Diretores criticam problemas "generalizados" nas escolas

Parque Escolar. Empresa atribui a um litígio judicial problemas na secundária de Carcavelos, que só reabre com garantias. Associação de diretores critica falta de planeamento da empresa

Os representantes dos diretores exigem que a Parque Escolar, EPE , empresa pública que gere mais de 200 escolas secundárias, dê respostas rápidas aos problemas que vão sendo detetados nos estabelecimentos que intervencionou, lamentando que sejam "generalizadas" as queixas dos responsáveis destes estabelecimentos.

Depois de o conselho geral da Básica e Secundária de Carcavelos ter decidido não reabrir portas no segundo período, a menos que seja resolvido o problema de falta de segurança "aguda" do estabelecimento, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, confirmou ao DN que as queixas em relação à forma como têm sido geridos estes equipamentos não se resumem a casos pontuais.

"Nas escolas que tiveram este tipo de intervenção, tenho diretores que se queixam - é mais ou menos generalizado - ou que as obras ficaram mal feitas, ou que as manutenções, como é o caso da secundária de Carcavelos, ou não são feitas ou são feitas tardiamente", denunciou.

"A escola, com dois mil alunos, está numa situação em que não pode funcionar sem ter alguma manutenção", disse ontem ao DN o diretora Secundária de Carcavelos, Adelino Calado, explicando que os problemas pontuais que se iam verificando desde a intervenção na escola, em 2012, se agravaram "a partir de fevereiro deste ano, a partir do momento em que o técnico que estava cá destacado pela Parque Escolar se foi embora".

Numa visita guiada ao estabelecimento, Adelino Calado mostrou aos jornalistas problemas como zonas amplas com falhas de iluminação - nomeadamente junto a um corredor com um lance de escadas - "um acidente à espera de acontecer" ou salas de aula sem estores. E alguns alunos, que estavam ontem na escola para consultarem as pautas do 1.º período, acrescentaram outros, como projetores e computadores avariados.

Mas segundo Adelino Calado há também outros problemas graves menos visíveis, como o sistema informático que faz a gestão centralizada da escola, nomeadamente "dos controlos de entrada", que "está completamente desconfigurado e uma vezes liga e outras não".

Empresa culpa processo

Num comunicado, divulgado ontem, a Parque Escolar atribui a falta do técnico de manutenção a um "processo de contencioso pré-contratual" interposto por um dos candidatos ao "concurso público internacional" aberto para preencher aquela vaga, acrescentando ter pedido ao juiz para levantar a suspensão da adjudicação.

A empresa defendeu ainda que, "entre março e o final deste ano" adjudicou trabalhos específicos de manutenção à escola, nomeadamente ao nível da "central de deteção de gás", da "Gestão Técnica Centralizada" e da "colocação de redes anti pombos", acrescentando que em relação às falhas de luz, a situação estará "operacional para o arranque do próximo período".

Esta não é para já a opinião de Adelino Calado, que faz depender a reabertura de portas dos resultados uma "inspeção" solicitada à empresa, acompanhada da resolução dos problemas identificados.

Para Filinto Lima, as burocracias invocadas pela empresa não servem de desculpa para o avolumar dos problemas: "Com ou sem concursos públicos, a empresa sabe que tem sob a sua tutela dezenas de escolas , que precisam de obras de conversação e manutenção, e deve prever isso". Confrontada com estas críticas, ontem à tarde, a Parque Escolar não respondeu até ao fecho desta edição.

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