Miguel Costa Matos agitou as águas no Congresso do Partido Socialista do último fim de semana. Foi sua uma das mais de 50 moções apresentadas, o documento "Socialismo com Futuro", na qual vincou a importância de "sacudir a imagem de parceiro parlamentar do Governo", ou seja pedindo, como outros, a José Luís Carneiro para vincar a oposição e não procurar, tantas vezes, equilíbrios e consensos negociais, até porque estes não têm existido.Ao Diário de Notícias, o antigo líder da Juventude Socialista reconheceu que as suas palavras "tiveram impacto" depois de uma moção onde pediu uma postura mais arrojada de José Luís Carneiro. Uma semana depois do Congresso em que assumiu um papel de protagonismo, Costa Matos começa por esclarecer ao DN que "não se deve dizer que estou em desacordo porque não houve nada que o secretário-geral tenha dito que possa ser entendido como crítico ao que mencionámos na moção, ou sequer que seja diferente do que dissemos", principia. "Quisemos reafirmar a vontade de vermos coisas feitas. Queremos somar e não criticar", explana, adiantando que pretende ver respostas mais concretas do PS. Dá avisos a José Luís Carneiro. "Queremos mais arrojo, queremos ver propostas viradas para o futuro e mais claras. Queremos clarificar a posição do Governo com a AD, não podemos estar no beco sem saída, é preciso assegurar que conseguimos captar o descontentamento das pessoas. Não usamos a palavra pressão, mas é um contributo e queremos que se cumpra a expectativa", atira, resumindo: "O propósito é ter todos para demonstrar que existe um consenso amplo no partido e que é preciso somar às características que o secretário-geral tem vindo a demonstrar na liderança, desde a reforma interna, a estabilidade, mas também adicionar um conjunto de coisas como mais clareza, mais arrojo." Em suma, assume que "se pede mais ao secretário-geral" e "não" um outro secretário-geral. Foi associada esta reivindicação de Miguel Costa Matos a uma proximidade com Duarte Cordeiro, que se perfila como possível candidato num futuro a médio prazo. No entanto, o ex-líder da JS rejeita que haja associações ao ministro do Ambiente. "Nesta moção estão generais 'costistas' como Hugo Pires e Luís Testa, pessoas que estão com António José Seguro como o Álvaro Beleza. Talvez o Pedro Costa se possa dizer que era mais próximo de Pedro Nuno Santos. O propósito era não estar associado a ninguém, seja do passado seja para o futuro", responde, prontamente, o economista.A moção em questão tinha Miguel Costa Matos como primeiro subscritor, Pedro Costa seguia-se, também constava o nome de Sofia Pereira, atual líder da Juventude Socialista, e são referidos ainda autarcas jovens, abaixo dos 40 anos, como Marcelo Guerreiro, Olavo Câmara, Ricardo Calé e Nuno Mira. Vincando que "não houve tempo para falar de estatutos", com algum lamento, Costa Matos confirma que "não foram dados passos no sentido de aumentar a militância de base e o rejuvenescimento." Recorde-se que também as federações de Portalegre, até por ligação do deputado Luís Testa, mas principalmente de Aveiro e Porto estiveram ao lado da moção em questão. Se isso pode ser uma questão de apoio futuro, tendo em conta que Pedro Nuno Santos tinha grande apoio destas estruturas, Miguel Costa Matos preferiu valorizar o "contributo", mais do que referir algum tipo de posicionamento.O deputado relembrou que "o PS deve analisar o Orçamento do Estado quando este chegar", rejeitando dar garantias. Vinca que agora há "outra liberdade para analisar o Orçamento do Estado", porque António José Seguro garante estabilidade e, à partida, "não trará eleições legislativas" em casos de chumbo do documento no Parlamento. .Dar voz aos jovens, sem "trocar bebés" e contra o "centralismo estrutural". O que defendem as moções do PS.Jovens do PS imunes aos “discursos fáceis” da extrema-direita.Miguel Costa Matos: "Isto não vai lá uns contra os outros"