Pré-candidatura de José Adelino Maltez agita maçonaria

"Prancha" do grande secretário-geral do Grande Oriente Lusitano proíbe acções de campanha antes de 23 de abril

O aviso está dado: só a partir de 23 de abril é que os candidatos a grão- -mestre do Grande Oriente Lusitano, a maior obediência maçónica em Portugal, podem fazer campanha eleitoral junto dos irmãos. Quem o disse foi o grande secretário-geral do GOL, António Lopes, "José Relvas", através de uma "prancha" (uma espécie de decreto), a qual, segundo fontes maçónicas, dirige-se à pré-campanha pelo ainda não assumido candidato José Adelino Maltez.

O documento de "José Relvas" (nome maçónico, inspirado na figura história que, em 1910, proclamou a implantação da República) afirma que "não existem candidatos antes do prazo definido", isto é, formalmente, só a partir de 23 de abril é que os candidatos a grão--mestre podem apresentar a respetiva lista, sendo que as eleições, como é tradição, decorrem no primeiro fim de semana de junho. Na prancha 082CO/16.17, o secretário-geral declara ainda não ser da "ética maçónica iniciar qualquer ato de campanha antes do Grande Tribunal Maçónico aceitar as listas candidatas". Alertando que a "violação deste princípio releva de uma visão profana de pré-candidaturas e penaliza os que respeitam as leis maçónicas". Um recado, segundo um maçom, com destinatário específico: José Adelino Maltez. A prancha de "José Relvas" é clara: "Não são autorizadas quaisquer ações de campanha, qualquer que seja a forma que revistam antes de 23 de abril de 2017."

O professor universitário tem convidado os seus irmãos da maçonaria para eventos protagonizados por si e por outras duas pessoas ligadas à sua candidatura: Luís Gonçalves Vaz e Manuel Bastos de Matos. Por exemplo, num recente e-mail, Maltez, usando a linguagem maçónica ao tratar o destinatário como "MQI" (meu querido irmão), convidava para a conferência "Corrupção, Transparência e Democracia", que decorrerá a 18 de fevereiro, no Porto. O texto termina com a saudação maçónica "TAF" - tríplice abraço fraterno. "Se isto não é pré-campanha...", ironizou um maçom. Contactado pelo DN, José Adelino Maltez recusou comentar o texto do grande secretário-geral: "Não presto declarações sobre questões internas."

O "perigo" liberal

A mais que provável entrada de José Adelino Maltez na corrida para grão-mestre do Grande Oriente Lusitano está a incendiar alguns setores desta obediência maçónica, os quais consideram como um "perigo" a chegada de um liberal a grão-mestre. Num e-mail difundido por vários irmãos, "Gomes Freire de Andrade" (nome maçónico) pergunta se o Grande Oriente Lusitano "vai ser a sede operacional" de um partido liberal, que nascerá da já criada Associação Iniciativa Liberal, da qual Adelino Maltez faz parte.

"Gomes Freire de Andrade" lança algum pânico entre os irmãos, dizendo que Maltez chegou a escrever, no livro Tradição e Revolução, a "enigmática" frase: "O que é preciso é chegar aos arquivos da Maçonaria..."

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