Passos Coelho analisou fatores que considera travarem o crescimento de Portugal.
Passos Coelho analisou fatores que considera travarem o crescimento de Portugal.Leonardo Negrão

Passos Coelho considera "pouco provável" regresso à política ativa "se tudo correr bem"

Antigo primeiro-ministro falou sobre "Reformar para Crescer" na conferência do Instituto Mais Liberdade. Além da falta de eficiência no Estado, criticou o "deitar dinheiro à rua" dos fundos europeus.
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Pedro Passos Coelho voltou a descrever como “pouco provável” a hipótese de regressar à política ativa, pois “se tudo correr bem por que razão irão buscar ao baú da História” quem deixou de ser primeiro-ministro há mais de uma década, e saiu da liderança do PSD há oito anos.

“Não sei se um dia voltarei a ser preciso e nem sequer vou perder tempo a especular sobre isso”, disse, assegurando nem sequer saber quando haverá eleições diretas para a liderança do seu partido, ao responder a perguntas de algumas das centenas de pessoas que o ouviram falar de “Reformar para Crescer”, no ponto alto da conferência Mais Ideias, com que o Instituto Mais Liberdade assinalou neste sábado o seu quinto aniversário, na Fundação Oriente, em Lisboa. Na audiência estavam o eurodeputado e ex-candidato presidencial João Cotrim de Figueiredo e o deputado Carlos Guimarães Pinto, fundador da entidade organizadora, ambos ex-presidentes da Iniciativa Liberal, mas também o ex-ministro socialista João Galamba, bem como militantes de vários partidos de centro-direita, incluindo o Chega.

Passos Coelho, que no final da sessão disse a jornalistas concordar quando Luís Montenegro defende que não se deve “alimentar a novela” de as suas intervenções públicas serem prenúncio de vontade de regressar à política ativa, voltou a apresentar ideias para assegurar maior crescimento económico em Portugal. E evitou repetir referências que irritaram altas figuras do PSD, como quando defendeu que a nomeação de Luís Neves, que era diretor nacional da Polícia Judiciária, para ministro da Administração Interna abriu "um precedente grave".

Criticando a “barreira constitucional” que impede uma verdadeira reforma na Administração Pública, pelo que “continuamos a meter pessoal onde não é preciso”, Passos Coelho admitiu que “não está a ver um consenso alargado na sociedade portuguesa” para a revisão da Constituição que pensa ser necessária.

Também referiu que, no que diz respeito à Segurança Social, “andamos há anos a contar uma história da carochinha”, pois o sistema terá mais encargos do que receitas nos anos 30 e parte dos anos 40, devido à crise demográfica. “Perdemos dez anos”, disse, recordando que propôs a António Costa, num debate para as legislativas de 2015, que ambos se comprometessem com uma reforma no financiamento. Mas acabou por deixar uma farpa ao Executivo da AD: “Não sei o que o atual Governo diz sobre isto.”

Mais direto foi o antigo primeiro-ministro ao dizer-se impressionado por se ter “começado a conversa da Reforma do Estado com a criação do Ministério da Reforma do Estado”, considerando que “do ponto de vista simbólico” a decisão de Luís Montenegro não foi eficaz. Apesar de elogiar o titular da pasta, Gonçalo Saraiva Matias, Passos Coelho contrapôs que mais valeria concentrar essa missão da Presidência do Conselho de Ministros e recordou que, tal como o antecessor José Sócrates, fez muitas fusões de organismos que “não adiantaram de nada”. “Hoje faria tudo diferente. Perdemos muito tempo a discutir leis orgânicas que trouxeram muito pouco”, disse o professor universitário que governou Portugal entre 2011 e 2015.

Colocando o foco na necessidade de aumentar a eficiência do Estado e responder aos desafios da produtividade num mundo alterado pela Inteligência Artificial, Passos Coelho distribuiu críticas por um sistema de ensino em que os estudantes “saem das universidades com qualificação, mas com pior desempenho, ano após ano”, alertando para que “estamos a infantilizar há demasiados anos os alunos”, e pela “mentira orçamental” que recai sobre um Serviço Nacional de Saúde em que “não houve aumento da procura e inflação que justifiquem o aumento da despesa corrente anual”. “A outra metade desse crescimento foi para o bolso de alguém”, disse, lamentando que a governação socialista que lhe sucedeu tenha recuado no modelo de parcerias público-privadas na gestão hospitalar.

Também disse que “o Estado é hoje um travão fortíssimo ao crescimento”, devido a uma regulação que não funciona, embora tenha salientado que “a desregulação leva a monopólios”, e que Portugal “talvez tivesse sido mais eficiente” com “alguma restrição de capital”. Para o antigo primeiro-ministro, os fundos europeus criaram a ideia de que não há custo de oportunidades, constituindo “um incentivo muito grande à ineficiência”, pelo que “estamos um bocado a deitar dinheiro à rua”. E comparou esse afluxo de capital desfavoravelmente com as remessas dos emigrantes, que chegaram a representar cerca de 10% do PIB até aos anos 80”, tendo por pressuposto assegurar resultados.

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