Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP.
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP.FOTO: FERNANDO VELUDO/LUSA

Líder do PCP insiste que salários baixos expõem o país à inflação

Paulo Raimundo revela que "o aumento do custo de vida que não tem parado”.
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O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, insistiu este sábado, 30 de agosto, que sem resolver a questão dos baixos salários em Portugal o país irá continuar exposto a aumentos da taxa de inflação como a verificada em agosto.

Questionado pela Lusa sobre o facto de a taxa de inflação ter aumentado para 2,8% em agosto, ficando 0,2 pontos percentuais acima da variação de julho, segundo a estimativa provisória divulgada na sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), Paulo Raimundo afirmou que a solução passa por resolver o “problema estrutural que se chama salários e rendimentos, mas em particular os salários”.

“Também ficámos a saber que a economia tinha crescido 1,9% no último trimestre. Convenhamos que 1,9% não é crescimento. É melhor 1,9 do que zero, mas tudo o que seja abaixo dos 2% não tem consequência nenhuma na economia, na vida das pessoas. E, portanto, enquanto não resolvermos o problema dos salários, de um aumento significativo dos salários, de um choque salarial, o que nós andamos a propor há tanto tempo, vamos andar sempre nisto”, defendeu o líder comunista, em declarações em Paredes, no distrito do Porto.

E prosseguiu: “É claro que a questão dos salários não tem a ver exatamente com isso, tem a ver fundamentalmente com os preços. E se há coisa que nós sentimos todos, e sabemos todos, independentemente dos salários que temos, é um aumento do custo de vida que não tem parado”.

Ainda sobre o tema, Paulo Raimundo sublinhou que “os valores da inflação, como sempre, deixam de fora uma parte importante da despesa da vida das pessoas, que é com a habitação”, o que significa que “as outras componentes, desde logo o preço dos alimentos, que tem disparado de forma exponencial, têm vindo a crescer [exercendo] muita pressão sobre a vida das pessoas. E, portanto, o aumento dos salários não resolve tudo, mas dá um jeito na vida das pessoas, até para enfrentar esses números, porque isto tem consequências”.

A informação apurada pelo INE, ainda sujeita a revisão, aponta para uma aceleração do Índice de Preços no Consumidor (IPC).

Depois de em julho a diferença no índice em relação ao mesmo mês do ano passado ser de 2,64%, a taxa passou para 2,78% este mês, indica o INE na síntese estatística.

O indicador de inflação subjacente – o índice total excluindo os produtos alimentares não transformados e energéticos – registou uma variação de 2,5% face ao valor do índice em agosto do ano passado. Neste caso, a diferença é igual à de julho.

“A variação do índice relativo aos produtos energéticos foi -0,2% (-1,1% em julho) e o índice referente aos produtos alimentares não transformados terá voltado a acelerar para 7,0% (6,1% no mês anterior)”, detalha o INE.

A variação global do IPC em relação a julho (em cadeia) foi negativa, com a diferença mensal a ser de -0,2%. A descida foi menor do que a registada de junho para julho, que foi de -0,4%.

Já o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) português, que permite fazer comparações com outros países europeus, registou uma variação homóloga de 2,5%, tendo a diferença ficado num “valor idêntico” ao de julho.

O INE vai publicar os dados definitivos sobre a inflação de agosto a 10 de setembro, altura em que se ficará a saber se os valores provisórios agora divulgados são os mesmos ou se sofrem uma revisão.

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