A UGT apelou esta segunda-feira, 11 de maio, à valorização da Concertação Social, condenando o que diz serem ataques sem respeito pelas diferenças e afirmando que o fórum que reúne Governo e parceiros sociais não se esgota na negociação da lei laboral.A posição da central sindical, assumida num comunicado, surge um dia depois de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter afirmado, a propósito da reforma laboral, que o país precisa de “sindicalistas com arrojo”.A UGT diz esperar que o capital acumulado pela Concertação Social ao longo das últimas décadas “não seja desperdiçado ou fragilizado com ataques que apenas revelam a não aceitação da legítima diferença”.No comunicado, a UGT não faz qualquer referência explícita às palavras de Montenegro, que na véspera, enquanto presidente do PSD no encerramento da 15.ª Universidade Europa, em Porto de Mós, Leiria, criticou os “sindicatos do século XX” e considerou que o país não precisa “de estruturas que funcionam com os enquadramentos do século XX, para serem competitivos no século XXI”,O texto da UGT começa, no entanto, por referir que “a UGT tem assistido às declarações públicas de responsáveis políticos e parceiros sociais nos últimos dias” na sequência do fim das negociações das alterações à legislação laboral em sede de Concertação Social, na semana passada.“A UGT deve recordar que a Concertação Social, enquanto espaço de construção de consensos e compromissos, é fundada na diferença de quem representa interesses diversos, ainda que não necessariamente divergentes”, escreve a central liderada por Mário Mourão.“A Concertação Social existe há décadas e tem sabido viver com e sem acordos em múltiplos processos negociais, mantendo um capital de confiança e de respeito institucional que permitiu sempre continuar a trabalhar em prol dos trabalhadores, das empresas e do país”, nota.A central promete continuar a desempenhar um papel no diálogo na Concertação Social, recordando “que o trabalho da Concertação Social não se esgota na legislação laboral” e apelando a que todos continuem “sentados à mesa com o objetivo de encontrar soluções para os problemas reais do país”.“É isso que se espera da Concertação Social. É esse o papel que a UGT continuará a desempenhar”, garante.As negociações sobre a reforma das leis do trabalho terminaram na passada quinta-feira, 07 de maio, sem um entendimento entre o Governo e os parceiros sociais, com a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho, a acusar a UGT de ter sido intransigente e de não ter cedido “em nenhum ponto” e com a central sindical liderada por Mário Mourão a acusar o executivo de ter minado a confiança nas negociações com um “constante avanço e recuo” nas suas propostas..“Todas as negociações têm um fim. O fim foi hoje”. Pacote laboral avança para o Parlamento sem acordo