O receio de um “acantonamento” do PSD no Norte, atenuado por alguns triunfos emblemáticos nas autárquicas de 2025, como a reconquista da Câmara de Sintra e a vitória histórica na Câmara de Beja, foi reforçado nas eleições internas para os órgãos concelhios e distritais sociais-democratas, com mais de metade dos 22.272 militantes que votaram concentrados nos cinco distritos (Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança) acima do rio Douro.Apesar de tão grande desequilíbrio geográfico ser acentuado pelos 5500 militantes das concelhias de Braga que votaram nas eleições de 28 de fevereiro, tendo sido a única distrital do PSD sem lista única - o antigo deputado Carlos Eduardo Reis, retirado das listas de candidatos pela liderança de Luís Montenegro, derrotou o eurodeputado Paulo Cunha, próximo do secretário-geral e líder parlamentar Hugo Soares -, a distrital de Lisboa-Área Metropolitana voltou a perder terreno, mobilizando para o voto apenas 1980 militantes com as quotas em dia, bastante aquém do Porto (2809) e não muito à frente de Coimbra (1728) e de Viseu (1584).Com a disputa pela distrital de Braga a assegurar que as concelhias mais mobilizadas foram as dos dois candidatos à liderança, com 1757 em Barcelos (Reis) e 1576 em Vila Nova de Famalicão (Cunha), Coimbra ficou na terceira posição (989) também devido à disputa entre o deputado Martim Syder e a eurodeputada Lídia Pereira, com a vitória do primeiro sobre a segunda. Bastante atrás, na sexta posição, Lisboa só teve 605 militantes a eleger Bruno Ventura para a distrital e Ricardo Mexia para a concelhia.Mas as eleições internas trouxeram um maior sinal de preocupação para os sociais-democratas; não elegeram órgãos locais em 43 dos 278 concelhos que foram a votos - de fora ficaram os 30 das regiões autónomas dos Açores e da Madeira. Isto porque nem sequer foram apresentadas listas, embora também tenha havido uma dezena de casos em que nenhum militante apareceu para ajudar a eleger a respetiva distrital.Os 43 concelhos que ficaram sem estrutura local situam-se sobretudo no Alentejo (nove no distrito de Beja, dois no de Évora e seis no de Portalegre, incluindo Campo Maior e Ponte de Sor) e Ribatejo (seis no distrito de Santarém), onde o PSD tem perdido terreno para o Chega, mas houve casos no Algarve (Monchique), na Península de Setúbal (Alcochete) e no Interior (como Idanha-a-Nova, Penamacor e Manteigas). E não surpreende que, em oito destes concelhos, o PSD não tenha apresentado listas nas últimas eleições autárquicas.Já “incompreensível”, segundo dirigentes ouvidos pelo DN, é o facto de não terem surgido candidatos para sete concelhias em que o presidente da Câmara é um autarca social-democrata. Assim sucedeu em Castelo de Vide, localidade do Alto Alentejo onde todos os anos decorre a Universidade de Verão do PSD, tal como em Alcanena, Peniche, Lousã, Castro Daire, Miranda do Douro e Vila Flor..Concelhias do PSD que ficaram por eleger.Alcácer do SalAlcanena*AlcocheteAljustrelAlpiarçaAlvitoBarrancosCampo MaiorCastelo de Vide*Castro Daire*Castro VerdeChamuscaConstânciaCratoCubaFerreira do AlentejoFerreira do ZêzereFigueiró dos VinhosFreixo de Espada à CintaGaviãoGolegãIdanha-a-NovaLousã*ManteigasMértolaMiranda do Douro*Moimenta da BeiraMonchiqueMonforteMontalegreMoraParedes de CouraPenamacorPenedonoPeniche*Ponte de SorPortelSerpaTorres NovasVidigueiraVila Flor*Vila Nova da BarquinhaVila Velha de Ródão*Câmaras do PSD