Seguro reuniu-se a sós com o Papa Leão XIV durante 40 minutos para conversa "profunda" e "franca"
O Presidente da República, António José Seguro, foi recebido pelo Papa Leão XIV na manhã desta quinta-feira, 24 de setembro, na sua primeira visita oficial ao Vaticano.
Segundo fonte da Presidência da República, António José Seguro esteve reunido a sós com o Papa durante 40 minutos. A seguir, houve um momento alargado à comitiva do chefe de Estado português, com a habitual troca de presentes.
O Presidente da República ofereceu ao Papa Leão XIV uma escultura em porcelana de Cristo crucificado, da Vista Alegre, da autoria do arquiteto português Álvaro Siza Vieira, adiantou a mesma fonte. De acordo com a informação disponível no site da Vista Alegre, trata-se de uma peça que está disponível para venda por 560 euros.
A comunicação social não pôde entrar no Palácio Apostólico, apenas registar a chegada do chefe de Estado, acompanhado pela sua mulher, Margarida Maldonado Freitas, ao Pátio de São Dâmaso, perante um destacamento honorífico da Guarda Suíça Pontifícia, cerca das 08:45 locais (09:45 em Lisboa).
Mais tarde, Seguro disse aos jornalistas que teve uma conversa "muito profunda" e "muito franca" com o Papa e confirmou que renovou o convite para este visitar Portugal em 2027.
"Ainda não obtive uma resposta para esse convite. Ela está a ser vista no calendário exigente que o Papa tem para o ano de 2027", disse o chefe de Estado aos jornalistas na Embaixada de Portugal junto da Santa Sé, em Roma. Sem querer aprofundar a resposta que terá tido da paete de Leão XIV, Seguro mostrou-se convicto de que "vai ser uma resposta ao nível do convite que lhe fizemos".
O presidente da República relatou ainda ter falado ao Papa sobre a situação em Portugal no atual contexto de aumento de preços, que há muitas pessoas cujo "dinheiro não estica até ao final do mês", tendo recusado ele próprio falar sobre o assunto aos jornalistas.
António José Seguro referiu que no encontro que teve com o Papa ambos defenderam "o cessar imediato das guerras" e, questionado sobre a guerra desencadeada por Estados Unidos da América e Israel contra o Irão, apelou à procura de uma solução "que permita a livre circulação de todos os navios no Estreito de Ormuz".
"Porque essa é uma das razões pelas quais o preço do petróleo está elevadíssimo, que leva e conduz a uma pressão inflacionista, e que as pessoas, com o mesmo dinheiro, não consigam comprar tantos medicamentos", salientou.
"Eu, aliás, tive oportunidade hoje de dizer ao Papa que em Portugal há muitas pessoas que não chegam, que o dinheiro não estica até ao final do mês", relatou, em seguida, o Presidente da República.
António José Seguro reiterou que é preciso "encontrar soluções e uma delas é cessar com as armas", no Irão, como na Ucrânia.
"Não se justifica absolutamente estas guerras, é necessário que os líderes se sentem, dialoguem, encontrem soluções para os seus problemas. Não há nenhum problema que a mente humana não consiga avaliar e que a boa vontade não consiga resolver", acrescentou.
O Presidente da República chegou a Roma na quarta-feira à tarde, tendo visitado a Igreja de Santo António dos Portugueses, lugar histórico de acolhimento de peregrinos nacionais. Em declarações aos jornalistas, nessa ocasião Seguro manifestou "enorme expectativa" em conhecer e ouvir o Papa Leão XIV num tempo em que tantos líderes mundiais "parecem ter esquecido a importância da diplomacia e do diálogo".
O chefe de Estado referiu que iria transmitir ao Papa "a amizade dos portugueses" e renovar o convite que lhe dirigiu formalmente em maio para uma visita a Portugal em 2027 – ano em que se assinala 500 anos de representação diplomática permanente da Santa Sé no país e em que a Igreja Católica comemora o 110.º aniversário de Fátima.
"E espero falar, e sobretudo também escutar, porque é importante nós escutarmos a voz do Papa, sobre aquilo que são as preocupações das pessoas: acabar com as guerras, para acabar com o sofrimento das pessoas, quer aqueles que estão diretamente atingidos pelas balas e pelas armas, quer aqueles que sofrem diretamente com o aumento do preço do petróleo e com as consequências que isso tem no aumento do preço da carestia da vida", afirmou.
O Presidente da República acrescentou então que esperava falar com o Papa sobre a inteligência artificial, tema abordado por Leão XIV na encíclica "Magnifica Humanitas", e sobre a necessidade de "construir sociedades mais humanas" e "novas pontes e novos diálogos".

