O ministro da Administração Interna reconheceu problemas que têm gerado filas nos aeroportos portugueses."O Governo reconhece, o Senhor Primeiro-Ministro já reconheceu (…), o Senhor Ministro das Infraestruturas e Habitação, Dr. Miguel Pinto Luz, ontem reconheceu, e eu volto a reconhecer que de facto não estamos como gostaríamos de estar", admitiu Luís Neves, à margem da inauguração de um monumento de homenagem aos Bombeiros na Figueira da Foz."Agora, há um conjunto de circunstâncias que conduziram a este estado das artes. No final deste mês, dia 29, teremos no aeroporto de Lisboa mais boxes e mais meios humanos por parte da PSP. No dia 28, termina um curso de quase 600 agentes da PSP. Mais de um terço dessas pessoas serão alocadas nas fronteiras aeroportuárias. Nós vamos reforçar o aeroporto de Lisboa, do Porto, de Faro e do Funchal, sendo certo que nos Açores a situação está estabilizada", explicou o governante,Luís Neves adiantou que existirão "mais boxes, onde as pessoas que passam a fronteira vão interagir com os nossos meios humanos", e "mais e-gates". "Por isso, estamos muito confiantes de que a questão, ainda levará algum tempo, mas será redimida em favor dos interesses de Portugal", adiantou.Luís Neves detalhou que "em dez anos, o fluxo de passageiros aumentou quase 70%". "Isso é uma riqueza para o país, porque vivemos do turismo, é relevante, mas essa perda não irá ocorrer. Portanto, temos muito mais pessoas a passar com as mesmas instalações. Temos de ter esta noção, que as instalações se mantiveram. Mantiveram-se as instalações, houve diminutos meios humanos que foram alocados, porque não havia… há dificuldades no recrutamento, que serão ultrapassadas como disse no dia 7 de julho, com mais de 350 agentes da PSP que estarão nas fronteiras aeroportuárias. Para além disso, houve constrangimentos tecnológicos, porque há muitas tecnologias digitais que têm de interagir umas com as outras. Basta que uma falhe para que toda a cadeia venha a falhar. O Governo está preocupado com esta situação e estamos a resolvê-la", frisou.Luís Neves manifestou-se "francamente otimista que aquilo que sucedeu durante estes últimos tempos, que não foi todos os dias, é importante que se diga, tenha um desembaraço bastante melhor e vá ao encontro dos interesses de todos nós". "Quais são os interesses de todos nós? É que haja passagens com dois tipos: em primeiro lugar, desembaraço. Em segundo lugar, segurança. Não é por Portugal que a segurança do espaço europeu será posta em causa", acrescentou."Quero dizer a todos os portugueses, e aqueles que nos visitam, que estamos a trabalhar de forma muito motivada, muito vincada, estamos otimistas porque estes meios humanos, tecnológicos e de espaço darão frutos, que é aquilo que todos nós precisamos", concluiu o ministro..Bruxelas nega que filas nos aeroportos em Portugal se devam a novo sistema europeu.O espaço Schengen é o destino mais visitado do mundo, com 40% das viagens internacionais globais a atravessarem as suas fronteiras externas.O novo sistema europeu de controlo de fronteiras entrou em funcionamento em outubro de 2025, em Portugal e nos restantes países do espaço Schengen, e desde então os tempos de espera nas fronteiras aéreas agravaram-se, principalmente no aeroporto de Lisboa, com os passageiros a terem de esperar, por vezes, várias horas.Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia realizou uma inspeção surpresa às fronteiras aéreas e marítimas de Portugal e detetou "graves deficiências" no controlo de fronteiras, particularmente no Aeroporto Humberto Delgado.O relatório final apontou 14 falhas críticas relacionadas com recursos humanos, falta de equipamentos e a simplificação sistemática de procedimentos de segurança..MAI diz que os fogos não podem ser uma fatalidadeO ministro da Administração Interna salientou esta quinta-feira que o país não pode viver com a fatalidade dos incêndios rurais e tem de encontrar instrumentos para a combater, desde logo ao nível da prevenção e da gestão florestal.“Para combater essa fatalidade da desgraça temos de trabalhar proativamente, com antecipação, numa floresta limpa, organizada, que cria emprego, riqueza e coesão territorial”, disse Luís Neves na Figueira da Foz, no litoral do distrito de Coimbra.O governante, que falava na sessão de encerramento do debate “Incêndios Florestais: O Fogo está a mudar – E nós?”, promovido pela Navigator Company, frisou que uma floresta cuidada e organizada do ponto de vista científico, com uma nova paisagem, “é o melhor antídoto para os grandes incêndios”.Salientando que Portugal tem necessidade de fazer este caminho, o ministro da Administração Interna realçou “que os territórios mais seguros são aqueles onde existe uma prevenção contínua, gestão ativa e capacidade de intervenção precoce”.“Vai levar anos, mas vamos fazer essa mudança de paradigma”, sublinhou.Luís Neves referiu que em Portugal não “há lugar para amadorismos” e que a floresta tem de ser gerida de forma “multidisciplinar, sem barreiras, e como diz o Presidente da República, sem condomínios”.Pegando no tema do debate, o governante garantiu que o Governo vai também mudar a forma de lidar com os incêndios, através de um trabalho “que exige antecipação, conhecimento, gestão ativa da paisagem, capacidade técnica e cooperação permanente entre entidades”.No final do debate, em declarações aos jornalistas, disse que o trabalho de limpeza e desobstrução dos caminhos florestais e dos terrenos afetados pela depressão Kristin “está a ser feito da melhor forma possível em contrarrelógio, focados nos 22 concelhos onde a maior desgraça ocorreu”.“Estamos muito satisfeitos com o caminho feito até agora. Agora que ninguém pense que por termos tido esta organização, de estarmos a trabalhar ininterruptamente com centenas de pessoas e dezenas de meios e máquinas que está tudo resolvido, porque não está”, alertou.O governante voltou a apelar aos cidadãos e proprietários para fazer a sua obrigação de limpar em redor das habitações e das unidades industriais, e, no caso de não terem capacidade financeira, informarem as autoridades.“Há o direito à propriedade privada e não podemos entrar nos terrenos das pessoas. Há mais de 40 milhões para alocarmos às Operações Integradas de Gestão da Paisagem e apoiarmos os privados”, referiu.