Enquanto todos os partidos optaram no debate quinzenal de quarta-feira por pedir o posicionamento de Luís Montenegro na segunda volta das Presidenciais, José Luís Carneiro centrou a intervenção na Saúde e política fiscal. A estratégia do secretário-geral socialista é, sabe o DN, concertada com António José Seguro, candidato que pretende manter-se suprapartidário. Estando outros partidos a exigir o apoio “no candidato democrata”, como repetidamente foi dito no Parlamento, o PS salvaguarda a sua posição e mantém-se equidistante da AD e mais solícito a fazer o caminho da oposição. O não envolvimento declarado do PSD, apurou o DN, é visto de forma favorável pelos socialistas, uma vez que, desse modo, André Ventura terá mais dificuldade em insistir no argumento de que a AD e o PS representam espaço político semelhante e se pautam por convicções e governações semelhantes. Ainda assim, várias fontes socialistas confirmam ao Diário de Notícias que a posição neutral de Montenegro logo após a primeira volta foi surpreendente.Ao que o DN pôde saber, a própria presença de ex-ministros e figuras notáveis do PSD ao lado de Seguro perfaz já o objetivo traçado para a segunda volta: é no espaço de Gouveia e Melo (12,3%) e de Marques Mendes (11,3%) que a campanha de Seguro poderá crescer e garantir a eleição.A opinião de politólogosA decisão de José Luís Carneiro não usar o quinzenal como arremesso nas Presidenciais é validada pelos três especialistas em Ciência Política com quem o DN conversou. “Preferiu centrar-se na política do Governo porque já existem outras figuras da AD. Não iria acrescentar nada a Seguro ter Montenegro a seu lado”, advoga Paula Espírito Santo. A doutorada e agregada pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa considera que “se o PS pedisse o apoio estaria a reconhecer que existia uma extensão ideológica entre PS e AD”, alinhavando acreditar que a neutralidade “pode ser um trunfo não agora, mas futuramente, para o PS”, já que o Governo “demarcou uma linha vermelha em relação ao Chega.”Marina Costa Lobo classifica de “inteligente” a estratégia de Carneiro, uma vez que “o PS não apoiou logo Seguro” e o candidato “ganhou a primeira volta ultrapassando em 9% o voto do PS nas últimas eleições”. Para a investigadora coordenadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, “Seguro tem de mobilizar o eleitorado, portanto deve continuar genuinamente o seu caminho tal como o trilhou inicialmente: o de ser um candidato suprapartidário moderado.”André Azevedo Alves também categoriza de “sensata” a decisão de José Luís Carneiro. Explica que o secretário-geral socialista foi “coerente ao não reclamar para si nem para o partido o mérito do resultado da primeira volta” e advoga que “o não posicionamento de Montenegro é o melhor possível para Seguro” porque “o pior que lhe poderia acontecer seria consolidar-se a ideia de Ventura contra todos”. O professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa vê “erro estratégico de Montenegro na escolha de Marques Mendes”, mas diz ser “acertado não tomar uma posição institucional para a segunda volta”. André Azevedo Alves defende que para a missão “difícil de reconstruir o partido [PS]”, Carneiro tem a “vida mais facilitada se estiver ao centro, mas não num bloco central com o PSD”. Valida que a melhor estratégia “é evitar colar Seguro ao PS”, mas admite que os socialistas têm “uma grande oportunidade de reconstruir o partido a partir de Belém.” .“O pior que poderia acontecer a Seguro seria consolidar-se a ideia de Ventura contra todos na segunda volta.” André Azevedo Alves, professor no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica.."Seguro tem de mobilizar o eleitorado, portanto deve continuar genuinamente o seu caminho: ser suprapartidário e moderado.”Marina Costa Lobo, investigadora coordenadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.."José Luís Carneiro preferiu centrar-se na política do Governo porque já existem outras figuras da AD com Seguro. Não iria acrescentar nada ter Montenegro ao lado."Paula Espírito Santo, doutorada e agregada pelo ISCSP da Universidade de Lisboa..Presidenciais 2026: Seguro e Ventura frente a frente nas TV na próxima terça-feira.Marques Mendes declara apoio a António José Seguro na segunda volta das Presidenciais.Carlos Moedas e Assunção Cristas declaram voto em Seguro.Mesmo sem apoio de Montenegro, Seguro promete relação institucional intacta em caso de eleição