As palavras do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, – que numa visita à China, na semana passada, sobre a utilização da Base das Lajes, garantiu que Portugal “disse que sim” ainda antes da administração Trump ter explicado qual era o assunto – continuam a ecoar sobre o Governo português, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, a garantir ontem que “não foram ditas literalmente”. De qualquer forma, esclarece o governante, “uma coisa é a situação até ao início do ataque” ao Irão, a 28 de fevereiro, “outra coisa é a situação depois do ataque”. Sobre o PS, que criticou o desfasamento entre as palavras de Rubio e o esclarecimento anterior do Governo português, Paulo Rangel condenou “veementemente a forma como” como o secretário-geral do partido, José Luís Carneiro, e o líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias reagiram e considerou que esta bancada é que deveria “dar explicações” ao Parlamento – recorde-se que Brilhante Dias descreveu Portugal como “um país de cócoras” perante os Estado Unidos, após as declarações de Rubio .O ministro dos Negócios Estrangeiros questionou ainda, retoricamente, “por que é que” José Luís Carneiro “mudou a sua posição”. “Porque o senhor secretário-geral do Partido Socialista tinha dito no Parlamento, logo na primeira semana de março, que concordava com os termos da autorização que foi dada”, atirou, apresentando argumentos para desviar o foco da discussão da posição do Governo.“Estou disponível, se isso for possível de acordo com as regras do Parlamento, para ir na quarta-feira [20 de maio], que é antes do início de junho - é a única data que eu tenho - e vou dizer uma coisa: vou fazer essa sessão à porta aberta. Porque, quanto à questão que está em causa, não há nenhum elemento de confidencialidade”, assegurou Paulo Rangel, depois de reforçar que as palavras de Marco Rubio “não foram ditas literalmente”.No entanto, Rangel não deverá ser ouvido esta quarta-feira, 20 de maio, no Parlamento, porque o pedido de audição do PS e a proposta de comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre a utilização da Base das Lajes por parte dos Estados Unidos avançada pelo PCP só serão votados no dia 26 de maio na Comissão de Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas. Também o BE pediu uma CPI para o mesmo efeito.“Mas, independentemente disso, mesmo que fossem [literais as palavras de Marco Rubio], não há nenhuma acrimónia, porque está tudo claro. Uma coisa é a situação até ao início do ataque, outra coisa é a situação depois do ataque. Chamo a atenção para [o facto de] que todos os países da Europa, sem exceção, até ao dia 27 de fevereiro, que é o dia anterior ao ataque, tinham a mesma doutrina de Portugal quanto ao uso das suas bases”, lembrou o ministro.Também ontem, José Luís Carneiro foi confrontado com as acusações de Paulo Rangel, não tendo adiantado muito para além de considerar que “ele [Rangel] vai poder responder no Parlamento às perguntas que lhe vão ser feitas”, observou.No entanto, a posição de Carneiro não será consensual dentro do PS, considerando as declarações do eurodepado socialista Francisco Assis ao Observador, que criticou as declarações de Eurico Brilhante Dias sobre o tema. Para Francisco Assis, é importante que o Governo justifique a posição de Portugal, mas “não é aceitável que o faça nos termos excitados e inapropriados a que incompreensivelmente recorreu” o líder Parlamentar do PS. “O PS nunca usou uma retórica infantil e extremista para abordar temas de política externa e nunca se deixou contaminar por um radicalismo ideológico assente na rejeição da importância das relações transatlânticas”, sustentou..Utilização da base das Lajes. PS pede audição de Rangel para debater “humilhação à escala planetária”.Bloco de Esquerda vai propor comissão de inquérito sobre utilização da Base das Lajes