A utilização da base das Lajes por aviões norte-americanos envolvidos na Operação Fúria Épica, em que Estados Unidos e Israel estão a atacar o Irão à revelia do Conselho de Segurança das Nações Unidas, contrasta com a recusa da utilização das bases espanholas de Rota e de Morón, anunciada nesta segunda-feira, mas o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, António Martins da Cruz, defende a posição do Governo de Portugal.“Além de não estarmos isolados, a nossa posição foi a correta”, garante o diplomata ao DN, realçando que “Espanha foi até agora, que eu saiba, o único país da União Europeia que condenou os ataques dos Estados Unidos”, numa posição assumida pelo primeiro-ministro Pedro Sanchéz, numa publicação na rede social X, através da qual repudiou uma ação militar unilateral “que contribui para uma ordem internacional mais incerta e hostil”.Martins da Cruz salienta que a publicação não evitou que as bases, no sul de Espanha, ainda tivessem sido utilizadas pela aviação norte-americana, tal como está a suceder numa base italiana na Sicília ou nas bases britânicas no Chipre e em Diego Garcia (Oceano Índico), com o primeiro-ministro Keir Starmer a voltar atrás, permitindo aquilo que descreveu como uma utilização para “finalidades defensivas limitadas e específicas”. Algo que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Durão Barroso lembra ter sucedido após “comentadores do Reino Unido com anti-americanismo primário dizerem que Portugal era o único país que apoiava os americanos”.Àqueles que condenam a posição do Governo de Luís Montenegro, em defesa do primado do direito internacional, incluindo Augusto Santos Silva, outro antigo detentor da pasta dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz recomenda a leitura da posição do chanceler alemão Friedrich Merz, que apoiou os ataques levados a cabo pelos Estados Unidos e por Israel contra o regime de Teerão, sublinhando que “a realidade ultrapassa muitas vezes o direito internacional”.Mas também faz referência a situações em que Portugal participou em ações militares não autorizadas pelo Conselho de Segurança, uma das quais - o bombardeamento da Sérvia, em 1998, no âmbito do qual estiveram mobilizados F-16 da Força Aérea Portuguesa, assegurando o espaço de exclusão aérea - aconteceu quando o primeiro-ministro era o atual secretário-geral das Nações Unidas, António Guterrres, descrito por Martins da Cruz, que nessa altura era embaixador de Portugal junto da NATO, como “um socialista não-radical”.Também sublinhada por Martins da Cruz foi a pronta condenação, por parte de Portugal, antecipando-se ao resto da União Europeia, aos ataques do Irão a países árabes, que foram alvo de misséis. Algo que poderá estar relacionado com a candidatura a um lugar de membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Quanto aos objetivos da Operação Fúria Épica, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros destaca que a mudança de regime em Teerão não foi incluída entre os “três objetivos muito claros” dos Estados Unidos: impedir o programa nuclear iraniano, destruir os seus mísseis balísticos e terminar o apoio dado pelo regime a organizações terroristas como o Hezbollah, o Hamas e os Houthis. Quanto aos próximos passos, Martins da Cruz acredita que Trump “jamais vai fazer os erros que foram feitos no Iraque e no Vietname”, pelo que não deverá colocar tropas no terreno..Paulo Rangel sobre a Base das Lajes. “Portugal não teve, nem teria, qualquer intervenção neste conflito".Espanha recusa uso de bases aéreas no país para ataque ao Irão.Carneiro exige que Montenegro esclareça uso da base das Lajes em ataque ao Irão