas", disse o responsável da Porto Editora. "O que vamos tentar é diminui-los o melhor que pudermos, sendo que, além da parte gráfica, temos o problema da logística, da distribuição. "Uma coisa é procurar soluções para imprimir quatro mil livros de determinado título literário. Outra coisa é um pico extraordinário, que é brutalmente exigente, de produzirmos milhões de livros e os fazermos chegar a todo o país."

Os prejuízos causados pela tempestade, embora ainda em fase de apuramento, chegarão já seguramente "aos vários milhões de euros". Só a componente original da unidade da Maia, abrangendo o armazém robotizado, a gráfica e o edifício dos serviços administrativos, custou dez milhões de euros em 2000. Toda a parte gráfica, com 7000 m2, será reconstruída.

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