Os chefes dos Executivos português e espanhol, Luís Montenegro e Pedro Sánchez, na Cimeira Ibérica.
Os chefes dos Executivos português e espanhol, Luís Montenegro e Pedro Sánchez, na Cimeira Ibérica.EPA/Borja Puig de la Bellacasa

Portugal e Espanha avançam com Gigafábrica Europeia de IA em investimento de 8 mil milhões de euros

Decisão selada na Cimeira Ibérica prevê candidatura conjunta e paritária para transformar a Península num polo tecnológico global.
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Portugal e Espanha acordaram este sábado (6 de março) a apresentação de uma candidatura conjunta, de caráter paritário, para o desenvolvimento de uma Gigafábrica Europeia de Inteligência Artificial (IA). O projeto, que emana da Cimeira Ibérica, prevê um investimento de 8 mil milhões de euros destinado a elevar a capacidade tecnológica e digital da Península.

O projeto estratégico pressupõe a instalação de infraestruturas tecnológicas em ambos os países, assegurando uma distribuição equilibrada de recursos e competências. Segundo disse fonte do Governo português ao DN, esta iniciativa representa o maior investimento conjunto alguma vez realizado entre as duas nações, consolidando uma candidatura que se pretende "robusta e competitiva" no exigente mercado global da inovação.

O objetivo central desta parceria é reforçar o posicionamento de Portugal e Espanha -- e, por extensão, de todo o Sul da Europa -- na vanguarda do desenvolvimento da IA. Com este passo, os dois governos pretendem criar as condições necessárias para converter a região num verdadeiro centro nevrálgico de inovação em Inteligência Artificial, capaz de competir com os principais blocos tecnológicos mundiais.

A gigafábrica planeada não será apenas um centro de processamento de dados, mas um ecossistema integrado que visa atrair investimento direto estrangeiro e fixar talento altamente qualificado. A escala de 8 mil milhões de euros reflete a ambição de criar infraestrutura física (centros de computação de alto desempenho) e lógica (desenvolvimento de algoritmos e modelos de linguagem) com ADN ibérico.

As autoridades sublinham que a natureza paritária do projeto é fundamental para garantir que os benefícios da transição digital sejam sentidos de forma equitativa em ambos os territórios, potenciando sinergias em áreas como a energia — onde a Península já detém uma vantagem competitiva nas renováveis — e a conectividade internacional.

Cimeira Ibérica como motor estratégico

A decisão de avançar com esta gigafábrica de IA é o culminar de um processo de aproximação política e económica que tem caracterizado estes encontros anuais, nos últimos anos, que reúnem os chefes de Governo e os respetivos ministros de pastas transversais.

Historicamente, as cimeiras centravam-se na cooperação transfronteiriça, gestão de bacias hidrográficas comuns e ligações ferroviárias. Mas mais recentemente, a agenda tem sido dominada recentemente pela "Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço" e pela afirmação do "Bloco Ibérico" em Bruxelas.

A gigafábrica agora proposta insere-se na nova visão de "Soberania Aberta" da União Europeia, que procura reduzir a dependência de tecnologias críticas de potências externas.

Ao escolher a IA como o próximo grande projeto comum, Portugal e Espanha procuram deixar de ser apenas consumidores de tecnologia para se tornarem produtores de infraestrutura crítica, numa lógica de aproveitamento do atual momento de reindustrialização digital da Europa.

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