O Presidente da República alertou este sábado, 28 de março, para um “contexto internacional particularmente exigente” devido à “reemergência de conflitos armados de alta intensidade”, defendendo a necessidade de reforçar e modernizar as Forças Armadas portuguesas ao mesmo tempo que se mantém o investimento nas área sociais.António José Seguro sublinhou que o mundo atravessa “um período de mutações profundas” e alertou a “fragmentação política”, a tentativa de “esvaziamento das organizações multilaterais” e os impactos diretos dos conflitos na Europa e no Médio Oriente.Estas declarações foram proferidas durante a cerimónia de apresentação das Forças Armadas ao novo Presidente da República, que decorreu no jardim da Liberdade, em Santarém.Seguro considera que a guerra na Ucrânia alterou “de forma abrupta” a perceção da segurança coletiva, exigindo aos Estados “medidas compatíveis com a missão de defesa e salvaguarda da soberania nacional”.Perante este quadro, o chefe de Estado entende que Portugal deve acompanhar os compromissos internacionais assumidos no âmbito da União Europeia e da NATO com “investimento, modernização e reforço de capacidades”.“Vivemos num quadro dinâmico e de risco acrescido que exige das Forças Armadas um nível de prontidão e modernização sem precedentes”, declarou, justificando o facto de o Conselho de Estado de 17 de abril ser dedicado exclusivamente ao tema da segurança e da defesa.O Presidente da República afirmou que a modernização militar deve ser “séria e equilibrada” e “envolver a indústria nacional”, gerar emprego qualificado e estimular inovação tecnológica, defendendo “um verdadeiro sistema de aplicação dual ao serviço de Portugal” que permita ao país “afirmar-se em áreas tecnológicas estratégicas”.Segundo aquele que também é Comandante Supremo das Forças Armadas, o investimento na Defesa deve ser “inteligente”, envolver a indústria nacional e “ajudar a criar mais riqueza e melhores empregos”, potenciando “também o sistema científico português”.Seguro considerou ainda ser “imperativo” tornar a carreira militar mais atrativa, valorizar carreiras e garantir “previsibilidade e dignidade” aos profissionais, tendo dedicado parte significativa do discurso aos recursos humanos das Forças Armadas.“Não há Forças Armadas sem recursos humanos”, vincou, salientando o papel dos militares como pilar da democracia, subordinados à Constituição e à vontade dos cidadãos, e a necessidade de tornar a “carreira militar mais apelativa para os jovens”, defendendo medidas que garantam a permanência dos quadros e o reforço da motivação interna.O Presidente da República explicou a escolha de Santarém como palco da cerimónia, sublinhando o simbolismo da cidade e homenageando Salgueiro Maia, cuja liderança no 25 de Abril qualificou como “exemplo de integridade e sentido de dever”.O chefe de Estado enalteceu ainda o papel das tropas portuguesas em missões no estrangeiro no âmbito da NATO, União Europeia, ONU e CPLP, qualificando-as como “vetor fundamental da política externa portuguesa”.Mais tarde, em conferência de imprensa, expressou o desejo para "que se ponha fim" ao conflito no Médio Oriente e que o Governo "defina a cada momento o que é necessário para as famílias".Seguro manifestou a vontade de que o Conselho de Estado de 17 de abril "já tenha os nove representantes do parlamento" e, sobre o mau tempo, disse que "haverá uma presidência aberta no próximo mês" e que se quer inteirar "desses apoios e como está a reconstrução"..Mau tempo: Governo reconhece atrasos e diz que quer concluir até 30 de junho os processos de apoio às habitações