Na sexta-feira ficou consumada a indicação, por parte da Lista A, de que Jorge Pinto é o escolhido para suceder a Rui Tavares como co-porta-voz do Livre. E ao DN fontes junto à Direção do partido assumem que o deputado de 39 anos era o nome avançado já desde 2025 à sucessão e que a corrida nas Presidenciais teve como intuito dar-lhe também alguma visibilidade, servindo para teste devido às constantes intervenções públicas. Apesar de ter tido 0,68% dos votos expressos, pouco mais de 38 mil, o partido faz a leitura de que o voto útil impactou o resultado de Jorge Pinto, até porque o próprio discurso do candidato passou sempre por tentar que os candidatos de esquerda pudessem abdicar em prol de António José Seguro, o que não se verificou. Como tal, a ilação para a sucessão foi muito mais medida no impacto que o político natural de Amarante teve na mensagem que quis passar e no feedback das populações, na rua, durante a campanha. E confirmou a escolha que já estava encaminhada. Ao DN, valoriza-se o nome do deputado. “O resultado do Jorge é fruto das circunstâncias que o país viveu. É independente da capacidade política de Jorge Pinto, que é uma pessoa muito séria e puxou para a campanha os assuntos que interessavam”, destaca Francisco Costa, que se candidata pela terceira vez e para o último mandato à Assembleia no Congresso. “Teve sempre uma enorme combatividade na defesa dos valores do Livre e é contagiante na forma como aborda a política e tem visibilidade pelo país”, declara o cabeça de lista do Livre e da coligação Viver Lisboa à freguesia de Alvalade em 2025, considerando ainda que “não estará sozinho porque Isabel Mendes Lopes mantém a sua legitimidade”, descartando que a saída de Rui Tavares do cargo de porta-voz tenha impacto eleitoral. “Somos presos por ter cão ou por não ter. Ora somos dependentes do Rui, ora precisamos do Rui. O Rui Tavares é uma figura central, será sempre muito importante, será sempre uma grande mais-valia, mas temos um partido plural”, termina Francisco Costa.Joana Alves Pereira salienta que “há outras listas a concorrer”, mas que caso seja a Lista A a mais votada que a eleição do Grupo de Contacto se trata de uma “continuidade” e que “Jorge Pinto faz todo o sentido como potencial co-porta-voz”, entendendo que o deputado de 39 anos “deu mais do que provas.” “Acho que toda a gente compreendeu que o Jorge e o Livre tomaram uma posição responsável nas Presidenciais e que isso teria consequências na votação final”, explana a cabeça de lista do Livre e da coligação de esquerda com PS, BE e PAN pelo Areeiro em 2025. “O Rui Tavares terá sempre enorme relevância, mas já existiram pessoas a mostrar competência e temos vários eleitos em autarquias. Essa narrativa de o Livre depender de Rui Tavares é construída pela oposição ao nosso partido”, considera Joana Alves Pereira. Rui Tavares no LivreFundação A 16 de novembro, o Livre foi fundado, assinando a sua declaração de princípios orientado como um partido de esquerda, europeísta e ecologista. Em março de 2014 o Tribunal Constitucional legalizou-o. Rui Tavares foi um dos fundadores.Joacine Em 2019, Joacine Katar Moreira é eleita para o Parlamento depois de o partido receber 57 mil votos. A deputada perderia a confiança política de Tavares após uma abstenção num voto sobre a Palestina.Eleição nas LegislativasPela segunda vez, o Livre elege deputado para a Assembleia da República. Neste caso, Rui Tavares, que já fora candidato às Europeias de 2014 e 2019 e às Legislativas de 2015. Toma posse, nessa altura, como co-porta-voz.Deputados Crescimento eleitoral do Livre nos círculos de Lisboa, Porto e Setúbal em 2025 ditam um recorde de seis deputados eleitos. Quintuplicou a militância do partido em dois anos, superando os 4500 filiados.Presidenciais 2026Gorada a hipótese de uma candidatura ampla de esquerda, Rui Tavares traçou a necessidade de o Livre se fazer representar. Jorge Pinto totalizou 0,68% dos votos, pouco mais de 38 mil eleitores..Jorge Pinto candidata-se ao lugar de Rui Tavares no cargo de porta-voz do Livre.Congresso do Livre. Rui Tavares nega afastamento e defende necessidade de novas “caras e vozes” .Congresso do Livre será em Sintra a 10, 11 e 12 de julho.Presidenciais. Livre, Bloco e PCP juntos não passam dos 5%, mas vincam importância na definição da agenda.Jorge Pinto não chega a 1% depois das Legislativas recorde para o Livre.Jorge Pinto põe-se em segundo plano e exorta os próprios militantes a "votar livremente".Oposições internas acusam liderança bicéfala do Livre de não cumprir estatutos