"A UGT mantém-se unida e disponível para lutar”, mas “num outro momento que não este”, explicou ao DN o vice-presidente da UGT José Abraão, acrescentando que, relativamente à greve de 3 de junho convocada pela CGTP, apesar de não ter emitido qualquer pré-aviso de greve, nada disto “invalida que os trabalhadores possam aderir”, tal como aconteceu a 11 de dezembro do ano passado, ainda que nessa altura tivesse havido concertação de ideias entre as duas centrais. Em comum, as duas centrais sindicais – que juntas representam cerca de um milhão de trabalhadores sindicalizados – têm a rejeição da proposta de lei que o Governo avançou para rever a lei laboral. No entanto, a CGTP decidiu partir para a luta nas ruas, enquato a UGT ainda acredita na via negocial.O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, tem defendido a paralisação como uma resposta necessária ao que considera ser um ataque aos direitos dos trabalhadores. Em entrevista ao ECO, o dirigente sustentou que a greve pretende reforçar a pressão social e política sobre o Parlamento, numa fase decisiva da discussão legislativa, e deixou críticas à ausência da UGT, afirmando que “cada um será responsabilizado no fim pelo caminho que decidiu seguir”.Por parte da UGT, José Abraão recorda ao DN que a central rejeitou desde o início o processo de revisão laboral e que essa posição foi assumida “sempre por unanimidade” nos seus órgãos internos. Ainda assim, considera que a fase atual exige uma abordagem diferente.“Estamos na presença de uma greve nacional convocada pela CGTP contra o pacote laboral que foi reprovado por ambas as centrais sindicais”, sublinha o também dirigente da FESAP - Federação de Sindicatos da Administração Pública. No entanto, acrescenta, a convocação ocorreu antes de ser conhecida a versão final da proposta enviada ao Parlamento. “O que não quer dizer que já não fosse expectável que a proposta enviada ao Parlamento fosse pelo menos tão má como aquela que já conhecíamos”, ressalva.Para a UGT, o essencial é reconhecer que o processo entrou numa nova etapa. “De cada vez que o Governo apresenta uma proposta de lei, ela entra no Parlamento e, a certa altura, a proposta passa a ser do Parlamento”, afirma o dirigente. É por isso que a central prefere concentrar os seus esforços na discussão parlamentar e no diálogo com as forças políticas. “Temos muito trabalho a fazer, seja por intermédio de conversas com as diversas forças partidárias, seja pelas conversas que possam existir com a própria CGTP, com o objetivo de fazer coincidir posições e opiniões e até convergir em possíveis datas para outro tipo de protestos.”A posição da UGT não implica qualquer tentativa de travar a adesão à greve. Pelo contrário, José Abraão faz questão de sublinhar que a decisão pertence exclusivamente a cada trabalhador. “Da nossa parte, nem mobilizamos nem desmobilizamos ninguém para a greve que a CGTP vai realizar no próximo dia 3. Ficará ao critério de cada trabalhador tomar as opções que achar mais convenientes.”Apesar da diferença de estratégia, as críticas ao conteúdo da reforma laboral mantêm-se firmes. O vice-presidente da UGT considera que várias das medidas propostas continuam a ser “muito fortemente penalizadoras”, apontando preocupações na reintegração após despedimento ilícito, do outsourcing e da contratação a prazo. “O que resulta daqui é que poderia acontecer a retirada de direitos dos trabalhadores, nomeadamente dos contratos a prazo, penalizando sempre mais os jovens e os mais vulneráveis”, alerta.José Abraão manifesta ainda preocupação com os possíveis impactos indiretos sobre a Administração Pública, lembrando que muitas normas do Código do Trabalho também se aplicam a trabalhadores do setor público e a milhares de profissionais contratados em regime de contrato individual de trabalho, nomeadamente na área da Saúde..UGT diz que proposta laboral aprovada pelo Governo é "mais próxima do anteprojeto" inicial .“Todas as negociações têm um fim. O fim foi hoje”. Pacote laboral avança para o Parlamento sem acordo