O líder da concelhia de Espinho do PSD, Ricardo Sousa, apresentou um recurso à decisão do Conselho de Jurisdição Distrital, que mandou repetir as eleições internas de 28 de fevereiro, nas quais derrotou a deputada Carolina Marques por apenas dois votos. Uma decisão, justificada pela discrepância entre o número de eleitores e de votos em algumas das votações realizadas nesse dia, mas que o antigo deputado vê como uma tentativa de Luís Montenegro "ganhar na secretaria" uma eleição em que a sua adversária teve apoio assumido de Carla Montenegro, mulher do primeiro-ministro."Quem vive nesta obsessão permanente com o PSD de Espinho, e com quem legitimamente o dirige, não pode estar concentrado como deveria nos difíceis problemas que o país enfrenta", escreveu Ricardo Sousa, numa carta aberta aos militantes do seu concelho, partilhada nas redes sociais. E na qual recorda eleições internas de há 20 anos, nas quais diz que o então presidente da mesa, Luís Montenegro, "admitiu à votação seis militantes que não constavam do caderno eleitoral emitido pelos serviços competentes do partido, e a lista que apoiava venceu as eleições por quatro votos"..Neste caso, o recurso que o social-democrata reeleito presidente da concelhia de Espinho apresentou ao Conselho de Jurisdição Nacional sublinha que as "alegadas irregularidades", que passam por discrepâncias entre o número de votos e o de eleitores nas eleições internas, não se verificaram nos votos para os órgãos concelhios, mas sim para os órgãos distritais, com menos três em dois desses órgãos e menos dois no outro. E que "a desconformidade detetada nunca alteraria o resultado da eleição, tanto que, na sua maioria, estamos a falar de um cenário de lista única".Na carta aberta aos militantes sociais-democratas de Espinho, escrita "com um misto de desatento e uma indignação que não pode calar", defende que "a desconformidade numa eleição para os órgãos distritais está a ser aproveitada para fazer repetir a eleição para os órgãos de secção que decorreu sem qualquer anomalia". Algo que leva o antigo deputado a apontar o dedo a Luís Montenegro: "Não podemos deixar de nos questionar se foi apenas porque a lista que assumiu a derrota tinha o apoio do presidente do partido e não foi o resultado que ele pretendia."Também criticada pelo líder concelhio, que alegou ter sido impedido pelo primeiro-ministro de se candidatar à Câmara de Espinho nas autárquicas de 2025 - que o PSD acabou por vencer, apresentando Vítor Ratola, antigo adjunto de Luís Montenegro -, foi "uma impugnação urdida no mais absoluto silêncio", "sem notificar ou ouvir a outra parte, sem possibilidade de apresentar defesa ou qualquer esclarecimento", e num processo em que "não foi ouvida qualquer testemunha do ato eleitoral, imputando-se atos e comportamentos a pessoas que não se puderam defender".Sobre o recurso apresentado ao Conselho Nacional de Jurisdição do PSD, cuja presidente é a atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, Ricardo Sousa diz que o apresenta "sem perder a esperança de que o sentido de justiça deste órgão se sobreponha a outro qualquer interesse, mas sabendo bem que o partido vive sob um simulacro de democracia"..Ricardo Bastos Sousa: "Toda a lista da minha adversária tinha pessoas afetas a Luís Montenegro".PSD-Espinho reelege deputado que acusou Luís Montenegro de "fazer um ajuste de contas"