Milhares de pessoas celebram a liberdade com um desfile em Lisboa e uma marcha no Porto

O desfile lisboeta arrancou pelas 15h30 da praça do Marquês de Pombal em direção ao Rossio entoando as tradicionais palavras de ordem: “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais” e “Viva a liberdade".
Milhares de pessoas celebram a liberdade com um desfile em Lisboa e uma marcha no Porto
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Milhares de pessoas iniciaram este sábado a marcha para assinalar o 52.º aniversário do 25 de Abril na avenida da Liberdade, em Lisboa, com a presença de todas as gerações, entre uma profusão de reivindicações e cravos vermelhos.

O desfile arrancou pelas 15h30, liderado pelas tradicionais Chaimite, as icónicas viaturas blindadas usadas em 1974 na Revolução dos Cravos e um portador de um cartaz alusivo aos presos políticos libertados há 52 anos.

No ponto de partida, na praça Marquês de Pombal, dezenas de milhares de participantes estavam já também prontos para descer a avenida em direção ao Rossio, entre as tradicionais palavras de ordem “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais” e “Viva a liberdade".

Numa tarde de sol e calor, o desfile conta também com a participação habitual de numerosos sindicatos e centrais sindicais, que aproveitaram as comemorações deste ano para vincar os seus protestos contra o pacote laboral, juntamente com as presenças espontâneas de muitas famílias, e ainda bastantes turistas nas artérias laterais da avenida.

No Porto a marcha pela Liberdade arrancou com milhares de pessoas de cravo na mão e com palavras de ordem na voz contra “o assassinato dos valores de Abril”.

Pouco depois da hora marcada, pelas 15h00, os milhares de pessoas que se reuniram no Largo Almirante Reis, onde estava instalada a polícia política, a PIDE, na cidade, deram início à tradicional marcha no 25 de Abril, que vai percorrer várias artérias do centro da cidade e termina na Avenida dos Aliados.

No ano em que se assinalam os 52 anos da Revolução, o Porto “sai à rua” para “garantir que Abril está vivo”.

“Querem assassinar Abril, mas o povo está na luta”, garantiu à Lusa António Castro, 75 anos, na primeira fila da marcha.

Entre os manifestantes, misturam-se idades, cores, cravos, palavras de ordem e o desejo comum de “fascismo nunca mais”.

As comemorações arrancaram entre “Vivas”, aplausos e com a habitual música de intervenção pelas vozes de Zeca Afonso, José Mário Branco ou Sérgio Godinho.

Cerca de 400 pessoas participam em marcha para assinalar a data no Funchal

No Funchal, na ilha da Madeira, cerca de 400 pessoas participaram numa marcha para assinalar o 25 de Abril, uma iniciativa promovida por uma organização de cidadãos, que contou com a presença de representantes de várias estruturas sindicais e partidos políticos.

“Os tempos estão difíceis para quem trabalha, a renumeração do trabalho não reflete os rendimentos das empresas, a habitação, os combustíveis, os bens de primeira necessidade atingem valores proibitivos e temos um Governo nacional que atenta contra os direitos dos trabalhadores”, afirmou Manuel Esteves, um dos elementos da organização.

A marcha partiu da Praça do Município, percorreu algumas ruas do centro da cidade e terminou no largo à entrada da Assembleia Legislativa da Madeira, com os manifestantes munidos de bandeiras, cravos vermelhos e cartazes com inscrições como “Liberdade para ser feliz”; “25 de Abril Sempre – Paz, Pão, Habitação, Saúde, Educação”; “Liberdade, Democracia, Autonomia”; “Não aceitamos a fatura da vossa guerra”.

Foram também entoadas palavras de ordem, amplificadas com recurso a megafones, como “Viva o 25 de Abril, a mãe de todas as datas”; “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”; “Contra o medo, a Liberdade”; “Paz sim, Guerra não”; “a Madeira não é caixote do lixo”; “Não vamos desistir, o pacote é para cair”, numa alusão às alterações à legislação laboral apresentadas pelo Governo liderado pelo social-democrata Luís Montenegro.

“Reunimo-nos aqui, hoje, porque comemorar o 25 de Abril não é só um ritual, é uma responsabilidade”, disse Luísa Paixão, da comissão organizadora, reforçando: “A liberdade não é garantida com inércia. A participação cívica continua a ser o instrumento mais poderoso de transformação social.”

A marcha no Funchal foi promovida pela Comissão para a Comemoração dos 50 Anos do 25 de Abril na Madeira, criada em 2024 e composta por pessoas de diversos quadrantes políticos e sociais.

Entre outras iniciativas, a comissão preparou também um livro para assinalar a data, intitulado “Da Madeira, Vozes do 25 de Abril, Testemunhos, Memórias e Reflexões”, cuja impressão foi financiada pela Associação de Municípios da Região Autónoma, que reúne 80 textos com depoimentos de pessoas de todos os concelhos da região sobre a “Revolução dos Cravos” e que será apresentado em 30 de abril, no Funchal.

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