Raimundo afirma que luta dos trabalhadores obrigou Chega a fazer o que nunca desejou
RODRIGO ANTUNES/LUSA

Raimundo afirma que luta dos trabalhadores obrigou Chega a fazer o que nunca desejou

Líder comunista diz que a oposição à proposta do executivo "foi um dos processos mais intenso da luta dos trabalhadores" e levou ao isolamento dos partidos do Governo, bem como da restante direita.
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O secretário-geral do PCP afirmou esta segunda-feira, 22 de junho, que a luta dos trabalhadores obrigou o Chega a fazer o que nunca desejou e a "contradizer tudo o que tinha dito" sobre a revisão da lei laboral proposta pelo Governo.

Paulo Raimundo discursava no final de uma marcha, realizada no centro de Lisboa e convocada pelo PCP, que juntou largas centenas de pessoas para assinalar o chumbo no Parlamento, na passada sexta-feira, da revisão da lei laboral proposta pelo Governo.

O líder comunista considerou que a oposição à proposta do executivo "foi um dos processos mais intenso da luta dos trabalhadores" e levou ao isolamento dos partidos do Governo (PSD e CDS-PP), bem como da restante direita, nomeadamente a IL e o Chega.

Numa referência ao partido liderado por André Ventura, Raimundo defendeu que a mobilização dos trabalhadores foi de tal forma intensa que "obrigou alguns a decidir fazer o que nunca desejaram alguma vez vir a fazer".

"Uma luta com tal impacto que obrigou a que, contradizendo tudo o que tinham dito na véspera, não tivessem outra solução que não votar contra, mesmo quando nas suas propostas convergiam claramente com os ataques do Governo aos trabalhadores", sublinhou.

O secretário-geral do PCP avisou ainda que, perante "novas vagas" e "golpadas" contra os trabalhadores e os seus direitos, quem trabalha responderá sempre com "força, organização e unidade".

Raimundo argumentou também que "o PCP foi o partido essencial na luta para a derrota do pacote laboral", em particular" na denúncia dos objetivos do grande patronato e dos seus instrumentos, no esclarecimento e mobilização dos trabalhadores, na ampliação na população em geral da consciência da relação dessa luta com a ofensiva mais geral contra as suas próprias vidas e condições de vida".

"Apontamos o caminho da luta, apontamos o caminho da intervenção e da exigência, apontamos a solução e a confiança na vitória. Somos um partido imprescindível, com os seus princípios, a sua ação, intervenção e ligação às massas", acrescentou.

Em declarações aos jornalistas, durante a marcha, o líder comunista afirmou que se o Governo insistir na revisão da lei laboral está a "cavar o seu próprio buraco" depois de ter começado já a "cavar a sua derrota social e política" com a proposta chumbada na sexta-feira.

Ao longo da marcha, realizada sob o mote "Luta, caminho da vitória - salários, pensões, serviços públicos - novo rumo para Portugal", entoaram-se vários cânticos a celebrar o "não ao pacote do patrão", bem como palavras de ordem contra a subida do custo de vida e pela valorização dos salários.

Entre os manifestantes estava João Trigo, reformado de 71 anos, que, à Lusa, defendeu que a atual ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, "está completamente descredibilizada e derrotada" depois do resultado da votação da proposta do executivo na Assembleia da República.

Já Sara Romão, investigadora universitária de 29 anos, que se fez acompanhar do filho, disse à Lusa que tem acompanhado as ações do PCP em matéria laboral devido, em particular, às propostas do partido no campo dos direitos parentais.

Sobre a insistência já prometida por Palma Ramalho sobre a mudança das leis laborais, Sara Romão deixou um desafio: "Se a proposta da ministra for mais direitos para os trabalhadores, redução do horário de trabalho, aumento dos dias de férias, se for realmente ao encontro do que os trabalhadores precisam, estamos aqui para levar isso adiante".

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