Luís Souto Miranda, presidente da CM Aveiro
Luís Souto Miranda, presidente da CM AveiroD.R.

PSD faz acordo com Chega para ficar com maioria absoluta em Aveiro

Voto de qualidade do presidente Luís Souto Miranda fez aprovar a solução. CDS, parceiro de coligação, absteve-se e deixou críticas.
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Repetindo uma solução já concretizada em autarquias como Lisboa, Vila Nova de Gaia, Sintra ou Cascais, também em Aveiro um executivo social democrata, liderado por Luís Souto Miranda, integrou esta terça-feira (28) um vereador do Chega, Diogo Machado, em regime de tempo inteiro, permitindo assim uma maioria absoluta na governação.

A proposta foi apresentada pelo autarca na reunião privada do executivo municipal e acabou viabilizada com recurso ao voto de qualidade do próprio presidente, depois de a vereadora Ana Cláudia Oliveira, do CDS-PP, ter optado pela abstenção, destapando o desconforto no parceiro de coligação do PSD: votaram favoravelmente os três vereadores do PSD e Diogo Machado (Chega), contra os quatro vereadores do Partido Socialista; absteve-se então a vereadora centrista.

Com esta alteração, o executivo municipal passa a contar com cinco eleitos alinhados com o presidente, num total de nove, assegurando assim uma maioria absoluta que até aqui não existia. A decisão, no entanto, não especifica quais os pelouros que serão atribuídos ao vereador do Chega.

Na fundamentação da proposta, Luís Souto Miranda defendeu que a medida visa “garantir condições de estabilidade governativa para a prossecução dos superiores interesses do município”. A posição do autarca não convenceu, porém, nem a oposição socialista nem a parceira de coligação CDS-PP.

Em comunicado, a concelhia do CDS-PP justificou a abstenção com a necessidade de evitar um cenário de bloqueio institucional, mas sublinhou não ter participado em qualquer entendimento político que sustentasse a solução agora aprovada. O partido considera que decisões com este alcance deveriam ter sido previamente concertadas entre os parceiros da coligação “Aliança com Aveiro”, que inclui PSD, CDS-PP e PPM.

Os centristas alertaram ainda que a integração de um vereador que não pertence à coligação em funções executivas permanentes representa “uma alteração ao modelo de governação sufragado pelos aveirenses”, sublinhando tratar-se de uma decisão com implicações políticas relevantes e não de um mero ajuste administrativo.

Também o PS criticou duramente a proposta, questionando a sua fundamentação e a ausência de clarificação quanto às funções concretas a desempenhar por Diogo Machado. A vereadora socialista Paula Urbano apontou que o presidente "não justificou a necessidade" de mais um vereador a tempo inteiro nem indicou que pelouros "serão atribuídos ou redistribuídos".

Os socialistas rejeitam igualmente a ideia de instabilidade no funcionamento do executivo. Em resposta ao argumento apresentado por Luís Souto Miranda, o PS recorda que tem viabilizado a maioria das propostas levadas a reunião de câmara, apresentando dados que apontam para 240 votos favoráveis, 11 abstenções e apenas quatro votos contra.

“Some quem quiser à coligação com a qual ganhou as eleições autárquicas de 2025: não nos calará”, refere a concelhia socialista em comunicado.

Com agências

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