No início de janeiro, as três mortes por falta de socorro levaram a uma indignação generalizada e tanto PS e Chega colocaram a Saúde na agenda, pedindo audições a responsáveis máximos do setor. Esta terça-feira será ouvido em audição em comissão parlamentar Luís Mendes Cabral, presidente do INEM desde 4 de novembro, depois do requerimento dos dois partidos. A morte no Seixal foi acompanhada de notícias que davam conta de mudanças no procedimento de socorro, que antecedeu uma semana trágica. É na emergência médica que os partidos centrarão as perguntas. “Continua muito atual a preocupação na prestação de socorro. Queremos perceber o que está a acontecer, este novo anúncio da refundação do INEM e perceber se não têm ocorrido outros casos trágicos por sorte ou se há realmente uma melhoria”, detalha a socialista Susana Correia ao DN. A deputada e coordenadora parlamentar do PS para a Saúde lembra que o presidente ainda não foi ao Parlamento desde que empossado em novembro e que o PS “ouviu com preocupação alterações nos relatórios da comissão técnica e o próprio alarmismo do INEM, por exemplo pela dispensa de formação”.Esta quarta-feira, será a vez do Diretor Executivo do Serviço Nacional de Saúde a responder quanto às 469 vagas por preencher no internato médico, apesar de terem existido 2375 candidatos para 2331 lugares. “Vamos perguntar onde estão as vagas, porque estão abertas e não entraram pessoas. Não podemos estar um ano à espera de concurso e queremos perceber as razões e as condições dadas aos médicos internos”, declarou Susana Correia ao DN, vincando que o PS teve o plano de “reunir as várias entidades”, como a Direção Executiva das Unidades Locais de Saúde (ULS), tendo ainda em carteira “ouvir a Ordem dos Médicos”, de modo a “perceber os constrangimentos que estão a acontecer, para ter um feedback mais real no Serviço Nacional de Saúde.”O PS avalia, por isso mesmo, os posicionamentos futuros nas sugestões para a Saúde, mas lamenta “a pouca disponibilidade” de Ana Paula Martins para comparecer em audição. Estava prevista a sua presença na segunda semana de fevereiro, mas foi comunicado o adiamento. “Havia uma data apontada desde julho, mas a ministra ainda não mostrou disponibilidade”, alega Susana Correia. A deputada quer explicações sobre o Plano de Emergência e Transformação na Saúde, dizendo que “houve um relatório de avaliação, mas que as metas foram prolongadas no tempo.” “Cada vez que questionávamos sobre o que se dizia ser o plano de motivação para a retenção de pessoas por parte do Serviço Nacional de Saúde, nunca chegámos a perceber se é um processo negocial de carreiras ou se iria além disto”, aponta a socialista..Orçamento do Estado: emergência médica e Defesa na agenda do PS.Luís Mendes Cabral assume esta terça-feira a presidência do INEM.Os novos médicos internos. “O que queremos é ser felizes na especialidade que escolhemos”