Depois de ler, “de trás para a frente” mais de 400 crónicas escritas por Mário Soares no Diário de Notícias entre 2008 e 2015 numa coluna do antigo Presidente da República intitulada O Tempo e a Memória, o antigo diretor do arquivo do DN Jorge Morais organizou num livro 100 destes textos que permitem mostrar - como referiu ontem durante o lançamento desta compilação - um “Soares aos 90 anos, na idade da razão”. Como lembrou ontem durante a apresentação do livro O Tempo e a Memória - 100 artigos no Diário de Notícias a presidente da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, Isabel Soares, o antigo chefe de Estado “escrevia sempre à mão” e depois ditava à sua assistente executiva de longa data, Osita Eleutério.Jorge Morais, ao levantar o véu do trabalho por trás deste livro, falou num “problema da indisciplina natural” de Mário Soares, o que levou o organizador desta obra a “agrupar as crónicas por temas” e não cronologicamente.No fundo, insiste Jorge Morais, foi um “trabalho de vários meses que permitiu ficar a conhecer um Soares maduro e tranquilo”, com uma “capacidade de observação muito serena”, que emana dos “olhos de quem já não pode ser enganado, porque ele já viu, já sabe”.É por isso que o livro, de acordo com o organizador, chega agora ao público sob a forma de “uma lição de sapiência”, até porque, vinca, o comentário de Mário Soares “acaba por ser doutrina”, tendo a conta a capacidade que “ele tinha de teorizar”, além de ter um domínio técnico da escrita, resultado da “experiência” de décadas a escrever para a imprensa.Momentos antes, numa apresentação que, além de Isabel Soares e Jorge Morais, ficou a cargo do coronel do Exército Manuel Pedroso Marques e do responsável da edição do livro, António Batista Lopes, da Âncora Editora, Mário Soares foi recordado em várias dimensões, mas principalmente pela atual.“Hoje em dia, tem-se a mania de apagar a memória e reescrever a história”, advertiu Isabel Soares, destacando a importância deste livro com as memórias de seu pai, porque “um ano de PREC [Processo Revolucionário em Curso] é agora comparado com 48 anos de ditadura”..Crónicas de Mário Soares no DN regressam às bancas.Marcelo critica messianismos e lembra luta de Soares por primeiro Presidente civil