O Bloco de Esquerda reuniu no fim de semana a Mesa Nacional e foi expressa alguma divergência quanto à condução do projeto político do partido. Alexandre Abreu, José Soeiro e Bruno Góis, todos da lista maioritária do partido, foram escolhas de José Manuel Pureza e da Direção para elaborar um documento que defina as diretrizes do partido para os próximos tempos. Nuno Pinheiro, da Moção S à última Convenção, e Ana Sofia Ligeiro, da B, relatam ao DN que “as moções não foram convidadas para uma representação maior do debate” e que essa mesma decisão “não foi votada em Comissão Política.” No entender do investigador associado do ISCTE, “há a possibilidade de se impugnar o que tem sido feito até agora”, de “recorrer até para a Comissão de Direitos do partido”, ou até uma “via jurídica via Tribunal Constitucional.” Embora apresente como “mais provável a preparação de um programa político alternativo”, o almadense lamenta “não estarem claros os prazos” para essa mesma situação. De acordo com Pinheiro, o plano da direção é “preparar um programa político a ser aprovado em conferência” e não na Convenção. “Na Convenção existem delegados eleitos e isso faz diferença no desfecho”, salienta, vincando os 11% de votos, os 55 delegados e oito membros na Mesa Nacional alcançados na Convenção que proclamou Pureza como novo coordenador. “Não se percebe o documento apresentado. Será um programa eleitoral ou é uma refundação de programação política?”, questiona Ligeiro, lamentando. “O fechamento do partido continua, mas a falta de estratégia é maior”, diz, discordando de uma maior priorização às preocupações dos cidadãos portugueses, embora assinale Pureza como “pessoa cordata e afável.” A Moção B, que teve três mandatos na Mesa Nacional, espera ainda que o Bloco “venha a terreiro comentar o que foi dito pelo Livre quanto à refundação da esquerda”, vincando que ainda “é tabu” falar de parcerias com o PS. A moção queria uma posição “mais firme do Bloco na segunda greve geral”, mas “menos presa a sindicatos que já não representam como representavam.” Aponta ainda necessidade de forçar o discurso na ecologia e combater o militarismo.“Queremos afirmar o Bloco como um partido que tem de se renovar a si próprio para ajudar à renovação da esquerda”, aponta, em tom de crítica Nuno Pinheiro, pedindo uma abertura de visões internamente, o rejuvenescimento de quadros e a “afirmação de uma diferença para uma sociedade socialista, que ultrapasse o capitalismo, até por questões ecológicas.” Apesar de identificar “uma mensagem que diz mais ao cidadão”, enumerando e aplaudindo a prioridade dada ao custo de vida e à luta contra o pacote laboral do Governo, Pinheiro vê ainda como “elefante na sala falar-se de parcerias com o PS”, reiterando diferenças para o Livre, por exemplo. “O Bloco tem de ser autónomo, se não tiver política autónoma não serve para nada. Se existirem acordos [entre partidos] têm de ser públicos. Não se devem excluir alianças, mas não é isso que devemos procurar”, realça, apontando a mira: “Não acho que esta visão seja evidente na Direção do partido. Há um rumo indefinido.” Apesar das tentativas, o DN não conseguiu chegar à fala com a Direção do Bloco, no caso com José Soeiro, Alexandre Abreu e José Manuel Pureza..José Manuel Pureza faz seis meses à frente do Bloco e aposta em "propostas para ganhar maiorias".José Manuel Pureza e Paulo Raimundo encontram-se e concordam na rejeição ao pacote laboral.Menos de 4% dos filiados do Bloco de Esquerda elegeram José Manuel Pureza.José Manuel Pureza: "Não é um homem só, assinaria por baixo dizer-se que o Bloco se renasceu a si mesmo".Convenção do Bloco de Esquerda abre porta a Pureza e a uma gestão local feita em secretariado