Voto de pesar pelas vítimas dos ataques terroristas do Hamas a Israel aprovado com abstenção do PCP e do BE
A Assembleia da República aprovou nesta sexta-feira, 9 de outubro, um voto de pesar pelas vítimas dos ataques terroristas do Hamas contra Israel, elaborado pelo Grupo de Amizade Portugal-Israel, apenas com a abstenção do PCP e do Bloco de Esquerda. Logo após a votação, foi anunciada uma declaração de voto do deputado único Fabian Figueiredo, que minutos antes invocara defesa da honra para garantir que o Bloco de Esquerda condenou os ataques de 7 de outubro de 2023, ao contrário do que considerou ter sido dito pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
O texto que foi aprovado pela esmagadora maioria dos deputados presentes na votação, com o embaixador de Israel, Oren Rozenblat, a assistir nas galerias, "manifesta o mais profundo pesar pelas vítimas resultantes dese ataque terrorista" e "expressa a sua solidariedade para com todo o povo israelita e em particular para com as famílias das vítimas".
No voto, assinado pelos deputados Alexandre Poço, Bruno Ventura, João Pedro Louro, Ricardo Carvalho e Sofia Machado Fernandes (PSD), Cláudia Estevão, João Aleixo, Pedro Frazão e Rui Paulo Sousa (Chega) e João Pinho de Almeida (CDS-PP), são descritas as consequências do ataque que foi perpetrado pela organização palestiniana a 7 de outubro de 2023. Nomeamamente a morte de cerca de 1200 pessoas, o sequestro de outras 251, levadas para a Faixa de Gaza, como reféns - incluindo o luso-israelita Idan Shtivi, raptado junto ao festival musical Nova, que acabou por ser morto.
Também se lê que "organizações internacionais de direitos humanos documentaram a prática, pelos atacantes, de execuções sumárias de civis, tomada de reféns, violação e outras formas de violência sexual, incêndio deliberado de habitações, tortura e maus-tratos, uso de civis como escudos humanos, mutilação e profanação de cadáveres e disparo indiscriminado de rockets sobre zonas civis, qualificando estes atos como crimes de guerra e crimes contra a humanidade". E que a Organização das Nações Unidas concluiu "existirem motivos razoáveis para crer que foram cometidos atos de violação e de violação em grupo, bem como violência sexual contra reféns em cativeiro".
Também foi apresentado um voto de pesar, elaborado pelos deputados do PCP e do Bloco de Esquerda, "pelas vítimas resultantes da política de colonização e genocídio por parte de Israel, independentemente da sua nacionalidade, e em prol da paz justa e duradoura no Médio Oriente". Foi chumbado pelos deputados do PSD, Chega, Iniciativa Liberal e CDS-PP, com o socialista Pedro Delgado Alves a ser o único do seu grupo parlamentar a optar pela abstenção.
No texto, que cita uma célebre frase do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres - "É importante reconhecer que os ataques do Hamas não aconteceram num vazio" -, defende-se que "isolar os acontecimentos de 7 de outubro, sem condenar a negação dos direitos dos palestinianos e os crimes cometidos por Israel ao longo de décadas, constitui um ato de falsificação histórica e de sonegação do genocídio perpetrado contra este povo".

