O presidente do Chega pediu esta quinta-feira, 21 de maio, aos militantes responsabilidade e unidade em torno da sua liderança, avisando que, caso o partido se preocupe mais com a vida interna do que com o país, arrisca tornar-se secundário para os portugueses.“Luís Montenegro disse que sabia que havia pessoas no PSD que não concordavam com ele e, por isso, que os seus adversários saíssem da toca e viessem à luta. Eu tenho outra coisa para vos propor hoje. Eu não vos quero propor que venham à luta, eu quero vos propor que nos juntemos por Portugal nestes próximos meses”, disse André Ventura na intervenção de abertura do Conselho Nacional do Chega, que decorre esta quinta-feira em Lisboa.Falando na abertura da reunião deste órgão do partido que tem na ordem de trabalhos, entre outros temas, a calendarização do próximo congresso, Ventura pediu responsabilidade aos militantes nestes próximos meses para evitar “distúrbio de sintonia e perturbação”.“Não vos estou a pedir que desistam daquilo que são, não vos estou a pedir que abdiquem daquelas que são as vossas convicções, não vos estou a pedir que abdiquem das vossas ambições, não vos estou a pedir sequer que abdiquem das vossas aspirações internas. Estou-vos a pedir o que um líder político deve pedir quando mete o seu país primeiro”, justificou.O presidente do Chega recorreu àquele que foi um dos seus lemas nas legislativas de há um ano.“Nas últimas eleições pedi aos portugueses uma oportunidade para poder transformar o país. Agora, hoje e no próximo Congresso, pedir-vos-ei essa oportunidade, não contra mim, mas para juntos vencermos por Portugal”, apelou.Ventura deixou ainda um aviso sobre a vida interna do Chega.“Cada vez que um partido se perde a olhar para dentro, em vez de olhar para fora, cada vez que um líder se preocupa com questões de natureza secundária em vez da vida das pessoas, as pessoas entendem que esse partido também se tornou secundário na vida deles. Quando nós nos preocupamos mais com a nossa vida interna do que com a vida das pessoas, as pessoas começarão a pensar que talvez nós não sejamos a solução que eles querem”, alertou.Na perspetiva do presidente do Chega, “ninguém se levanta de manhã para chegar a casa à noite quer saber que deliberação vamos tomar hoje sobre o não sei quantos congresso”.“Muitas vezes perguntam-me porque é que não estamos a olhar mais para o que se passa nos Açores, na Madeira, no Algarve, no Porto, em Braga, em Viseu, em Faro, em Lisboa, onde for. E por que é que o presidente insiste tanto em falar para fora? Mas, caros, os partidos não existem para dentro”, justificou. O Conselho Nacional desta quinta-feira vai também debater a revisão e aprovação do regulamento eleitoral dos órgãos nacionais, secções regionais e secções distritais.