Tintas e petardos foram atirados nos polícias.
Tintas e petardos foram atirados nos polícias.Foto: Gerardo Santos

"O Estado, o Governo, as polícias não querem nada disto", reage Luís Neves sobre confrontos

Ministro falou sobre a violência na desmobilização das acampadas em Lisboa e Porto. "Quando uma polícia entra num determinado cenário, o que procura é que o cidadão compreenda essa ação", afirma.
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O ministro da Administração Interna, Luís Neves afirma que "ninguém fica feliz e satisfeito" com o que se viu nos confrontos da madrugada no Porto e em Lisboa. "Ninguém fica satisfeito com imagens destas que acabam por chocar. Há uma tristeza relativamente a este tipo de factos, a estas ocorrências", começou por dizer, na Marinha Grande ao final desta manhã, 01 de novembro.

Antes de falar mais sobre a violência, o ministro da Administração Interna (MAI) abordou a questão política. "Este Governo tem estado e está muito disponível para escutar toda a sociedade civil, todas as propostas que vão ao encontro de soluções que satisfaçam estas reivindicações. A senhora secretária de Estado da Habitação está, repito, já o disse mais do que uma vez, de uma forma global, o Governo está totalmente disponível para, de uma forma organizada, escutar, juntamente com a sociedade civil, ideias que contribuam para resolver o problema da falta de habitação."

Em relação à atuação da PSP, reiterou que "ninguém gosta de ver estas imagens que aqui estão" e voltou a sublinhar que o "direito à manifestação é um direito constitucional".

O ministro divide os manifestantes em dois grupos, aqueles que acatam as ordens policiais e aqueles que não as cumprem. "Como todos já perceberam, houve momentos em que as pessoas permitiram que o trabalho das autoridades fosse feito e há outros momentos em que isso não tem sido possível. Há, de facto, até confrontação daqueles que devem cumprir a lei com as autoridades do Estado", defende.

"Assembleia popular não substitui o povo"

Na visão de Luís Neves, "o que está em causa é a soberania do Estado, o que está em causa é o cumprimento da lei." e que "é na Assembleia da República que toda a legislação de direitos, liberdades e garantias é aprovada, não é uma Assembleia popular que se vai substituir o povo".

"O povo vota, escolhe os seus eleitos que estão no Parlamento e é ali que tudo deve ser discutido. Por isso, não é apenas uma pequena parte que põe em causa o cumprimento da lei que vai desvirtuar todo este quadro democrático que aqui está", acrescentou.

Mais explicou que "quando uma polícia entra num determinado cenário, o que procura é que o cidadão compreenda essa ação, compreenda essa atuação, não pode haver bloqueios àquilo que é a firmeza do Estado". Como resultado, "é evidente que depois, numa atividade mais musculada, acontece o que deveria acontecer, que são feridos".

Ainda de acordo com o ministro, a PSP tem autonomia nas ações. "Mau seria, que num país tivesse que haver uma decisão política para que uma polícia cumprisse a lei", sintetizou. "A Polícia de Segurança Pública tem autonomia técnica, tática, operacional, para fazer cumprir a lei".

Citou que as imagens mostram a tentativa de diálogo antes da violência. "É isso que também as imagens mostram, sempre mostraram, diálogo, paciência, demora, muito tempo de espera, para que as pessoas, como aconteceu no passado no Porto, pudessem compreender (...) ninguém pode negar que a Polícia de Segurança Pública fez este enorme esforço".

"A polícia não vai poder deixar de fazer a sua missão"

Luís Neves também falou sobre a agressão aos polícias. "Naturalmente, quando a polícia é atacada, quando a polícia é inviabilizada de fazer o seu trabalho, quando há garrafas, quando há sprays, quando há ofensas, quando há objetos que são utilizados, naturalmente, a Polícia não vai poder deixar de fazer a sua missão", sintetizou.

Mais disse que "o Estado, o Governo, as polícias não querem nada disto", em relação à violência. Por fim, terminou as declarações com apoio à PSP. "Quero expressar à Polícia de Segurança Pública total confiança na sua ação (...) desejo um rápido restabecimento dos polícias feridos e também aos manifestantes".

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