Parlamento vai discutir regras mais flexíveis para contratar professores no privado
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Parlamento vai discutir regras mais flexíveis para contratar professores no privado

Em causa duas iniciativas do CDS-PP e da IL, que pediram que os projetos de lei seguissem para discussão na comissão de Educação e Ciência sem votação, requerimentos que aprovados por unanimidade.
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O parlamento vai discutir, em sede de especialidade, duas iniciativas do CDS-PP e da IL que pretendem flexibilizar as regras para a contratação de professores por parte dos colégios privados e que mereceram críticas das restantes bancadas.

Os diplomas foram debatidos esta quarta-feira, 30 de setembro, em plenário, mas perante as dúvidas manifestadas pela maioria parlamentar, os proponentes pediram que os dois projetos de lei seguissem para discussão na comissão de Educação e Ciência sem votação, requerimentos que foram aprovados por unanimidade no final da sessão.

Idênticos no essencial, as iniciativas do CDS-PP e da Iniciativa Liberal propõem reforçar a autonomia dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo na contratação de professores, possibilitando o recrutamento de profissionais sem a habilitação atualmente exigida, que seriam posteriormente avaliados pelas direções pedagógicas da respetiva escola.

Pela Iniciativa Liberal, a deputada Joana Cordeiro começou por reconhecer a importância da habilitação própria (formação científica), mas defendeu que também a experiência profissional deve ser valorizada.

"Se podemos ajudar outros profissionais competentes nas suas áreas a tornarem-se excelentes professores, vamos preferir deixar alunos sem aulas, em vez de valorizar a experiência profissional das pessoas?", questionou.

Partilhando o argumento de que a resposta ao problema da falta de professores no sistema de ensino português pode passar por flexibilizar a contratação nos colégios, João Almeida, do CDS-PP, sublinhou ainda que o ensino privado pode e deve ter regras distintas.

A declaração mereceu, desde logo, um pedido de esclarecimento do deputado José Barreira Soares, do Chega, que afirmou que, para os centristas, o mesmo professor está qualificado para dar aulas ao privado, mas não ao público.

"Se fossemos socialistas, achávamos que as regras tinham de ser iguais para todos, que o ensino particular e cooperativo não tinha direito ao seu projeto educativo", retorquiu João Almeida, acrescentando que "a consequência era tudo niveladinho por baixo".

À esquerda, Porfírio Silva, do PS, considerou que as duas propostas procuram "resolver o problema da falta de professores transferindo para as famílias o custo de avaliar o desempenho do docente".

Com um projeto de resolução para reforçar a indução profissional e o trabalho em equipas pedagógicas, o socialista defendeu que essa via responde sim ao problema, apontando à melhoria das condições para fixar docentes nas escolas.

O PCP, que levou a debate um projeto de lei para reforçar os direitos dos professores dos colégios, aproximando-os do ensino público, afirmou, pela voz da deputada Paula Santos, que a flexibilização das regras de contratação reflete uma "visão mercantilista da educação" e "aprofunda as diferenças e exigências para o exercício da profissão".

No mesmo sentido, Filipe Sousa, do JPP, afirmou que reforçar a autonomia das escolas "não pode significar baixar a fasquia e desvalorizar qualificações", e Filipa Pinto, do Livre, foi mais longe considerando as iniciativas "um escândalo".

"Para quem fala tanto da exigência no ensino e na escola pública, parece que não olha para a exigência na escola privada da mesma maneira. Os alunos do ensino privado e cooperativo merecem mais", lamentou a deputada.

Ao coro de críticas, juntou-se também o PSD, que qualificou as iniciativas como "pouco exigentes com a formação" e destrutivas para "a igualdade que devia existir entre o ensino público e o ensino privado".

"Ao aprovar esta lei, o Estado demite-se da sua função e deixa a formação e avaliação dos professores à total responsabilidade e critério de cada direção pedagógica privada. Dominar uma área do saber é importante, mas não basta", alertou Liliana Sousa.

No encerramento do debate, o centrista João Almeida questionou os motivos para o "medo" da diferença e assumiu: "É mesmo para distinguir, para ter alternativas e para as famílias poderem escolher".

No âmbito do ensino privado, estiveram em discussão outros dois projetos de lei – do PCP para reforçar os direitos dos professores dos colégios e do Livre para garantir funcionários suficientes –, ambos rejeitados pela maioria.

Os projetos de resolução do Chega, Livre e PS sobre professores e educadores de infância foram igualmente chumbados.

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