O líder do Chega disse esta quinta-feira, 28 de maio, que a operação da Polícia Judiciária (PJ) em Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra envolvendo a adjudicação de contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia "é especialmente grave" e pede para que o PS não se esconda nem seja protegido. "É especialmente grave pela extensão de visados que tem e sobre a extensão de visados dentro de uma rede de governo autárquico e dentro do Partido Socialista, que é um dos maiores partidos", afirmou André Ventura na Assembleia da República. Ventura considerou a reação de José Luís Carneiro, que afirmou que o Partido Socialista não é visado pelas diligências, "uma coisa infantilizada e que não reflete a realidade que temos". "É um desrespeito pelo país", atirou, traçando um paralelismo com buscas em Espanha e recordando uma recente reunião entre Carneiro e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez."É evidente que visa o PS. Senão não era na sede do PS e não visava trabalhadores do PS. É uma questão que toca o núcleo central do PS. Não significa que sejam culpados, significa que há esclarecimentos a dar. Líder tem que estar nestes momentos para assumir a responsabilidade e dizer o que está em causa", prosseguiu. O líder do Chega apela para que "a justiça seja célere e que o secretário-geral do PS dê os esclarecimentos que têm de ser dados". "É importante que o PS não se esconda e não seja protegido", vincou, saliente que em causa estão freguesias e negócios "importantes". "O uso de dinheiro público para fins que não são públicos é grave e é mais um degrau ou dois que descemos no índice de perceção da corrupção", acrescentou.."Não é novidade ver PS ou PSD envolvidos em situação de opacidade", diz a ILJá a presidente da IL mostrou-se surpreendida com a operação da PJ em várias freguesias de Lisboa, mas considerou que “não é novidade” que PS e PSD estejam envolvidos em situações de opacidade e ilegalidade no poder local.Mariana Leitão falava aos jornalistas à margem da 4.ª Conferência Bola Branca, em Lisboa, após ser questionada sobre as buscas que a Polícia Judiciária (PJ) está a realizar em várias freguesias de Lisboa, envolvendo inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção.A líder da IL afirmou que está surpreendida e que “não fazia ideia que isto se estava a passar nestes moldes”, esperando que “justiça faça o seu trabalho”, e deixou críticas ao PSD e ao PS.“Há uma coisa que eu constato com esta nova operação, é que infelizmente não é novidade que os dois partidos que vão disputando o poder entre eles no nosso país estão sempre envolvidos num conjunto de situações de grande opacidade, até mesmo algumas de ilegalidades, no exercício do poder político”, atirou.Mariana Leitão pediu que, através de casos como este, os cargos públicos passem a ser exercidos “com muito mais seriedade e com muito mais respeito pelo dinheiro dos contribuintes”.Para a líder dos liberais, “é óbvio que os dois maiores partidos que vão disputando o poder têm tanta envolvência, alastram-se pelos organismos todos, que têm um certo sentimento de impunidade”.“É importante que essas operações decorram, é importante que este sentimento de impunidade acabe de uma vez por todas e que as pessoas se foquem naquilo que interessa, que é servir o cargo que ocupam”, frisou. .Livre. Tavares alerta para necessidade de “integridade e transparência” de quem quer governar.O porta-voz do Livre alertou que os políticos do “campo progressista” que pretendem substituir a atual governação têm que ser “absolutamente límpidos” contra os “inimigos da democracia”, numa reação às buscas da PJ que envolvem autarquias socialistas.“Não tenho grandes dúvidas que as coisas serão tratadas com a devida seriedade, que é isso que as pessoas estão à espera de quem pretende substituir o atual ciclo conservador na política portuguesa por um ciclo progressista que tem que ter critérios, que são critérios elevados em termos de integridade e transparência”, alertou Rui Tavares.Tavares falava à Lusa à margem de uma ação no centro de Lisboa, questionado sobre as buscas realizadas hoje pela Polícia Judiciária em Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, mas também na sede nacional do PS, no Largo do Rato, envolvendo a adjudicação de contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia, e da qual resultaram cinco detenções.O líder do Livre alertou que este tipo de casos “aproveitam, muitas vezes, aos inimigos da democracia”, ainda que “a moral para fazer essas críticas seja pouca”, afirmando que o líder do Chega, André Ventura, “está por todo o lado no caso Tutti Frutti” – iniciado em 2018 e que investiga a alegada troca de favores entre militantes do PS e PSD na capital.“Isso é um problema. O outro problema é dos líderes democráticos. Num momento em que queremos que o ciclo que nós temos na política atual, que é um ciclo conservador, venha a ser substituído por um ciclo progressista, é muito importante que os líderes do campo progressista sejam absolutamente límpidos em relação a qualquer questão que tenha a ver com suspeitas de gerir, no caso, autarquias, sem ter em conta o superior interesse, que é o interesse público das coisas serem feitas de forma transparente”, avisou.Interrogado sobre o facto de o Livre se ter coligado em diversas autarquias com o PS nas últimas autárquicas, nomeadamente na capital do país, Tavares lembrou que essa coligação foi liderada por Alexandra Leitão na qual disse confiar para tratar “de uma forma muito rápida e, se necessário, implacável” qualquer suspeita.O porta-voz do Livre disse ainda esperar a mesma atuação da liderança nacional do PS, insistindo no aviso de que quem quer substituir o atual ciclo governativo à direita tem que ser transparente.“Evidentemente, pode sempre haver motivos de esclarecimento, pode haver investigações que decorrem, que revelam o que tiverem a revelar e nós temos que esperar que aquelas cheguem ao seu decurso, mas é importante, desde logo, ter a noção da relevância que o povo atribui a estas coisas e da importância que têm os partidos distanciarem-se imediatamente e tratarem as coisas, se necessário, de uma forma implacável”, sublinhou..PAN. Inês de Sousa Real recusa “particularizar ou diabolizar” PS e PSD.Já a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, recusou “particularizar ou diabolizar” PS e PSD, embora defenda o reforço dos mecanismos e instrumentos de transparência e combate à corrupção no poder local.Referindo que não se inteirou sobre os detalhes do caso em investigação, Inês de Sousa Real disse à Lusa acreditar que o “PS irá colaborar e contribuir para a boa descoberta da verdade”..Vereador do Chega em Lisboa diz ter perceção de "promiscuidade entre autarcas e redes de auxílio à imigração".Bruno Mascarenhas, vereador do Chega na Câmara de Lisboa, considerou à Rádio Observador que a operação policial na capital valida as denúncias que diz ter feito, embora não estejam relacionadas com a investigação da PJ. “Tenho denunciado este assunto desde 2021. Há cinco anos que andamos em cima deste tema”, afirmou Mascarenhas, dando conta da existência de problemas antigos na gestão de algumas estruturas autárquicas em Lisboa.O vereador do Chega referiu-se ainda à perceção de “promiscuidade grande entre aquilo que são os autarcas e redes de auxílio à imigração ilegal”. Na mesma entrevista, abordou as suspeitas que tem relacionadas “com redes de tráfico de droga”, assumindo que não as consegue provar. “Nestes assuntos tem de se ter o maior cuidado em perceber o que está a acontecer”, disse. Adiantou que estas questões já tinham sido abordadas pelo partido liderado por André Ventura. “Este é um assunto com o qual tenho relação direta, porque denunciei, batalhei e lutei para que estas situações não ocorressem na cidade de Lisboa. Acho que está na altura de se investigar as relações que existem entre estes autarcas do PS e a comunidade islâmica do Bangladesh que, no meu entender, é altamente promíscua“, defendeu..A PJ desencadeou uma das maiores operações do ano na área do combate à corrupção, com quase 400 inspetores, para cumprimento de 60 mandados de busca domiciliária e 32 mandados de busca não domiciliária, nas zonas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, em que se investiga a prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia.Até ao momento, foram realizadas quatro detenções fora de flagrante delito, uma detenção em flagrante delito, por posse ilegal de arma, e constituídos 37 arguidos..PJ faz cinco detenções e buscas na sede do PS. Investigados contratos de quase dois milhões de euros. Questionada sobre as declarações recentes do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, Mariana Leitão recusou comentar a forma como foram feitas ou “fazer extrapolações” do que disse terem sido “palavras meio enigmáticas”, pedindo que o foco esteja nas “transformações que o país precisa”.A presidente da IL considerou que Passos Coelho tem alertado para a urgência dessas transformações, tal como os liberais têm feito, e criticou a “atuação bastante tímida” do atual Governo, bem como as posições do Chega, que acusa de impedir a formação de maiorias para viabilizar os “pequenos passos” que o executivo quer dar, como na reforma laboral..Pedro Passos Coelho critica políticos postiços que são como “prostitutos sem caráter”. Sobre o SIRESP, Mariana Leitão afirmou que não ficou esclarecida com as explicações dadas pelo primeiro-ministro no debate quinzenal e insistiu na necessidade de conhecer as conclusões do relatório do grupo de trabalho criado para encontrar uma alternativa a esta rede de comunicações..Embate inicial no SIRESP com Luís Neves à defesa