Tancos. Exército já abriu processos disciplinares

Decisões resultam do Inquérito ao furto de material militar dos paióis de Tancos. Ramo não revela quantos processos instaurou

O Exército já abriu processos disciplinares a vários militares devido ao furto de material de guerra nos paióis de Tancos descoberto no final de junho, revelou o ramo ao DN esta sexta-feira.

"O inquérito interno ao Regimento de Engenharia nº 1 já terminou e deu origem à abertura de processos disciplinares que estão em curso", declarou o ramo, escusando-se a precisar quantos e quais os postos dos militares em causa.

Também se desconhece se os processos em causa dizem respeito apenas às falhas detetadas ao nível das rondas ao perímetro daquela unidade, no interior da qual existem duas dezenas de paióis e paiolins, ou se poderão ter já alguma relação com a autoria do furto.

O caso está a ser investigado pelo Ministério Público, com o apoio da Polícia Judiciária Militar e da PJ, tendo dado origem a audições parlamentares na Comissão de Defesa e a uma reunião entre o primeiro-ministro e as chefias militares para analisarem o grau de segurança aos diferentes paióis dos ramos.

Estas são as primeiras consequências disciplinares resultantes daquele "crime estritamente militar" cometido em Tancos, donde foram dados como desaparecidos vários lança-foguetes anticarro, dezenas de granadas ofensivas, munições e explosivos, entre outro material armazenado no local.

A segurança da unidade naquela semana estava precisamente a cargo do Regimento de Engenharia.

Recorde-se que o comandante desse Regimento proibiu a saída dos militares e civis que ali estavam ao saber do furto, medida que abrangeu quem lá entrou a seguir. A seguir abriu um inquérito para "determinar as condições específicas e particulares em que ocorreram os factos" no dia em que o furto foi descoberto, precisou então o Exército.

Como o DN já noticiou, citando fontes militares sob anonimato por não estarem autorizadas a falar, o modelo de rondas aos paióis do Exército em Tancos tinha "vulnerabilidades muito grandes" e que existiriam mesmo com o dobro dos soldados ou mais viaturas.

"Era para descansar" que os militares entendiam a missão de fazer a segurança àquele local isolado, frisou uma das fontes, assegurando que "era tão fácil, tão fácil lá entrar que as possibilidades são imensas" quanto à autoria do furto, bem como quem no Exército poderá ter dado as informações e cuja existência já foi dada como adquirida pelo próprio comandante do ramo, general Rovisco Duarte.

Os militares enviados para o local "não tinham a mínima noção" do que é fazer segurança a locais sensíveis - desde logo por falta de treino específico para essa missão - "e iam para os paióis descansar", lamentou uma das fontes.

Acresce que "mesmo com jipes as rondas eram mínimas, porque o serviço era feito da mesma forma e qualquer que fosse a unidade" encarregada de o fazer entre as cinco que partilhavam essa responsabilidade: as unidades de Apoio da Brigada de Reação Rápida (BRR) e de Apoio Geral de Material do Exército (Benavente), os regimentos de Paraquedistas, de Infantaria n.º 15 (Tomar) e de Engenharia n.º 1.

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