O PS questionou esta quarta-feira, 1 de abril, o ministro dos Negócios Estrangeiros sobre a utilização da Base das Lajes por aeronaves MQ-9 Reaper dos Estados Unidos, nomeadamente se Portugal tem conhecimento das missões em que estarão envolvidas.Numa pergunta dirigida a Paulo Rangel entregue no parlamento, deputados do PS referiram uma notícia avançada pela emissora SIC, de acordo com a qual o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) terá autorizado a passagem e utilização da Base das Lajes, na ilha Terceira, Açores, por aeronaves militares não tripuladas MQ-9 Reaper, conhecidas como "drones assassinos".“Trata-se da primeira vez que este tipo de sistema de armas é destacado para território nacional, o que suscita um conjunto de questões no quadro de um contexto internacional que é particularmente sensível, marcado por uma guerra em curso no Médio Oriente que envolve os EUA, Israel e o Irão”, afirmaram.Para o PS, o Governo deve “prestar a informação necessária para garantir que a utilização das infraestruturas militares portuguesas pelos EUA respeita o Direito internacional”.Os socialistas lembraram que, segundo Rangel, Portugal só daria “autorização condicional” ao uso da base nos Açores pelos EUA para ações “de retaliação”, que obedecessem aos princípios “da necessidade e da proporcionalidade” e apenas visando alvos de natureza militar.O PS questionou o ministro quais foram as “condições concretas estabelecidas” pelo Governo e quais os fundamentos para autorizar a utilização da base e se as condições definidas pelo Governo “serão cumpridas”.Os socialistas também querem saber se o executivo tem garantias de que estas aeronaves “não serão utilizadas, direta ou indiretamente, em operações contrárias ao Direito internacional” e qual “é o grau de conhecimento e de acompanhamento por parte das autoridades portuguesas relativamente às missões específicas a que estas aeronaves estarão associadas”?“Que consequências terá a não observância das condições impostas pelo Governo português?”, questionaram ainda.Numa audição na comissão parlamentar de Assuntos Europeus, o chefe da diplomacia portuguesa reiterou que a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos cumpre os critérios do Direito internacional e que Portugal não está envolvido nesta operação contra o Irão.“O que fizemos foi justamente impor os critérios do Direito internacional”, afirmou Paulo Rangel, durante uma audição na comissão de Assuntos Europeus, questionado pelo PS sobre o uso da Base das Lajes, nos Açores, pelos EUA.Essa utilização, referiu, só pode ser feita “em resposta a um ataque sofrido, [que seja uma ação] necessária e proporcional e não vise alvos civis”.“Se essas garantias nos forem dadas e puderem ser observadas, estamos tranquilos. Até agora foi isso que aconteceu”, comentou.“Cumpridas certas regras, certas operações são admitidas, não cumpridas, não são admitidas. Não andamos a falar de segurança nacional na praça pública nem ‘voyeurismo’ sobre bases”, insistiu..Base das Lajes. Chega mais próximo de Montenegro, esquerda a pedir explicações no debate quinzenal.Francisco César (PS): "Não é possível que Portugal não seja afetado se forem impostos bloqueios a Espanha"