Presidente da República e primeiro-ministro encontram-se esta quinta-feira em Belém para acertar posições. Luís Montenegro terá na reunião habitual a possibilidade de explanar medidas e responder a Marcelo Rebelo de Sousa sobre a gestão da crise provocada pelo mau tempo. O Presidente deu essa garantia de encontro na terça-feira. Marcelo Rebelo de Sousa, esta quarta-feira, disse que não tinha hora definida, mas previa-se que fosse ao fim da tarde o encontro, porque iria a Alcácer do Sal de manhã, já depois de Montenegro presidir ao Conselho de Ministros, onde o foco será, naturalmente, mitigar a situação de desespero de populações em Portugal. As medidas de apoio concretas serão levadas depois a Belém.É incerto se haverá uma declaração conjunta à saída, no entanto ficaram patentes, nos últimos dias, algumas correções feitas pelo chefe de Estado ao Executivo. Em Soure, esta quarta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa prosseguiu o tom crítico. “A primeira reação do primeiro-ministro foi boa, percebeu a gravidade e que tinha de ir à Proteção Civil. Depois, a ideia de que era uma extensão mais pequena... foi insuficiente, porque afinal era mais ampla”, apontou, antes de prosseguir a análise. “Depois o primeiro-ministro vai para o terreno, nota que [a destruição] é mais ampla e declara Calamidade: bem. Depois não se percebe quão ampla era e aponta-se para menos concelhos: menos bem. Quando teve a visão, avançaram as medidas e a equipa: bem”, disse o Presidente.Marcelo atentou depois às comunicações. “Portaram-se mal. Para problemas mais complexos, ainda é preciso tirar ilações”, descreveu quanto às operadoras. Lembrou ainda o “contacto permanente com Espanha e uma gestão conjunta das barragens que nunca fora feita”, além da conexão necessária das Forças Armadas com a Proteção Civil para poder minimizar as dificuldades dos próximos dias.Já na véspera, Marcelo Rebelo de Sousa tinha feito reparos ao Executivo. “Não é por eu dizer que o Governo esteve melhor ou pior. Há coisas em que esteve melhor e coisas em que esteve pior. A explicação às pessoas, em muitos casos, não correu bem”, afirmou aos jornalistas, na noite de terça-feira, no posto de comando da Proteção Civil de Ourém. Em causa as declarações da ministra da Administração Interna, ainda antes de Castro Almeida, ministro da Economia, ter dado uma entrevista na SIC, onde, com alguma polémica, lembrou que “as pessoas tinham o salário do mês anterior”.“Há tiradas mais felizes do que outras, mas o mais importante é a resposta imediata, é o financiamento direto a particulares e empresas”, disse Marcelo, assumindo a supervisão. Também na terça-feira revelou ter perguntado a Luís Montenegro porque não era ativado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. “Explicou que aquilo que podia ter efeito em termos imediatos não era um contributo que fazia a diferença. Pronto. Aí aceitei. Até prova em contrário, parto do princípio de que quem exerce o poder executivo ponderou isso”, comentou.Depois de voltar do Vaticano, Marcelo não tinha garantido ir ao terreno por Portugal estar em tempo de presidenciais. Há uma semana, relembrara Montenegro de que, na fase crucial de resolução e coordenação, os políticos não deveriam estar no local, por ser tempo dedicado à Proteção Civil, uma crítica implícita às deslocações do primeiro-ministro a zonas afetadas.O relacionamento entre as duas instâncias teve, em janeiro, outra discórdia, com o Governo a corrigir as indicações de Marcelo quanto ao Subsídio Social de Mobilidade. Mas os pontos mais dissonantes já vêm do veto à Lei da Nacionalidade por inconstitucionalidade, em dezembro, e ainda quanto à Lei Laboral, quando em novembro Marcelo pediu consenso na negociação. Palma Ramalho, ministra do Trabalho, sempre vincou que seria para avançar, mesmo que com pequenas adendas. .Marcelo devolve Lei da Nacionalidade ao Parlamento.Marcelo questionou primeiro-ministro sobre as razões para não ativar Mecanismo Europeu de Proteção Civil.Marcelo Rebelo de Sousa defende o maior consenso possível em matérias como a Lei da Nacionalidade